quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Ensaio de ocultação estelar — (11978) Makotomasako

Em 10/02/2026, fiz um ensaio, a partir do centro de Salvador, para registrar a ocultação da estrela Tycho-2 1823-285-1 (Figura 1) pelo asteroide do cinturão principal  (11978)  Makotomasako, prevista para 11/02/2026, usando um telescópio Unistellar    eVscope 2  do Planetário da UFBA. No site do fabricante, a previsão indicava uma janela de observação em UTC de 21:45:00 a 21:55:21, com coordenadas-alvo RA = 04h 15m 48s (63,95066°) e Dec = +26° 34′ 01″ (26,56692°).


Para maximizar a chance de detecção, a gravação deveria começar pelo menos 3 minutos antes do horário previsto para o local e terminar 3 minutos depois.

Figura 1 — Esta imagem é o resultado do empilhamento de sete exposições de 0,2 s, semelhantes à da Figura 2, o que aumentou a relação sinal-ruído em aproximadamente 2,6× (≈ √7) em relação ao registro individual. Imagem gerada pelo aplicativo online “Astrometry”.


No ensaio, usei tempo de exposição de 200 ms (0,2 s) e ganho de 30 dB, conforme recomendado pelo fabricante. A estrela-alvo é listada com magnitude 11,51, e a queda prevista durante a ocultação é de 6,09 magnitudes.

O que significa “30 dB” aqui? É o ganho eletrônico (amplificação) aplicado ao sinal do sensor. Em termos de amplitude, 30 dB ≈ 31,6× (1030/20) de amplificação. Isso aumenta o sinal, mas também amplifica o ruído e pode facilitar saturação em pixels brilhantes. Não é “contraste” e não é, por si só, uma medida direta de relação sinal-ruído.

O telescópio apontou corretamente para a estrela, com desvio inferior a uma dezena de segundos de arco em relação à posição catalogada em ascensão reta e declinação, e ela ficou facilmente visível a partir do centro de Salvador com tempo de exposição de 0,2 s (Figura 2).

Figura 2 – Primeira imagem da sequência obtida
com tempo de exposição de 0,2 s. A estrela a ser ocultada está no
meio da imagem, cuja orientação vertical é a inversa da Figura 1.

  • A linha vermelha marca a linha central (centralidade) da faixa prevista da sombra.
  • As linhas azuis indicam o caminho previsto e a escala associada ao tamanho estimado do asteroide.
  • As linhas laranjas delimitam a incerteza de 1σ na predição da faixa.

Figura 3

O que é “1σ”? “1σ” significa um desvio-padrão da incerteza: é uma faixa que representa a dispersão esperada da posição prevista da sombra no solo. Em geral, essa incerteza é dominada pela incerteza da efeméride (órbita) do asteroide e, em menor grau, pela posição catalogada da estrela. O diâmetro do asteroide afeta principalmente a largura da sombra e as cordas possíveis, mas não é o principal responsável pelo deslocamento do caminho central previsto.

Não registrei o evento em campo por razões logísticas: a faixa prevista tocaria a Terra a algumas dezenas de quilômetros do centro de Salvador, numa região do município de Simões Filho, sem um local seguro para parada e operação. Além disso, por volta de 18:45 de 11/02/2026 (hora de Brasília), o céu ainda estava claro, o que dificultaria a aquisição.

Ainda assim, o ensaio mostra que registrar ocultações estelares por asteroides (e, em princípio, por cometas) com este instrumento é muito viável, mesmo em áreas urbanas com forte poluição luminosa.


domingo, 8 de fevereiro de 2026

Testes com o telescópio Unistellar do Planetário da UFBA

Registro de alguns objetos astronômicos visíveis de Salvador nas noites de 06, 08 e 10/02/2026, usando um telescópio Unistellar eVscope 2. As imagens são bastante automatizadas, o que reduz um pouco o lado “mão na massa” da astronomia amadora: localizar o objeto no céu, capturar a sequência e processar os dados no computador. Para uso científico, porém, essa praticidade é justamente o que me interessa.

Os nomes dos objetos e os parâmetros técnicos de aquisição estão nas próprias imagens. O tipo de objeto (por exemplo, aglomerado aberto ou nebulosa) e os números de catálogo aparecem nas legendas. Segundo o site Astrometry, o campo de visão é de 39,7 × 39,7 minutos de arco, o que significa que a Lua inteira cabe com folga em uma única imagem obtida com esse telescópio.

Nebulosa NGC-1977 - Órion.

Nebulosa M-42 - Órion.

Aglomerado aberto M-41 - Cão Maior.

Aglomeraddo aberto M-38 - Cocheiro.

Aglomerado aberto M-37 - Cocheiro

Aglomerado aberto M-35 - Gêmeos.


Nebulosa NGC-2024 - Órion.


Galáxia NGC-5128 - Centauro.

Aglomerado Globular NGC-5139 - Centauro.

Aglomerado aberto NGC-4755 - Cruzeiro do Sul.

Lua crescente e a uma altura inferior a 20° acima
do horizonte,o que justifica o tom avermelhado da imagem.


Nebulosa NGC-3372 - Carina.


Galáxia NGC-2280 - Cão Maior.

Aglomerado aberto NGC-2516 - Carina.


Nebulosa M-1 - Touro.

Aquela velha perguntinha: o que é o universo, afinal

Foto de um globo de vidro com a representação de uma galáxia espiral, que me lembrou muito o final de Men in Black (1997). Não resisti e resolvi reproduzir.

Por mais louco que pareça, ciência não é lugar para descartar uma ideia só porque ela soa absurda. O critério não é “parece estranho”, é “dá para confrontar com o que observamos?”. E como observamos uma parte muito pequena do universo, é bem provável que nossas hipóteses também sejam pequenas e provisórias. É como uma formiga tentando entender o mundo inteiro andando no meio de um deserto.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Infância em tempos de guerra

 


MILTON e NEUZA são filhos do cabo Augusto Marcondes, de Campinas. Estão fortes e confiantes em seu paizinho, que lhes prometeu matar muitos alemães, como nos filmes de “mocinho” ("O Globo Expedicionário", Ano 1945, Edição 30, Pg.3)

sábado, 3 de janeiro de 2026

Conjunção Lua–Júpiter de 03/01/2026.

Imagem da conjunção Lua–Júpiter de 03/01/2026, registrada às 22:07 UT, no bairro do Barbalho, em Salvador (BA), com a câmera de um iPhone 13 Pro.


Imagem original.


Zoom da imagem anterior.


Minha Vivência com o Colonialismo Cultural na Ciência

  Esta postagem tem um caráter de reflexão e registro para futuras gerações de cientistas brasileiros. Em 15 de dezembro de 2022, enviei uma...