quinta-feira, 31 de julho de 2014

17P/Holmes - Uma Semana de Observações

Animação amostrando o cometa 17P/Holmes durante a semana de 24 a 31 de julho de 2014. As imagens LRGB foram obtidas com um telescópio SCT de 0.35m f/11, instalado no Observatório Teide das Ilhas Canárias (Espanha).



sábado, 26 de julho de 2014

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (1935-2014)

É com tristeza que registro o falecimento do astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (1935–2014). Mourão foi um importante divulgador da ciência no Brasil e deixou sua marca em várias gerações fascinadas pela Astronomia, incluindo a minha.

Minha iniciação na observação do céu através de um telescópio ocorreu no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), graças ao trabalho desenvolvido por ele naquela instituição. A imagem de Vênus observada através da luneta de 21 cm do Museu permanece viva na minha memória. Foi também no MAST que montei meu primeiro telescópio.

Mourão foi fundador do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), instituição criada em 1985 com importante atuação na preservação do patrimônio científico e tecnológico brasileiro, especialmente dos acervos históricos relacionados ao Observatório Nacional, além de desenvolver atividades de pesquisa, educação e divulgação científica.

Para mim, portanto, sua contribuição para a Astronomia ultrapassa sua extensa produção científica e de divulgação. Ela faz parte também da minha própria formação como observador do céu.



sábado, 12 de julho de 2014

NGC-4755 ("Caixa de Jóias")

Imagem CCD LRGB do aglomerado aberto NGC-4755, popularmente conhecido como "Caixa de Joias". Registro obtido com um telescópio de 0.35m f/11 instalado em La Dehesa, região metropolitana de Santiago (Chile).

sexta-feira, 11 de julho de 2014

C/2012 X1 (LINEAR) - Registro

Imagem CCD LRGB do cometa C/2012 X1 obtida através de um telescópio de 0.35m f/11, instalado em La Dehesa, região metropolitana de Santiago (Chile).

Minha análise das cores deste cometa foram publicadas em Betzler et al (2017).



quarta-feira, 9 de julho de 2014

Nebulosa de Eta Carinae

Imagem CCD LRGB da nebulosa Eta Carinae (NGC-3372). Registro obtido com um telescópio refrator de 90mm f/5.56, com grande campo (1.4 x 1.1 graus) instalado em La Dehesa, região metropolitana de Santiago (Chile).


domingo, 6 de julho de 2014

C/2013 UQ4 (Catalina) - Movimento Orbital

Sequência de imagens BGR do cometa C/2013 UQ4 (Catalina). A sequência foi obtida aproximadamente às 5h de 05-07-2014 UT, com um telescópio de 0.35m f/11 do Observatório Teide, nas Ilhas Canárias (Espanha). Cada imagem tem tempo de exposição de 60s, e  foram alinhadas com o software astrometrica.


I

Minha análise das cores deste cometa foram publicadas em Betzler et al (2017).

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Ceres e Vesta

Ceres (círculo vermelho) e Vesta (círculo verde) ocupam uma mesma parte do céu, separados por cerca de um quarto de grau. Imagem LRGB obtida com um telescópio refrator de grande campo (1,4 x 1,1 graus), instalado no Observatório Teide, nas Ilhas Canárias (Espanha).

quinta-feira, 3 de julho de 2014

17P/Holmes - Registro

Imagem CCD LRGB do cometa 17P/Holmes obtido com um telescópio de 0,35m f/11, instalado no Observatório Teide (Ilhas Canárias, Espanha). Este objeto apresentou um outburst em 2007 e a expansão de sua coma  tornou-o momentaneamente maior que o Sol.


segunda-feira, 23 de junho de 2014

O astrônomo leu "No Reino dos Astrônomos Cegos"

Há duas semanas, terminei de ler o livro "No Reino dos Astrônomos Cegos" de Ulisses Capozzoli (Ed. Record, 2005). Considerei um excelente livro destacando alguns aspectos que me chamaram a atenção:

i) Nos capítulos 1 a 9, o autor faz uma excelente apresentação da história da radioastronomia, abordando a correlação entre a evolução instrumental e conceitual que permitiu caracterizar as fontes detectadas no céu. Para isso, o autor associa essa evolução essencialmente às pesquisas realizadas no Reino Unido (e na Austrália) e nos EUA. Não questiono a escolha dessa linha do tempo, que é a mais fartamente documentada, e é inegável que pesquisadores desses países tiveram um papel decisivo na evolução da radioastronomia. Suas descobertas mudaram nossa visão do cosmos. Entretanto, esperava encontrar alguns trechos sobre a história da radioastronomia na URSS e no Japão. O desenvolvimento desta ciência nesses dois países é pouco conhecido até por profissionais da área. No caso da URSS, há apenas algumas passagens, como a menção a um satélite científico soviético lançado para estudar a anisotropia na radiação de fundo cósmico, alguns anos antes do COBE. A URSS não teria um programa espacial tão significativo sem uma rede de radiotelescópios para comunicação interplanetária. Esses instrumentos tinham uso dual. Em relação ao Japão, o livro menciona apenas que um survey da Via Láctea, na banda do gás monóxido de carbono, frustrou um projeto equivalente que seria realizado por pesquisadores do IAG.

ii) O autor se esforça para explicar conceitos físicos que não são triviais, como a emissão de 21 cm do hidrogênio. Não há erros, mas percebi que o autor se deteve muito, talvez de forma desnecessária, na descrição da geração dessa radiação (seis páginas usando enfoques ligeiramente diferentes).

iii) Uma brilhante descrição da evolução da radioastronomia brasileira é feita nos capítulos 10 a 16. Como bom contador de histórias, o autor descreve de maneira fluida e atraente como a radioastronomia brasileira nasceu a partir de um grupo de entusiastas no final da década de 1950, atingindo seu ápice cerca de 10 a 15 anos depois. Essa descrição é feita a partir de entrevistas com os protagonistas, o que pode representar uma visão mais fidedigna dos fatos. O livro se encerra de maneira igualmente interessante, sugerindo as origens dos altos e baixos da radioastronomia em nosso país.

Recomendo a leitura para quem deseja entender a razão pela qual é tão difícil fazer ciência de qualidade e competitiva no Brasil.

Capa do livro - Galáxia NGC-5128, uma excepcional
radiofonte do hemisfério sul celeste.


domingo, 15 de junho de 2014

O Primeiro Meteoro Detectado em Amargosa

Primeiro meteoro esporádico detectado por uma câmera de TV de grande campo instalada no loteamento Santo Antônio, em Amargosa (Bahia, Brasil). Este dispositivo estava em fase de testes e estava instalado no quintal de minha casa. O meteoro surgiu na constelação de Órion, cruzando seu cinturão ("Três Marias"). O registro foi efetuado às 23:44:21 de 17-02-2014 UT. Esta câmera foi posteriormente instalada no teto do prédio administrativo do Centro de Formação de Professores da UFRB (CFP-UFRB).


domingo, 8 de junho de 2014

Aquecedores Solares em Amargosa

Imagem obtida em 07-06-2014, mostrando um conjunto de casas populares no bairro Katyara, em Amargosa (Bahia). Este conjunto foi construído no contexto do programa "Minha Casa, Minha Vida" do governo federal. O aspecto notável desta imagem é a utilização de aquecedores solares nas casas. Esses dispositivos são destinados a aproveitar a energia solar para aquecer a água para o banho e, possivelmente, para o preparo de alimentos. Esta iniciativa contribui para a redução do consumo de energia elétrica e gás e, em uma escala menor, para a diminuição da emissão de gases de efeito estufa.





domingo, 18 de maio de 2014

Asteroides 315, 58547 e 166382: um encontro celeste

Imagem CCD do asteroide (315) Constantia, obtida com 180 segundos de exposição. As observações tinham como objetivo procurar possíveis sinais de atividade cometária, pois o objeto havia sido apontado como candidato a asteroide ativo com base em anomalias fotométricas.

Na ocasião, por um efeito de perspectiva, o asteroide aparecia no mesmo campo estelar que os objetos 58547 (1997 FZ2) e 166382 (2002 LA50). A proximidade, entretanto, era apenas aparente: os três objetos ocupavam posições distintas no espaço e estavam separados por grandes distâncias.

O registro também ilustra como é equivocada a imagem, comum em filmes de ficção científica, de um cinturão de asteroides formado por objetos separados por apenas algumas dezenas de metros. Na realidade, as distâncias entre asteroides são, em geral, enormes.

A imagem foi obtida em 7 de março de 2014 (UT), com filtro R, utilizando o telescópio T21 da rede iTelescope, então localizado no observatório New Mexico Skies, em Mayhill, Novo México, Estados Unidos.


Imagem analisada com o programa Astrometrica, mostrando os três asteroides (círculos vermelhos). Os círculos verdes indicam estrelas de referência do catálogo USNO-B1.0.

Animação comparando as posições dos três asteroides na época da observação. Diagramas orbitais gerados pelo JPL Minor Planet Browser. A órbita mais externa representada é a de Júpiter.

sábado, 17 de maio de 2014

VJA8ACE = 2014 JO25

Soma de nove imagens CCD de 12 segundos de exposição do objeto próximo da Terra NEO 2014 JO25, obtidas em 5 de maio de 2014 (UT) com o telescópio T11 da rede iTelescope, então localizado em Mayhill, Novo México, Estados Unidos (código MPC H06).

Na ocasião, o objeto encontrava-se na NEO Confirmation Page (NEOCP) do Minor Planet Center, aguardando observações de seguimento que permitissem confirmar sua natureza e refinar sua órbita antes da atribuição de uma designação provisória. Colaborei com esse trabalho obtendo duas posições astrométricas a partir de imagens nos filtros V e R. Nas imagens em R, medi magnitude aproximada de 17,6, utilizando estrelas do catálogo USNO-B1.0 como referência.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

A Importância da Astrometria

A astrometria é a área da astronomia dedicada à determinação precisa das posições e dos movimentos dos astros no céu. Desde a Antiguidade, observações sistemáticas das posições do Sol, da Lua, dos planetas e das estrelas permitiram desenvolver calendários, prever fenômenos celestes e estabelecer as bases da astronomia de posição.

No início do século XVII, Johannes Kepler utilizou as precisas observações planetárias realizadas por Tycho Brahe, especialmente as de Marte, para formular suas leis do movimento planetário. Posteriormente, em 1687, Isaac Newton mostrou que essas leis podiam ser compreendidas como consequências de suas leis do movimento e da gravitação universal. Assim, medições precisas das posições dos astros tiveram papel fundamental no desenvolvimento da mecânica celeste.

Atualmente, levantamentos astronômicos descobrem grande número de asteroides e cometas todos os anos. Observações astrométricas de seguimento são essenciais, especialmente para objetos recém-descobertos ou com arcos observacionais curtos, pois permitem melhorar a determinação de suas órbitas e reduzir o risco de que sejam posteriormente perdidos.

Um exemplo histórico é o cometa 289P/Blanpain, observado em 1819 e posteriormente considerado perdido. Em 2003 foi descoberto o objeto 2003 WY25, cuja órbita mostrou-se compatível com a do antigo cometa. Uma nova atividade cometária foi observada em 2013, consolidando sua identificação como o cometa periódico 289P/Blanpain.

A astrometria de pequenos corpos pode ser realizada com recursos relativamente modestos. Um telescópio com algumas dezenas de centímetros de abertura, equipado com uma câmera CCD ou CMOS e um computador, pode produzir medidas úteis das posições de asteroides e cometas. Para objetos com órbitas ainda pouco determinadas, essas posições podem ser encaminhadas ao Minor Planet Center (MPC) e contribuir para o refinamento orbital. O programa Astrometrica, desenvolvido por Herbert Raab, facilita consideravelmente a redução astrométrica das imagens.

Abaixo apresento alguns objetos medidos por mim e por meus alunos da disciplina de Astrofísica Observacional da UFRB, turma 2013.2. As imagens foram obtidas com o telescópio Dome 2 do Observatório Slooh, nas Ilhas Canárias, Espanha.


NEO 1998 QE2 (círculo roxo). Imagem no filtro R obtida em 29/05/2013 (UT).
Os círculos verdes indicam estrelas do catálogo astrométrico USNO-B1.0
utilizadas na redução; os círculos amarelos indicam estrelas rejeitadas
no processamento. Imagem analisada com o programa Astrometrica.
Astrometria incluída na MPEC 2014-J02.


NEO 2003 GS. Imagem no filtro R obtida em 25/04/2014 (UT).
Astrometria incluída na MPEC 2014-H46.

NEO 2014 HV2. Soma de imagens obtidas nos filtros R, G e B em 28/04/2014 (UT).
As imagens foram alinhadas aproximadamente sobre o asteroide em movimento;
por isso, as estrelas aparecem repetidas ao longo de uma linha.
Astrometria incluída na MPEC 2014-H71.


Cometa C/2012 K1 (PANSTARRS). Imagem no filtro B obtida em 01/05/2014 (UT).

NEO 2014 GY48. Imagem no filtro R obtida em 01/05/2014 (UT).
Astrometria incluída na MPEC 2014-J07.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O astrônomo assistiu: "Cosmos: A Spacetime Odyssey"

Há três semanas, acompanho os capítulos da nova versão da série "Cosmos". Sinceramente, estou tentando não comparar com a primeira versão de 1980, entretanto, isso não é fácil. Definitivamente, Neil Tyson não tem o mesmo carisma de Carl Sagan. Sagan possuía uma consciência de câmera e um tom de voz no qual pude perceber um misto de amor e fascinação pela astronomia. Isso foi o que me "fisgou", e me tornei astrônomo por causa de "Cosmos". O que pude notar nas duas versões da série é a tendência em idealizar cientistas. Fiquei abismado com a representação de Isaac Newton no episódio III. Newton tinha defeitos e qualidades, como qualquer ser humano. Definitivamente, ele não era a representação que vimos na excepcional animação apresentada. Na animação, Newton era "perseguido" por Robert Hooke, cujo rosto não era mostrado. A justificativa para isso é que não existem representações da fisionomia de Hooke feitas em sua época. Entretanto, ao meu ver, sua representação física na animação lembrava a do personagem Gollum do "Senhor dos Anéis". Por mais que tenha havido intrigas entre Newton e Hooke, considerei essa representação de Hooke altamente desrespeitosa. Robert Hooke era um cientista excepcional, com contribuições importantes em diversos campos da ciência.

Confesso que fiquei emocionado em assistir à animação onde apareciam William e John Herschel no episódio IV. Tenho profunda admiração pelos dois. Entretanto, não creio que William tivesse uma concepção espaço-temporal tão sofisticada como a apresentada na conversa com seu filho, no início do século XIX. A primeira determinação de uma distância interestelar somente ocorreria em 1838, com a estrela 61 Cygni, por F. W. Bessel. W. Herschel havia falecido 16 anos antes desta descoberta.

Apesar dessas observações, considero válida qualquer iniciativa voltada à divulgação da ciência e continuarei a assistir.


Card de abertura. Fonte: Wikipedia.


quinta-feira, 10 de abril de 2014

C/2014 E2 (JACQUES) - Registro

Imagem CCD em LRGB do cometa Jacques , obtida no Observatório Slooh, localizado nas Ilhas Canárias (Espanha).

O tom avermelhado apresentado pelo objeto pode indicar que se trata de um cometa poeirento — isto é, com uma razão poeira/gás relativamente alta, favorecendo o primeiro componente.

Uma estimativa robusta do índice de cor B−V também sugere o avermelhamento do objeto.

Imagem LRGB do cometa Jacques obtida pelo observatório Slooh
Imagem do cometa Jacques em LRGB.

A análise fotométrica das cores deste cometa foi publicada em Betzler et al. (2017) .

domingo, 6 de abril de 2014

Evolução Morfológica dos cometas C/2012 K1 e C/2013 R1 - Animação

Animações das mudanças morfológicas dos cometas PANSTARRS e Lovejoy foram produzidas a partir de observações realizadas entre 3 de fevereiro e 6 de abril de 2014 (UT), com cadência média de uma imagem a cada sete dias. As imagens foram obtidas no Observatório Slooh, Ilhas Canárias (Espanha), utilizando os telescópios Dome 1 (para o cometa C/2013 R1) e Dome 2.

As variações morfológicas podem ser explicadas por:


i) mudança na distância heliocêntrica;
ii) variação da transparência atmosférica durante as observações;
iii) diferenças de telescópio, detector ou tempo de exposição;
iv) sublimação de voláteis devido à atividade solar;
v) episódios súbitos de aumento da atividade (outbursts);
vi) rotação do núcleo em torno de seu(s) eixo(s).


C/2013 R1 (Lovejoy) -  Dez imagens obtidas entre 03-02 e 06-04-2014 UT

C/2012 K1 (PANSTARRS) -  Nove imagens obtidas entre 14-03 e 06-04-2014 UT.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Novas Scorpii e Cygni 2014

Imagens CCD LRGB das Novas Scorpii e Cygni obtidas no Observatório Slooh das Ilhas Canárias (Espanha). Ambos objetos foram descobertos em março de 2014, com câmeras DSLR e teleobjetivas. Estes instrumentos fotográficos são de baixíssimo custo e são frequentemente utilizados por amadores em descobertas de novas galácticas.

Imagem obtida com o telescópio "High Mag" do
 "Dome 2" (campo 13,1` x 8.8`)
Campo estelar da Nova Cygnii 2014. Animação constituída por
 um imagem DSS2-RED e o registro Slooh. A imagem DSS foi obtida antes
do aparecimento do objeto. Imagem alinhadas com o software IRIS.
Nova Scorpii 2014 (seta).Imagem obtida com o telescópio "Wide Field"
 do "Dome 2"(campo 1,4 x 1,1 graus)

quarta-feira, 26 de março de 2014

Um asteroide com anéis

Hoje foi divulgada a descoberta de um sistema de anéis ao redor do centauro (10199) Chariklo. A descoberta foi realizada por uma equipe internacional de astrônomos liderada pelo brasileiro Felipe Braga-Ribas.

O sistema é constituído por dois anéis estreitos, com cerca de 7 e 3 km de largura, separados por uma região de aproximadamente 9 km. Especula-se que pequenos satélites ainda não detectados possam contribuir gravitacionalmente para manter os anéis confinados e bem definidos. A origem desse material pode estar relacionada a processos colisionais.

A descoberta foi possível graças à observação da ocultação da estrela UCAC4 248-108672 por Chariklo, ocorrida em 3 de junho de 2013. O fenômeno era visível em uma estreita faixa da América do Sul e foi acompanhado por telescópios instalados no Brasil, Chile, Uruguai e Argentina.

O resultado destaca dois aspectos importantes: as observações astrométricas prévias de Chariklo, fundamentais para refinar sua posição e prever a ocultação com precisão, e a colaboração entre astrônomos profissionais e amadores em uma campanha que envolveu diversos locais de observação.

Parabéns à equipe pela importante descoberta. É uma pena que um resultado científico dessa relevância, com expressiva participação brasileira, não tenha recebido maior destaque na televisão brasileira no dia de sua divulgação.

Abaixo, um vídeo do ESOcast sobre a descoberta, apresentado pelo Dr. J.




domingo, 23 de março de 2014

C/2013 R1 em Baixa Latitude Galáctica

O cometa C/2013 R1 (Lovejoy) está com uma pequena declinação sul e próximo ao plano da Via Láctea. No registro obtido em 23-03-2014 UT, através de um telescópio de grande campo (1,4 × 1,1 graus) do Observatório Slooh das Ilhas Canárias (Espanha), é claramente visível uma variação da densidade de estrelas no fundo de céu. Esta variação é causada pela presença de poeira, que obstrui a radiação na faixa do visível na constelação do Escudo



Posição do cometa (cruz). Diagrama gerado através do "The Night
Sky Atlas". O campo é de 30 graus e a Via Láctea é representada
pela mancha colorida amorfa.

terça-feira, 18 de março de 2014

C/2012 K1 (PANSTARRS)

Imagens CCD LRGB do cometa PANSTARRS obtidas através do telescópio "dome 2" do observatório Slooh das Ilhas Canárias (Espanha).  I. Ferrin, pesquisador que previu a fragmentação do cometa ISON, sugeriu que há 27% de probabilidade que o mesmo ocorra com este objeto. Minhas observações não mostraram evidências da ocorrência desse evento.




sábado, 15 de março de 2014

Novas Sagittarii e Cephei 2014

Imagens CCD LRGB das Novas Sagittarri e Cephei 2014 obtidas com o telescópio "dome 2" do Observatório Slooh das Ilhas Canárias (Espanha). Os objetos foram descobertos, respectivamente, em 28,857/01 e 8.792/03 UT deste ano, com teleobjetivas.  Estas novas são do tipo clássica.  
Nova Cephei apresenta um grande avermelhamento o que justifica a diferença de cores entre os objetos.

Nova Cephei 2014 (seta). A magnitude V no registro era próxima
de 11,5.
Nova Sagittarri 2014 (seta). A magnitude V no registro
era próxima de 10,3.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Novo Cometa Descoberto por Brasileiros: C/2014 E2 (JACQUES)

O projeto SONEAR descobriu seu segundo cometa no ano de 2014. A órbita preliminar do C/2014 E2 (JACQUES) é parabólica, dado o pequeno número de observações. Assim como o cometa SONEAR, este objeto estava no hemisfério celeste sul, numa região do céu inacessível aos grandes surveys como LINEAR ou PAN-STARRS. Congratulações a C. Jacques, E. Pimentel e J. Barros por mais um grande resultado.

Imagem do cometa Jacques obtida por Ernesto Guido, Nick Howes e Martino 
Nicolini. Fonte: Remanzacco Observatory

quarta-feira, 5 de março de 2014

290P/Jager - Registro

Imagem CCD LRGB do cometa 290P/Jager obtida com o telescópio "dome 2" do Observatório Slooh das Ilhas Canárias (Espanha). O objeto apresentava magnitude total V=15,40±0,06 e cor V-R bem próxima da solar.



   Minha análise das cores deste cometa foram publicadas em Betzler et al (2017).

terça-feira, 4 de março de 2014

C/2013 R1 (Lovejoy) - Novo Registro

Imagem CCD LRGB do cometa Lovejoy obtida através do telescópio "dome 2" do Observatório Slooh das Ilhas Canárias (Espanha). Na ocasião do registro, a magnitude total estimada do objeto era próxima de 8.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

V745 Sco


Imagens CCD LRGB da nova recorrente V745 Sco obtidas através do telescópio "Dome 2" do Observatório Slooh da Ilhas Canárias (Espanha). A erupção deste objeto foi detectada em 07-02-2014 UT. Uma nova recorrente pode ser associada a um sistema constituído de uma anã branca e uma gigante vermelha. Neste sistema, ocorre transferência de matéria da gigante vermelha para a anã branca. Quando a massa da anã branca se iguala ao limite de Chandrasekhar (~1.4 massas solares), a estrela  apresenta uma explosão termonuclear que não a destrói. Após isso, o ciclo se reinicia. No caso de V745 Sco foram detectadas erupções em 1937 e 1989. As magnitudes V do objeto eram  próximas de 10,5 (09-02) e 15,0 (23-02).

Imagens de V745 Sco obtidas em 09,13 e 23-02-2014 UT. As imagens foram alinhadas com o
software "IRIS". O objeto apresenta um gradual "avermelhamento", que pode ser associado a variação de parâmeros físicos do objeto ou/e a influência da atmosfera terrestre.  A altura de V745 Sco  nas Canárias foi sempre inferior a 30 graus em todas as observações. 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

SN 2014G em NGC-3448

Imagem CCD LRGB da supernova do tipo II-L que surgiu na galáxia NGC 3448. O registro foi obtido através do telescópio "Dome 2" do Observatório Slooh, nas Ilhas Canárias (Espanha). A magnitude V do objeto foi de 14,60 ± 0,02 no momento do registro.


Animação mostrando a posição do objeto em NGC-3448. A primeira
imagem foi obtida no DSS1. O alinhamento das imagens foi efetuado com
o programa "IRIS".



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Possível Registro de um Veterano da Corrida Espacial

Astrofotografia de uma possível passagem de um estágio do Thor Agena B

A imagem, obtida às 22:03 do dia 03 de fevereiro de 2014 UT em Amargosa (Bahia), mostra um objeto que pode ser um estágio do foguete Thor Agena B. Se a identificação estiver correta, isso indicaria que este objeto está em órbita desde a primeira metade da década de 1960.

O registro foi capturado com uma câmera Nikon D80, utilizando uma exposição de 15 segundos e uma abertura de obturador f/5. A constelação do Cão Maior está visível à esquerda da imagem. 


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Lua Vista de Amargosa

Lua crescente vista da Praça Lourival Monte, em Amargosa (Bahia). Imagem obtida com um Iphone 4S, em 21:10h de 03-02-2014 UT.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Supernova SN 2014J em M-82

Uma brilhante supernova tipo IA foi descoberta na galáxia M-82 em 21-01-2013 UT. Supernovas tipo IA são denominadas de "velas cósmicas" pois, se considera que todos os objetos desta classe possuem um mesmo brilho intrínseco (magnitude absoluta). Como a magnitude diminui com o inverso do quadrado da distância, a distância de SN 2014J até a Via Láctea pode ser estimada.  Entretanto, estes objetos podem não serem todos iguais. Deste modo, a hipótese de "velas cósmicas" para todas as Ia pode ser incorreta. SN 2014J mostra sinais de não ter um comportamento usual de outras supernovas Ia. O registro da supernova (seta) foi obtido através do telescópio "Dome 2" do Observatório Slooh das Ilhas Canárias. A magnitude do objeto era próxima de 11 no instante do registro.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Minhas Primeiras Astrofotografias Realizadas em Amargosa

Astrofotografias das constelações de Órion, Gêmeos e Câncer-Leão foram obtidas entre 01:43 e 01:52 UT de 26 de janeiro de 2014, no loteamento Santo Antônio, em Amargosa (Bahia), utilizando uma câmera Nikon D80 com lente f/5 e tempo de exposição de 15 segundos por imagem. Para cada campo, foram capturadas quatro imagens consecutivas, posteriormente alinhadas e somadas no software IRIS, com o objetivo de aumentar a razão sinal-ruído (SNR), que cresce com a raiz quadrada do número de exposições empilhadas.

Apesar da melhora na SNR, a magnitude limite obtida nas imagens somadas foi de aproximadamente 6,1, conforme verificado por contagem automatizada de estrelas e comparação com catálogos estelares. Esse valor reflete as condições reais do local de observação, com poluição luminosa moderada e céu de qualidade compatível com a classe 5 ou 6 na escala de Bortle1.

Região de Órion. M-42 está perto do centro da imagem. Sirius está na parte superior.
Região de Gêmeos. Júpiter é o objeto mais brilhante da imagem.
Região de Câncer-Leão. M-44 está próximo ao centro da imagem.

1 A escala de Bortle é um sistema de classificação da escuridão do céu noturno, variando de 1 (céu excepcionalmente escuro) a 9 (céu urbano intensamente iluminado). Locais de classe 5 ou 6 são caracterizados por poluição luminosa perceptível, com a Via Láctea visível apenas tenuemente (classe 5) ou praticamente invisível (classe 6), dificultando a observação de objetos de céu profundo e limitando a magnitude estelar observável.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Cometa descoberto por brasileiros no interior de Minas Gerais

Os astrônomos amadores Cristóvão Jacques, Eduardo Pimentel e João Ribeiro de Barros descobriram um cometa com magnitude estimada em 18. O objeto foi identificado em imagens CCD obtidas em 12/01/2014 (UT), com um astrógrafo de 0,45 m f/2,9 instalado em Oliveira, Minas Gerais, Brasil.

O instrumento foi concebido para a busca de objetos próximos da Terra, os chamados Near-Earth Objects (NEOs), no contexto do projeto SONEAR (Southern Observatory for Near Earth Asteroid Research). O grupo dedicou a descoberta ao brasileiro Vicente Ferreira de Assis Neto e ao italiano Giovanni Sostero. Ambos já faleceram e dedicaram suas vidas à observação de pequenos corpos do Sistema Solar.

Este blog parabeniza o grupo pela descoberta e pela iniciativa SONEAR. Trata-se de um projeto de grande importância, sobretudo porque o hemisfério sul ainda carece de estações dedicadas à busca por NEOs. Esse sucesso serve de incentivo para a multiplicação de iniciativas semelhantes no Brasil.

Imagem CCD do cometa C/2014 A4 (SONEAR). A imagem é resultado da soma de 25 exposições de 30 s obtidas com o telescópio Faulkes Sul. Fonte: Remanzacco Observatory.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Um satélite dando cambalhotas no céu

Registro do sobrevoo de um satélite não identificado às 22h06 UTC do dia 12 de dezembro de 2013.
O objeto apresentava sinais consistentes de rotação simultânea em dois eixos, o que sugere um movimento irregular, como se estivesse realizando “cambalhotas” no céu. Esse comportamento explica a variação periódica no brilho aparente, com dois picos distintos de magnitude observados durante o evento. O período de rotação mais curto estimado é de 0,34 segundos.

O registro foi feito por uma câmera de grande angular instalada em Salvador, Bahia.


Registro da primeira série de "cambalhotas" (vermelho). Soma de 225 frames de 0,033s.
Imagem gerada pelo software "UFOCapture".




domingo, 5 de janeiro de 2014

Pequeno Asteróide colide com a Terra em 2014

Um objeto de 2 a 3m de diâmetro colidiu com a Terra 19 horas após sua descoberta nos primeiros instantes de 2014. O asteróide 2014 AA foi detectado pelo Catalina Sky Survey quando apresentava magnitude aparente 19. O objeto provavelmente explodiu na atmosfera a 3000 km oeste de Caracas (Venezuela), sobre o Oceano Atlântico.



Sequência com quatro imagens mostrado o meteoróide 2014 AA.
O intervalo entre as exposições é aproximadamente de nove minutos.
Fonte:Catalina Sky Survey/Wikipedia



Posição do ponto de impacto baseado na triangulação de sinais infrassônicos captados por observatórios terrestres. Uma das estações esta localizada no Brasil, e pertence a Universidade de Brasília (IS04). Fonte: Wikipedia

sábado, 4 de janeiro de 2014

LBV em M-33

Imagem CCD LRGB da M-33 varC (W31284) obtida com o telescópio "dome 2" do Observatório Slooh das Ilhas Canárias (Espanha). Esta LBV foi descoberta por Edwin Hubble e Allan Sandage em 1953, e se encontra em erupção. A magnitude do objeto foi próxima de 16 no instante do registro.


Minha Vivência com o Colonialismo Cultural na Ciência

Esta postagem tem um caráter de reflexão e de registro para futuras gerações de cientistas brasileiros. Em 15 de dezembro de 2022...