O incêndio recente na estação brasileira na Antártica motivou a escrita deste post. A pergunta que guia este texto é complexa, e devo deixar claro, desde o início, que não tenho formação aprofundada em filosofia ou história da ciência. O que apresento aqui é apenas uma opinião pessoal.
O ponto central é simples: nossos governantes, em geral, não dão à ciência a importância que ela merece. Muitos parecem acreditar que a ciência básica não tem utilidade prática imediata e, por isso, pode ser tratada como algo secundário. Essa visão se reflete na falta de investimento consistente no desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil, problema recorrente ao longo da nossa história.
A ideia de que a ciência é inútil está profundamente equivocada. Muito do mundo moderno depende de descobertas que, no momento em que foram feitas, pareciam distantes de qualquer aplicação prática. Aumento da expectativa de vida, produção de alimentos, vacinas, medicamentos, telecomunicações, energia, transporte e computação são resultados de longos processos de investigação científica.
O problema também passa pela educação. Nossa população, da qual surgem nossos políticos, nem sempre recebe uma formação capaz de mostrar como a ciência funciona. Em muitas escolas, o ensino ainda é excessivamente baseado na memorização e na preparação para provas, em vez de estimular observação, experimentação, dúvida e pensamento crítico. Muitos estudantes passam pelo ensino fundamental e médio sem realizar experimentos simples de física, química ou biologia.
Se as pessoas não compreendem como a ciência é construída, dificilmente perceberão sua importância. A população, em geral, nem sempre se dá conta de que o mundo em que vivemos hoje não foi sempre assim. No início do século XX, a expectativa de vida no Brasil era muito menor, doenças hoje tratáveis eram frequentemente fatais, telefones eram raros e a internet sequer existia. O mundo moderno foi moldado, em grande parte, pelo avanço científico e tecnológico.
Por isso, quando a ciência é tratada como gasto supérfluo, o país compromete seu próprio futuro. Investir em ciência básica, educação científica e tecnologia não é luxo; é condição para soberania, desenvolvimento e melhoria real da qualidade de vida.
Assista aos vídeos abaixo e observe como a educação da população nunca pareceu ser, de fato, uma prioridade para boa parte dos nossos governantes.
(1) Vídeo da Fiocruz sobre a Revolta da Vacina. Em 1904, parte da população do Rio de Janeiro se revoltou contra a vacinação obrigatória contra a varíola. É um exemplo clássico do que discuti nesta postagem.
(2) Parte 1 do excelente programa Linha Direta sobre o acidente radiológico de Goiânia, em 1987. Outro exemplo de que nossa população precisa ter um mínimo de alfabetização científica para viver em nossa época. Alguém duvida de que algo semelhante poderia acontecer novamente?
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