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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Ensaio de ocultação estelar — (11978) Makotomasako

Em 10 de fevereiro de 2026, fiz um ensaio, a partir do centro de Salvador, para registrar a ocultação da estrela Tycho-2 1823-285-1 pelo asteroide do cinturão principal (11978) Makotomasako, prevista para o dia seguinte, utilizando o telescópio Unistellar eVscope 2 do Planetário da UFBA. A previsão disponibilizada pelo fabricante indicava uma janela de observação entre 21:45:00 e 21:55:21 UTC, com coordenadas-alvo RA = 04h 15m 48s (63,95066°) e Dec = +26° 34′ 01″ (26,56692°).

Ocultações estelares ocorrem quando um asteroide passa à frente de uma estrela distante, bloqueando temporariamente sua luz. O registro desses eventos permite determinar com grande precisão dimensões e forma projetada do asteroide e, em alguns casos, detectar satélites ou sistemas de anéis.


Figura 1 – Empilhamento de sete exposições de 0,2 s, semelhantes à mostrada na Figura 2. Para ruído independente, o empilhamento aumenta a relação sinal-ruído em aproximadamente √7 ≈ 2,6 vezes em relação a uma exposição individual. Solução astrométrica obtida com o Astrometry.net.

No ensaio, utilizei exposições de 200 ms (0,2 s) e ganho de 30 dB, conforme recomendado pelo fabricante para esse tipo de observação. A estrela-alvo possui magnitude 11,51, e a queda de brilho prevista durante a ocultação era de 6,09 magnitudes.

O ganho de 30 dB corresponde à amplificação eletrônica aplicada ao sinal do sensor. Pela convenção usual de ganho em amplitude, equivale a um fator de aproximadamente 31,6. O aumento do ganho facilita a detecção de sinais fracos, mas também amplifica o ruído e reduz a margem antes da saturação.

O telescópio apontou corretamente para o campo, com desvio inferior a 10 segundos de arco em relação à posição catalogada da estrela. Mesmo a partir do centro de Salvador, ela ficou facilmente visível em exposições de apenas 0,2 s (Figura 2).

Figura 2 – Primeira imagem da sequência, obtida com exposição de 0,2 s. A estrela a ser ocultada encontra-se próxima ao centro da imagem. A orientação vertical é inversa à da Figura 1.

Na previsão da ocultação:

  • A linha vermelha representa o centro da faixa prevista da sombra.
  • As linhas azuis indicam o caminho previsto e a escala associada ao tamanho estimado do asteroide.
  • As linhas laranjas delimitam a incerteza de 1σ da posição prevista da faixa.

Figura 3 – Faixa prevista para a sombra da ocultação.

A incerteza de 1σ corresponde a um desvio-padrão da posição prevista da sombra. Ela depende principalmente das incertezas na efeméride do asteroide e, em menor grau, da posição da estrela. O tamanho estimado do asteroide determina principalmente a largura esperada da sombra.

Não registrei o evento em campo por razões logísticas. A faixa prevista passaria a algumas dezenas de quilômetros do centro de Salvador, na região de Simões Filho, e não encontrei um local adequado e seguro para instalar o equipamento. Além disso, a janela começaria por volta das 18:45, durante o crepúsculo náutico, quando o fundo do céu ainda estaria mais elevado.

Apesar de a ocultação não ter sido observada, o ensaio mostrou que o eVscope 2 possui sensibilidade e precisão de apontamento suficientes para tentativas de registro de ocultações estelares por asteroides, mesmo em uma área urbana com forte poluição luminosa, como o meu sítio observacional, aproximadamente classe 8 na escala de Bortle.


quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Asteroides e montes de pedras

A estrutura de muitos asteroides com dimensões entre algumas centenas de metros e alguns quilômetros pode ser do tipo rubble pile, isto é, um aglomerado de fragmentos rochosos mantidos unido principalmente pela própria gravidade. Pequenas forças de coesão entre os grãos também podem contribuir para sua estabilidade.

Uma das principais evidências observacionais para esse tipo de estrutura é o chamado spin barrier: para asteroides maiores que algumas centenas de metros, são raros os períodos de rotação inferiores a aproximadamente 2,2 horas. Em um corpo pouco coeso, uma rotação mais rápida pode provocar perda de material ou mesmo ruptura.

As imagens abaixo ilustram esse conceito:

Monte de brita no canteiro da Av. Juracy Magalhães Jr.
Imagem obtida em 20/12/2022, que inspirou esta postagem.

Rotação do asteroide Itokawa. Fonte: JAXA.

Rotação do asteroide Bennu. Fonte: NASA.

Rotação do asteroide Ryugu. Fonte: JAXA.

sábado, 17 de dezembro de 2022

Minha Vivência com o Colonialismo Cultural na Ciência


Esta postagem tem um caráter de reflexão e de registro para futuras gerações de cientistas brasileiros. Em 15 de dezembro de 2022, publiquei uma short communication no The Astronomer’s Telegram (ATel), baseada em dados de dois asteroides próximos à Terra que observei em 2013 e 2014. Como observações desses mesmos objetos já haviam sido divulgadas anteriormente no ATel, considerei razoável apresentar meus resultados independentes no mesmo canal, apesar do intervalo de tempo.

No dia seguinte, recebi um e-mail de um pesquisador do INAF/IAPS, em Roma, manifestando “surpresa” pelo fato de eu ter publicado observações realizadas quase dez anos antes. Ele afirmou que, em sua opinião, o ATel deveria ser utilizado para comunicar observações novas ou muito recentes, especialmente aquelas destinadas a estimular observações de acompanhamento, e não para confirmar dados publicados anteriormente.

É perfeitamente legítimo discutir se o ATel era ou não o veículo mais adequado para a divulgação daqueles resultados. O que me incomodou foi a forma escolhida para fazê-lo. A mensagem não tinha simplesmente o caráter de uma sugestão editorial cordial. Seu tom era claramente repreensivo e, de maneira particularmente desagradável, uma cópia foi encaminhada ao editor do ATel, como se minha publicação constituísse algum tipo de irregularidade que precisasse ser levada ao conhecimento dele.

Havia muitas maneiras de abordar a questão. O pesquisador poderia simplesmente ter escrito que considerava os resultados interessantes, mas que, em sua avaliação, dados tão antigos talvez fossem mais adequados a outro tipo de publicação. Não foi essa a opção adotada.

Em minha resposta, destaquei um aspecto que continuo considerando fundamental: existem enormes quantidades de dados astronômicos armazenados em discos rígidos pessoais e nos arquivos de observatórios. Enquanto esses dados não forem reduzidos, analisados e divulgados, pouco contribuem para o desenvolvimento da ciência. Além disso, a confirmação independente de resultados constitui parte essencial do método científico.

Naturalmente, isso não significa que qualquer dado de arquivo deva ser publicado em qualquer veículo. São duas questões diferentes. Pode-se discutir a adequação do ATel para resultados obtidos oito ou nove anos antes sem desconsiderar a importância científica de recuperar, analisar e divulgar observações antigas.

Ao buscar informações sobre o autor da mensagem, constatei que se tratava de um pesquisador bastante experiente, com uma longa trajetória na astrofísica de estrelas variáveis e de altas energias e publicações desde a década de 1970. Isso tornou o episódio ainda mais curioso para mim. Esperava justamente de um pesquisador com tamanha experiência uma abordagem mais equilibrada diante de resultados observacionais independentes.

A situação também me levou a uma reflexão mais ampla. Um pesquisador de uma instituição europeia ou norte-americana teria recebido exatamente o mesmo tipo de mensagem, no mesmo tom e com cópia enviada ao editor? Não tenho elementos para responder a essa pergunta e, portanto, não afirmo que tenha havido discriminação. Entretanto, considero legítimo questionar até que ponto determinadas hierarquias acadêmicas e culturais ainda influenciam a maneira como pesquisadores de países periféricos são abordados no ambiente científico internacional.

Há ainda uma ironia no episódio: o pesquisador participa de atividades relacionadas à preservação de dados astronômicos históricos. Justamente por isso, parece-me ainda mais importante distinguir entre a idade de uma observação e seu valor científico. Dados antigos podem permanecer relevantes durante décadas, desde que sejam adequadamente analisados e contextualizados.

Para mim, a principal lição desse episódio é algo que considero importante registrar para jovens pesquisadores brasileiros: não devemos nos intimidar diante de pesquisadores estrangeiros, independentemente de seus títulos, instituições ou extensão do currículo. Formação em universidades europeias ou norte-americanas não confere infalibilidade científica nem autoriza ninguém a tratar colegas em tom de reprimenda.

Argumentos devem ser julgados por seus fundamentos, e não pela posição acadêmica de quem os apresenta. Pesquisadores experientes também cometem erros, interpretações equivocadas e avaliações discutíveis. Da mesma forma, pesquisadores de instituições menos prestigiadas internacionalmente podem produzir observações e análises relevantes.

Situações semelhantes podem ocorrer inclusive durante a revisão por pares. Já recebi pareceres de trabalhos sobre meteoros nos quais os revisores demonstravam dificuldades com conceitos relativamente elementares de estatística e probabilidade, utilizando inclusive expressões informais como “laranjas e maçãs” ou “santo graal”. O fato de um parecerista ter sido escolhido por uma revista não transforma automaticamente todas as suas observações em argumentos corretos.

Ciência não deve funcionar como um sistema de autoridade. Questionamentos fazem parte do processo e devem ser respondidos com argumentos, dados e conhecimento das regras do próprio meio científico. Mas respeito profissional também deve fazer parte desse processo.

Este episódio não foi o único em que encontrei esse tipo de postura em interações acadêmicas internacionais. Talvez volte ao assunto futuramente. Por ora, mantenho o nome do autor da mensagem em sigilo. Meu objetivo não é promover um ataque pessoal, mas registrar uma experiência que considero útil para discutir relações de poder, respeito profissional e confiança científica.

Abaixo reproduzo a sequência de e-mails para que o leitor possa avaliar diretamente o tom da conversa.

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Dear dr. Betzler, I was rather surprised to see in your ATel # 15812 the report of observations made nearly ten years ago! I was convinced that ATels are supposed to be used to communicate new or very recent observations to help follow-up by other observers, not to confirm old observations already published on ATel at due time.

Sincerely yours

xxxxxx

Associated Researcher at INAF/IAPS-Roma, Italy

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Dear Dr. xxxx,

Thank you for your email and your observations. However, I must remind you that there are thousands of gigabytes of data on our personal hard drives and in the observatories' public storage. If these data are not processed and published, they do not contribute to the development of science, and confirmation is an important part of that.

Sincerely,

Alberto S. Betzler

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segunda-feira, 1 de agosto de 2022

2006 VV2

Animação mostrando o deslocamento aparente do asteroide binário 2006 VV2 no céu, o primeiro asteroide próximo da Terra (NEA) que observei em Salvador. As duas imagens que compõem a animação foram obtidas em 1º de abril de 2007, às 21h27min01s e 21h27min52s (hora local, UT−3 h), com um telescópio Meade LX200 GPS de 0,3 m de abertura, equipado com uma câmera CCD SBIG ST-7XME Deluxe e filtro Bessel R. Os dados obtidos nessa sessão observacional foram utilizados em um artigo sobre o objeto, publicado em março de 2008.

sábado, 12 de maio de 2018

Um estranho no ninho

Durante observações realizadas com o Hubble Space Telescope, astrônomos perceberam que o objeto do Cinturão de Kuiper 2004 EW95 apresentava um espectro incomum. Observações posteriores, realizadas com os instrumentos X-Shooter e FORS2 do Very Large Telescope (VLT), do ESO, revelaram características espectrais semelhantes às encontradas em alguns asteroides carbonáceos do tipo C.

O Cinturão de Kuiper é uma região do Sistema Solar situada além da órbita de Netuno e formada por numerosos pequenos corpos compostos por diferentes proporções de gelo, material rochoso e compostos orgânicos. O 2004 EW95, com cerca de 300 km de diâmetro, destaca-se por apresentar uma composição incomum para essa região.

A descoberta é compatível com modelos de evolução dinâmica do Sistema Solar, como o modelo de Nice, segundo os quais a migração dos planetas gigantes pode ter espalhado pequenos corpos formados nas regiões internas do Sistema Solar para regiões muito mais distantes. Assim, o 2004 EW95 pode ter se formado originalmente mais próximo do Sol e posteriormente ter sido lançado para sua atual órbita no Cinturão de Kuiper.

Representação artística do objeto 2004 EW95.
O formato mostrado é apenas ilustrativo. Fonte: ESO/M. Kornmesser.
Órbita do objeto 2004 EW95, em vermelho, comparada às órbitas
de outros corpos do Sistema Solar, em verde. Destacam-se a elevada
inclinação e a excentricidade de sua órbita. Fonte: ESO/L. Calçada.

ESOcast 160 sobre a descoberta.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Ceres e Vesta

Ceres (círculo vermelho) e Vesta (círculo verde) ocupam uma mesma parte do céu, separados por cerca de um quarto de grau. Imagem LRGB obtida com um telescópio refrator de grande campo (1,4 x 1,1 graus), instalado no Observatório Teide, nas Ilhas Canárias (Espanha).

domingo, 18 de maio de 2014

Asteroides 315, 58547 e 166382: um encontro celeste

Imagem CCD do asteroide (315) Constantia, obtida com 180 segundos de exposição. As observações tinham como objetivo procurar possíveis sinais de atividade cometária, pois o objeto havia sido apontado como candidato a asteroide ativo com base em anomalias fotométricas.

Na ocasião, por um efeito de perspectiva, o asteroide aparecia no mesmo campo estelar que os objetos 58547 (1997 FZ2) e 166382 (2002 LA50). A proximidade, entretanto, era apenas aparente: os três objetos ocupavam posições distintas no espaço e estavam separados por grandes distâncias.

O registro também ilustra como é equivocada a imagem, comum em filmes de ficção científica, de um cinturão de asteroides formado por objetos separados por apenas algumas dezenas de metros. Na realidade, as distâncias entre asteroides são, em geral, enormes.

A imagem foi obtida em 7 de março de 2014 (UT), com filtro R, utilizando o telescópio T21 da rede iTelescope, então localizado no observatório New Mexico Skies, em Mayhill, Novo México, Estados Unidos.


Imagem analisada com o programa Astrometrica, mostrando os três asteroides (círculos vermelhos). Os círculos verdes indicam estrelas de referência do catálogo USNO-B1.0.

Animação comparando as posições dos três asteroides na época da observação. Diagramas orbitais gerados pelo JPL Minor Planet Browser. A órbita mais externa representada é a de Júpiter.

sábado, 17 de maio de 2014

VJA8ACE = 2014 JO25

Soma de nove imagens CCD de 12 segundos de exposição do objeto próximo da Terra NEO 2014 JO25, obtidas em 5 de maio de 2014 (UT) com o telescópio T11 da rede iTelescope, então localizado em Mayhill, Novo México, Estados Unidos (código MPC H06).

Na ocasião, o objeto encontrava-se na NEO Confirmation Page (NEOCP) do Minor Planet Center, aguardando observações de seguimento que permitissem confirmar sua natureza e refinar sua órbita antes da atribuição de uma designação provisória. Colaborei com esse trabalho obtendo duas posições astrométricas a partir de imagens nos filtros V e R. Nas imagens em R, medi magnitude aproximada de 17,6, utilizando estrelas do catálogo USNO-B1.0 como referência.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

A Importância da Astrometria

A astrometria é a área da astronomia dedicada à determinação precisa das posições e dos movimentos dos astros no céu. Desde a Antiguidade, observações sistemáticas das posições do Sol, da Lua, dos planetas e das estrelas permitiram desenvolver calendários, prever fenômenos celestes e estabelecer as bases da astronomia de posição.

No início do século XVII, Johannes Kepler utilizou as precisas observações planetárias realizadas por Tycho Brahe, especialmente as de Marte, para formular suas leis do movimento planetário. Posteriormente, em 1687, Isaac Newton mostrou que essas leis podiam ser compreendidas como consequências de suas leis do movimento e da gravitação universal. Assim, medições precisas das posições dos astros tiveram papel fundamental no desenvolvimento da mecânica celeste.

Atualmente, levantamentos astronômicos descobrem grande número de asteroides e cometas todos os anos. Observações astrométricas de seguimento são essenciais, especialmente para objetos recém-descobertos ou com arcos observacionais curtos, pois permitem melhorar a determinação de suas órbitas e reduzir o risco de que sejam posteriormente perdidos.

Um exemplo histórico é o cometa 289P/Blanpain, observado em 1819 e posteriormente considerado perdido. Em 2003 foi descoberto o objeto 2003 WY25, cuja órbita mostrou-se compatível com a do antigo cometa. Uma nova atividade cometária foi observada em 2013, consolidando sua identificação como o cometa periódico 289P/Blanpain.

A astrometria de pequenos corpos pode ser realizada com recursos relativamente modestos. Um telescópio com algumas dezenas de centímetros de abertura, equipado com uma câmera CCD ou CMOS e um computador, pode produzir medidas úteis das posições de asteroides e cometas. Para objetos com órbitas ainda pouco determinadas, essas posições podem ser encaminhadas ao Minor Planet Center (MPC) e contribuir para o refinamento orbital. O programa Astrometrica, desenvolvido por Herbert Raab, facilita consideravelmente a redução astrométrica das imagens.

Abaixo apresento alguns objetos medidos por mim e por meus alunos da disciplina de Astrofísica Observacional da UFRB, turma 2013.2. As imagens foram obtidas com o telescópio Dome 2 do Observatório Slooh, nas Ilhas Canárias, Espanha.


NEO 1998 QE2 (círculo roxo). Imagem no filtro R obtida em 29/05/2013 (UT).
Os círculos verdes indicam estrelas do catálogo astrométrico USNO-B1.0
utilizadas na redução; os círculos amarelos indicam estrelas rejeitadas
no processamento. Imagem analisada com o programa Astrometrica.
Astrometria incluída na MPEC 2014-J02.


NEO 2003 GS. Imagem no filtro R obtida em 25/04/2014 (UT).
Astrometria incluída na MPEC 2014-H46.

NEO 2014 HV2. Soma de imagens obtidas nos filtros R, G e B em 28/04/2014 (UT).
As imagens foram alinhadas aproximadamente sobre o asteroide em movimento;
por isso, as estrelas aparecem repetidas ao longo de uma linha.
Astrometria incluída na MPEC 2014-H71.


Cometa C/2012 K1 (PANSTARRS). Imagem no filtro B obtida em 01/05/2014 (UT).

NEO 2014 GY48. Imagem no filtro R obtida em 01/05/2014 (UT).
Astrometria incluída na MPEC 2014-J07.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Um asteroide com anéis

Hoje foi divulgada a descoberta de um sistema de anéis ao redor do centauro (10199) Chariklo. A descoberta foi realizada por uma equipe internacional de astrônomos liderada pelo brasileiro Felipe Braga-Ribas.

O sistema é constituído por dois anéis estreitos, com cerca de 7 e 3 km de largura, separados por uma região de aproximadamente 9 km. Especula-se que pequenos satélites ainda não detectados possam contribuir gravitacionalmente para manter os anéis confinados e bem definidos. A origem desse material pode estar relacionada a processos colisionais.

A descoberta foi possível graças à observação da ocultação da estrela UCAC4 248-108672 por Chariklo, ocorrida em 3 de junho de 2013. O fenômeno era visível em uma estreita faixa da América do Sul e foi acompanhado por telescópios instalados no Brasil, Chile, Uruguai e Argentina.

O resultado destaca dois aspectos importantes: as observações astrométricas prévias de Chariklo, fundamentais para refinar sua posição e prever a ocultação com precisão, e a colaboração entre astrônomos profissionais e amadores em uma campanha que envolveu diversos locais de observação.

Parabéns à equipe pela importante descoberta. É uma pena que um resultado científico dessa relevância, com expressiva participação brasileira, não tenha recebido maior destaque na televisão brasileira no dia de sua divulgação.

Abaixo, um vídeo do ESOcast sobre a descoberta, apresentado pelo Dr. J.




domingo, 5 de janeiro de 2014

Pequeno Asteróide colide com a Terra em 2014

Um objeto de 2 a 3m de diâmetro colidiu com a Terra 19 horas após sua descoberta nos primeiros instantes de 2014. O asteróide 2014 AA foi detectado pelo Catalina Sky Survey quando apresentava magnitude aparente 19. O objeto provavelmente explodiu na atmosfera a 3000 km oeste de Caracas (Venezuela), sobre o Oceano Atlântico.



Sequência com quatro imagens mostrado o meteoróide 2014 AA.
O intervalo entre as exposições é aproximadamente de nove minutos.
Fonte:Catalina Sky Survey/Wikipedia



Posição do ponto de impacto baseado na triangulação de sinais infrassônicos captados por observatórios terrestres. Uma das estações esta localizada no Brasil, e pertence a Universidade de Brasília (IS04). Fonte: Wikipedia

quinta-feira, 30 de maio de 2013

1998 QE2 é um asteroide binário

Imagens de radar obtidas pelo Observatório Goldstone, em 29/05/2013 UT, revelaram que o asteroide 1998 QE2 possui um satélite. Os diâmetros estimados do asteroide primário e de seu satélite são, respectivamente, de 2,7 km e 0,6 km. Uma animação do movimento do asteroide no céu pode ser encontrada em outra postagem deste blog.

1998 QE2 - Movimento Orbital

Animação composta por imagens CCD em RGB do asteroide próximo da Terra 1998 QE2, com exposições de 12 segundos. As imagens foram obtidas com o telescópio "Dome 2" do Observatório Slooh, localizado nas Ilhas Canárias (Espanha), entre 23h38 e 23h40 UT de 30/05/2013. A magnitude estimada do objeto era da ordem de 11.

Animação do asteroide 1998 QE2 capturada em 30/05/2013

Os índices de cor BVR deste objeto, determinados a partir desta sequência, foram recentemente publicados, motivando uma inusitada crítica por parte de um astrônomo italiano.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Imagens Radar de 2013 ET

Sequência de 23 imagens radar do asteróide 2013 ET obtidas em 10-03-2013 UT, durante cerca de 1,3h,    na Estação Goldstone (Califórnia, EUA). O objeto estava a 1,1 milhões de quilômetros da Terra. Baseado nos dados coletados, 2013 ET possui 40m de diâmetro.



Imagens radar de 2013 ET. Fonte: NASA/JPL-Caltech/GSSR





segunda-feira, 11 de março de 2013

Observações Radar de 2012 DA14

Vídeo composto de 73 imagens radar do asteróide 2012 DA14 obtidas na Estação Goldstone (Califórnia, EUA) entre 15 e 16-02-2013. A distância do objeto à Terra variou de 120.000 a 314.000km durante o período observacional.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

2012 DA14 - O asteróide será visível do Brasil?

Nesta postagem, reproduzo um diagrama e parte do conteúdo do excelente artigo "Close Approach of 2012 DA14" do blog "Remanzacco Observatory - Comets & NEO". Dada a inclinação de sua órbita em relação à eclíptica e a brevidade do encontro, o asteroide 2012 DA14 não será visível do Brasil em nenhum instante da fase de máxima aproximação com a Terra. Mesmo que houvesse essa possibilidade, o objeto terá magnitude aparente (brilho) máxima próxima de sete. Essa magnitude está além da sensibilidade do olho humano em um céu sem poluição luminosa ou atmosférica. Nas regiões da Terra onde o asteroide estará acima do horizonte, sua observação será possível usando binóculos. A velocidade angular máxima no céu será de 2800"/min. Essa taxa implica que o objeto cruzará um ângulo igual ao diâmetro angular da Lua em 39 segundos. Este tempo é muito curto. Para comparação, Plutão se deslocaria em um ângulo equivalente em 7,4 horas.

Visibilidade de 2014 DA14. A variação da cor indica a altura
do objeto em relação ao horizonte. UT é o "Tempo Universal".  zero graus de
 altura = no horizonte e 90 graus = zênite, sobre a cabeça do observador.
Animação criada por Geert Barentsen.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Asteróide, Meteoro e Meteorito

Nas últimas 24 horas, muitos leitores acessaram este blog utilizando as palavras-chave "meteoro+2013" ou "meteorito+2013". É provável que estivessem em busca de informações sobre o asteroide 2012 DA14, hoje denominado (367943) Duende, que passaria muito próximo da Terra em 15 de fevereiro de 2013. As previsões orbitais já descartavam qualquer risco de colisão com o nosso planeta.

Diante da frequente confusão entre os termos, apresento a seguir definições atualizadas de asteroide, meteoro e meteorito:

Asteroide

Asteroides são pequenos corpos, predominantemente rochosos ou metálicos, que orbitam o Sol. Grande parte deles encontra-se no cinturão principal, entre as órbitas de Marte e Júpiter. Ceres, durante muito tempo classificado como asteroide, é atualmente considerado um planeta anão.

Fonte: NASA Science


Asteroide 2008 EV5 indicado por uma seta
NEO 2008 EV5 (seta). Quando observados com telescópios na Terra, objetos com dimensões subquilométricas como 2008 EV5 apresentam aspecto estelar. O registro acima resulta da soma de nove imagens CCD obtidas em Salvador (Bahia, Brasil) em 02-01-2009 UT. As imagens foram alinhadas pelo deslocamento aparente do asteroide com o software IRIS. Por isso, as estrelas de campo aparecem trilhadas.

Imagens de radar de 2008 EV5 obtidas em uma
 época próxima à de minhas observações.


Meteoro ou "Estrela Cadente"

Meteoro é o fenômeno luminoso produzido quando um meteoroide atravessa a atmosfera em alta velocidade. Popularmente conhecido como "estrela cadente", o brilho é produzido durante a interação do meteoroide com os gases atmosféricos.

Fonte: NASA Science


Registro do meteoro RBDM35
Meteoro RBDM35 - Soma de 21 frames de 0,033 s


Meteorito

Meteorito é um fragmento de material extraterrestre que sobrevive à passagem pela atmosfera e alcança a superfície da Terra.

Fonte: NASA Science


Fragmento do meteorito Avanhandava no Museu Geológico da Bahia
Imagem de um fragmento do meteorito "Avanhandava" em exposição
no Museu Geológico da Bahia. Registro obtido em 03-11-2012. Outro
fragmento desse meteorito integrava a coleção do Museu Nacional do Rio de
Janeiro.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Vídeo sobre o encontro do asteróide 2012 DA14 com a Terra

Excelente vídeo da agência espacial estadunidense NASA sobre o encontro do NEO 2012 DA14, com nosso planeta, em 15/16-02-2013 UT.  Não há risco de colisão deste objeto com a Terra.


sábado, 15 de dezembro de 2012

Toutatis registrado pela sonda Cheng`e-2

Imagens do asteróide Toutatis obtidas pela sonda chinesa Cheng`e-2. Nas imagens apresentadas a sonda esteve entre 93 e 240km do asteróide.  O encontro mais próximo da sonda ocorreu em 08:30 de 13-12-2012  UT. O veículo esteve a apenas 3,2km de altitude do objeto. Compare a forma do objeto com a equivalente obtida com dados radar. A rentabilidade da técnica de reconstrução é inegável. 




Minha Vivência com o Colonialismo Cultural na Ciência

Esta postagem tem um caráter de reflexão e de registro para futuras gerações de cientistas brasileiros. Em 15 de dezembro de 2022...