sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Planetário da UFBA registra eclipse lunar quase total sobre Salvador

Imagens mostram a diminuição e a posterior recuperação do brilho da Lua durante sua passagem pela sombra da Terra

Salvador, 28 de agosto de 2026 – A câmera de monitoramento de todo o céu, conhecida como câmera all-sky, instalada no Planetário da Universidade Federal da Bahia, registrou o eclipse lunar parcial ocorrido entre a noite de quinta-feira, 27 de agosto, e a madrugada de sexta-feira, 28 de agosto.

O vídeo divulgado pelo Planetário da UFBA condensa em poucos segundos aproximadamente quatro horas e meia de observação, entre 22h24 e 2h52. Nesse intervalo, é possível acompanhar desde o início da fase penumbral até praticamente o fim da fase parcial do eclipse.

Nas imagens, é possível perceber a diminuição gradual do brilho aparente da Lua. O menor brilho ocorre próximo ao máximo do eclipse, por volta de 1h12, quando a Lua estava mais profundamente imersa na umbra, a região mais escura da sombra projetada pela Terra.

A magnitude umbral do eclipse foi de 0,930. Isso significa que, no momento máximo, cerca de 93% do diâmetro aparente da Lua estava imerso na umbra. Em termos de área projetada do disco lunar, aproximadamente 96,2% estava coberto pela região mais escura da sombra terrestre. Por isso, embora tenha sido um eclipse quase total, sua classificação astronômica é de eclipse lunar parcial.

Depois do máximo, o processo se inverteu. À medida que a Lua saiu da umbra, uma parcela cada vez maior de seu disco voltou a receber diretamente a luz do Sol e seu brilho aumentou progressivamente. A fase parcial terminou às 2h51.

Um eclipse lunar acontece quando o Sol, a Terra e a Lua ficam aproximadamente alinhados, com a Terra entre o Sol e a Lua. Nessa configuração, a sombra da Terra é projetada no espaço e alcança a Lua. A região externa e mais clara dessa sombra é chamada penumbra, enquanto a região central e mais escura recebe o nome de umbra.

Em Salvador, a fase penumbral começou às 22h23 de 27 de agosto. A Lua entrou na umbra às 23h33, o máximo ocorreu às 1h12 de 28 de agosto, a fase parcial terminou às 2h51 e o eclipse penumbral chegou ao fim às 4h01.

Crédito das imagens: câmera all-sky do Planetário da UFBA.



quinta-feira, 20 de agosto de 2026

SEBIT tem voo interrompido em Alcântara: e o VSB-30?

Ontem, 19 de agosto de 2026, por volta das 16h30, horário de Brasília, foi lançado do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, o SEBIT, foguete suborbital multipropósito desenvolvido pela empresa aeroespacial sul-coreana INNOSPACE. O veículo utiliza um motor híbrido de classe de três toneladas de empuxo e foi projetado para transportar equipamentos e experimentos a altitudes entre 50 e 100 km.

O voo inaugural, entretanto, durou apenas cerca de 35 segundos. Segundo informações divulgadas após o lançamento, o SEBIT apresentou um desvio da trajetória planejada e, por razões de segurança, a Força Aérea Brasileira acionou o Sistema de Terminação de Voo (FTS). O veículo caiu no mar, dentro da zona de segurança previamente estabelecida. Não houve feridos nem danos materiais. Até o momento, não foi divulgada a altitude atingida pelo foguete antes da terminação do voo.

Imagens do voo do SEBIT a partir do Centro de Lançamento de Alcântara. Reprodução/G1, via Diário do Centro do Mundo.


Uma boa pergunta para quem acompanha o Programa Espacial Brasileiro é: e o VSB-30?

O Brasil já dispõe de um veículo suborbital desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) com um histórico operacional bastante mais longo. O VSB-30 é um foguete de dois estágios a propelente sólido, capaz de transportar cargas úteis científicas e tecnológicas de até 400 kg e atingir cerca de 270 km de altitude. Em missões de microgravidade, pode proporcionar aproximadamente seis minutos acima de 110 km. O veículo acumula dezenas de lançamentos bem-sucedidos e já foi utilizado no Brasil, na Suécia, na Noruega e na Austrália, inclusive em programas científicos europeus.

Isso não significa que SEBIT e VSB-30 sejam veículos idênticos. O SEBIT utiliza propulsão híbrida, é monoestágio e foi concebido para missões na faixa de 50 a 100 km, enquanto o VSB-30 é um foguete de sondagem de maior desempenho. Existe, porém, uma clara sobreposição nas aplicações: experimentos científicos, testes tecnológicos e pesquisas em ambiente suborbital e de microgravidade.

A utilização comercial de Alcântara por empresas estrangeiras pode gerar receita, experiência operacional e maior atividade para o centro de lançamento. O problema estratégico é outro: por que não dedicar esforço semelhante para ampliar a utilização, modernizar e comercializar também os veículos desenvolvidos no Brasil?

Cooperação internacional é necessária e Alcântara deve receber clientes estrangeiros. Mas um centro de lançamento brasileiro não pode se transformar apenas em infraestrutura para o desenvolvimento e a consolidação comercial de lançadores de outros países. Se o objetivo é autonomia tecnológica, a experiência e os recursos obtidos com essas operações precisam caminhar junto com investimentos consistentes nos lançadores nacionais.

sábado, 15 de agosto de 2026

12P/Pons-Brooks após o outburst de novembro de 2023

Imagem RGB do cometa 12P/Pons-Brooks obtida em 19/11/2023 UT, no Observatório Otívar, na Andaluzia, Espanha. A composição foi feita a partir de uma sequência BVR, usando o filtro R no canal vermelho, o filtro V no canal verde e o filtro B no canal azul.

A imagem registra o cometa poucos dias após o forte outburst iniciado em 14/11/2023 UT. Relatos observacionais indicam que esse evento produziu uma coma brilhante e em expansão, com estruturas complexas de poeira ao redor do núcleo. Na composição RGB, a coma aparece extensa e difusa, com forte condensação central. Nota-se também uma feição escura e curva emergindo da região interna da coma, visível como uma espécie de “sombra” ou arco de menor brilho, possivelmente associada à distribuição anisotrópica do material ejetado e à presença de estruturas de poeira formadas durante a fase pós-outburst.






domingo, 9 de agosto de 2026

Um adendo à Escala de Kardashev: energia, eficiência e megaestruturas

Excelente vídeo do canal Central Pandora sobre megaestruturas na ficção científica. O único adendo que eu faria é que a escala original de Kardashev vai apenas do tipo I ao III. Civilizações capazes de utilizar a energia de aglomerados de galáxias ou de todo o Universo são extensões posteriores da escala, populares sobretudo em vídeos mais sensacionalistas, mas não fazem parte da proposta original de Kardashev.

A escala surgiu no contexto das primeiras discussões sobre a possibilidade de detectar civilizações tecnologicamente avançadas. Na mesma época, Kardashev chegou a considerar a fonte CTA 102, então ainda pouco compreendida, como possível manifestação de uma civilização extraterrestre. Posteriormente, ela foi identificada como um quasar.

Há também uma limitação conceitual importante: a escala associa o avanço tecnológico ao consumo de quantidades cada vez maiores de energia. A evolução da microeletrônica mostra, porém, que o desenvolvimento tecnológico também pode ocorrer pelo aumento da eficiência energética, reduzindo a necessidade de megaestruturas.

Além disso, levantamentos no infravermelho já procuraram assinaturas do calor residual esperado de civilizações dos tipos II e III, sem encontrar até hoje evidências convincentes. Os candidatos identificados permanecem não confirmados e, em muitos casos, apresentam explicações naturais plausíveis.



sábado, 8 de agosto de 2026

Meteoro brilhante é registrado pela câmera all-sky do Planetário da UFBA

Na noite de 9 de julho de 2026, às 19h22, a câmera de monitoramento do céu do Planetário da UFBA registrou um meteoro brilhante sobre Salvador.

A trilha percorreu cerca de 69° no céu, atravessando uma grande parte do campo da câmera. O meteoro se destacou claramente em relação às estrelas registradas na mesma imagem.

A análise da trajetória não indicou associação segura com nenhuma chuva de meteoros ativa no período. Por isso, até o momento, o evento é considerado um meteoro esporádico, isto é, um meteoro que não pôde ser relacionado a uma chuva conhecida.


Minha Vivência com o Colonialismo Cultural na Ciência

  Esta postagem tem um caráter de reflexão e registro para futuras gerações de cientistas brasileiros. Em 15 de dezembro de 2022, enviei uma...