segunda-feira, 30 de abril de 2012

Coroa Lunar sobre as Canárias

Anel de 22 graus de raio em torno da Lua. Este fenômeno atmosférico foi registrado as 22 h 09 min de 30-04-2012 UT,  pela câmera All Sky do Observatório Slooh nas Ilhas Canárias (Espanha). 


terça-feira, 24 de abril de 2012

Grande Meteoro de 2012 no Brasil

O “Grande Meteoro” foi observado aproximadamente às 2h30min de 21 de abril de 2012 UT nos estados da Bahia (BA), Espírito Santo (ES), Minas Gerais (MG) e Rio de Janeiro (RJ). O objeto se fragmentou em três ou quatro partes durante sua passagem pela atmosfera terrestre. Durante esse processo, alguns observadores relataram a ocorrência de “flares”. Pela disposição das testemunhas, pode-se deduzir que o objeto se movimentou em uma trajetória na direção sudoeste-nordeste (ver Fig. 1).

Uma busca na internet revelou quatro vídeos no YouTube registrando o meteoro em Belo Horizonte (MG), Campos dos Goytacazes (RJ), Ipatinga (MG) e Grande Vitória (ES). Não foi possível determinar o local exato de onde foram obtidos os vídeos de Grande Vitória e Ipatinga, apesar de várias tentativas de contato com seus autores. Com os quatro vídeos disponíveis, seria possível formar seis combinações de locais de observação, possibilitando uma análise mais detalhada.



Fig.1 - Posições dos observadores do bólido de 21-04-2012 UT.
Fonte: Comentários do Vídeo (2) do "YouTube". A distância entre
 as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo é de  358,1 km.




(1) - Belo Horizonte (MG) - 02:10 UT. 



(2) - Campos dos Goytacazes (RJ) - 02:20 UT


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Nova na constelação do Sagitário

Em 21 de abril de 2012 (UT), dois astrônomos amadores russos descobriram uma nova na constelação de Sagitário. Eles utilizaram uma teleobjetiva de 135 mm acoplada a uma câmera CCD — equipamentos de baixo custo. A nova Oph 2012 havia sido descoberta anteriormente por um astrônomo amador japonês com instrumental semelhante.

Um levantamento (survey) de baixo custo, nos mesmos moldes, poderia ser facilmente implementado na Bahia. Imagens da faixa da Via Láctea, com exposições de 15 a 20 segundos, poderiam ser obtidas diariamente por alunos de iniciação científica júnior. Em céus urbanos moderadamente poluídos, essas imagens alcançam uma magnitude limite em torno de 8, permitindo a detecção de objetos semelhantes.

No dia 22 de abril de 2012 (UT), obtive uma imagem da nova PNV J17452791–2305213 utilizando o telescópio "Dome 1" do Observatório Slooh, na Espanha. Na ocasião, a magnitude do objeto era aproximadamente 10.

Imagem original

Campo de 15′ × 15′ mostrando a região do céu com e sem a Nova Sgr 2012. A imagem anterior à descoberta foi obtida a partir do DSS-ESO. O alinhamento das imagens foi realizado com o software IRIS.

sábado, 21 de abril de 2012

LBV em NGC-5775

Uma LBV foi descoberta em 27-03-2012 UT pelo CRTS. Esta estrela foi detectada na galáxia espiral NGC-5775. Obtive uma imagem CCD deste galáxia em 21-04-2012 UT no Observatório Slooh nas Ilhas Canárias (Espanha).

Imagem Original

Zoom da imagem anterior com uma seta indicativa da posição da LBV.
A magnitude da estrela é da ordem  de 18.

ESO - Vídeo Comemorativo - (2)

Segundo vídeo da série produzida em comemoração aos 50 anos do ESO. Neste episódio, é apresentado o Observatório de La Silla.

Na introdução, é feita uma interessante comparação entre a evolução da humanidade e as diferentes etapas da viagem dos fótons emitidos pela SN 1987A até chegarem à Terra e aos telescópios do ESO em La Silla. A supernova, descoberta em 1987 por Ian Shelton no Observatório de Las Campanas, está localizada na Grande Nuvem de Magalhães, a cerca de 167 mil anos-luz da Terra.

O telescópio ESO de 1,52 m, que usei no final da década de 1990, aparece aos 2min08s. O instrumento foi desativado em 2002, mas acabou sendo reativado e modernizado em 2022. A partir dos 2min50s, as sequências foram filmadas da passarela do 1,52 m. Qualquer semelhança com as fotos que obtive não é mera coincidência.





quarta-feira, 18 de abril de 2012

C/2011 UF305 (LINEAR)

Cometa LINEAR registrado em 18/04/2012 UT no Observatório Slooh das Ilhas Canárias (Espanha). A magnitude do objeto no instante de obtenção desta imagem era em torno de 13,5.


terça-feira, 17 de abril de 2012

Galáxias em interação: NGC-3226 e 3227

Par de galáxias em interação gravitacional. Esta imagem de NGC-3226 (elíptica) e 3227(espiral) da constelação do Leão  foi obtida em 24-01-2012 UT com o telescópio "Dome 1" no Observatório Teide (Espanha).


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Nebulosa "Cabeça do Cavalo"

Nebulosa "Cabeça do Cavalo" da constelação do Órion. Imagem obtida em 27-01-2012 UT, com o telescópio "Dome 1" do Observatório Slooh das Ilhas Canárias (Espanha).

sábado, 14 de abril de 2012

C/2011 L4 (PANSTARRS) - A promessa de 2013

O cometa C/2011 L4 (PANSTARRS) tornou-se visível a olho nu em março de 2013, quando atingiu magnitude visual próxima de +1. Obtive uma imagem do cometa em 14-04-2012 UT no Observatório Slooh, nas Ilhas Canárias (Espanha), quando sua magnitude era em torno de 14. Uma tênue cauda pode ser vista emergindo da coma aproximadamente esférica do objeto. Na época, pretendia acompanhar sua evolução fotométrica visando a um futuro artigo de pesquisa. Uma imagem mais recente, obtida em 2012, pode ser encontrada aqui.

Cometa C/2011 L4 (PANSTARRS) em 14 de abril de 2012
Imagem original - A seta indica a posição do cometa

Animação mostrando o movimento do cometa C/2011 L4 (PANSTARRS)
Animação indicando a posição do objeto. O campo obtido no Slooh é colorido, enquanto a imagem de referência do DSS-ESO apresenta tons de amarelo e vermelho. O campo possui 15' × 15' de arco.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Exoplanetas Solitários

Em 2011, uma equipe internacional de astrônomos, envolvendo principalmente as colaborações MOA e OGLE, divulgou a detecção de dez eventos de microlente gravitacional de curta duração, compatíveis com objetos de massa aproximadamente comparável à de Júpiter e sem uma estrela hospedeira detectável nas proximidades.

As detecções foram realizadas por meio do monitoramento do brilho de cerca de 50 milhões de estrelas na direção do centro da Via Láctea. Em alguns casos, uma estrela apresentou um aumento temporário de brilho devido ao fenômeno conhecido como microlente gravitacional. Ele ocorre quando um objeto passa muito próximo da linha de visada entre a Terra e uma estrela mais distante. A gravidade do objeto em primeiro plano desvia a luz da estrela de fundo, produzindo uma amplificação temporária de seu brilho.

Os dez eventos encontrados tinham duração inferior a aproximadamente dois dias, indicando lentes de massa planetária. Como não foi detectada uma estrela hospedeira associada a esses objetos, os pesquisadores propuseram que poderiam ser planetas errantes, isto é, corpos de massa planetária não ligados gravitacionalmente a uma estrela. Entretanto, as observações não permitiam excluir completamente a possibilidade de alguns deles estarem em órbitas muito distantes de suas estrelas.

Uma possível origem para esses objetos é a ejeção de planetas durante a evolução inicial de sistemas planetários. Interações gravitacionais entre planetas, ou entre planetas e estrelas próximas, podem lançar alguns desses corpos para o espaço interestelar. Uma vez livres de sua estrela de origem, eles continuam se deslocando pela Galáxia e orbitando o centro da Via Láctea, assim como as estrelas.

O resultado de 2011 sugeria inicialmente que planetas errantes com massas próximas à de Júpiter poderiam ser extremamente numerosos, talvez até mais comuns do que as próprias estrelas. Estudos posteriores, entretanto, não confirmaram essa abundância tão elevada. Levantamentos mais extensos indicam que objetos livres de massa semelhante à de Júpiter são menos frequentes do que se estimava originalmente, enquanto planetas errantes de massas menores podem ser consideravelmente mais numerosos.

Abaixo, um vídeo produzido pela NASA na época da divulgação da descoberta:


domingo, 8 de abril de 2012

Minha primeira vez na astrofotografia de grande campo

Minhas primeiras astrofotografias de grande campo mostram a região das constelações do Cruzeiro do Sul e Carina. As duas fotos foram obtidas no primeiro semestre de 1994, no Horto Florestal, Rio de Janeiro. Para estas imagens, utilizei uma câmera Zenit 12 XS, com 15 minutos de exposição e filme de 100 ASA. Na imagem (2), há uma sequência de pontos em linha reta à direita, entre a árvore e a nuvem. Acredito que possa ter sido um satélite em rotação ou luzes de navegação de algum avião.

(1)

(2)

sábado, 7 de abril de 2012

Artigos que eu gostaria de ter escrito

Um dos artigos mais interessantes que já li foi o de Zaitsev (2008), publicado no Journal of Radio Electronics. Segundo os cálculos apresentados pelo autor, a probabilidade de detecção das mensagens de rádio deliberadamente enviadas ao espaço no âmbito do METI seria cerca de um milhão de vezes menor do que a dos sinais transmitidos em observações de radar de planetas e asteroides do Sistema Solar. Com base nisso, Zaitsev contesta a proposta de proibir o METI, argumentando que as transmissões de radar planetário já constituiriam uma fonte muito mais detectável de sinais artificiais provenientes da Terra. O debate está relacionado, entre outras questões, ao receio de que transmissões deliberadas possam revelar nossa presença a uma civilização extraterrestre tecnologicamente muito avançada, cenário frequentemente explorado pela ficção científica. Abaixo, o trailer do filme-catástrofe Independence Day (1996):


``` [1]: https://arxiv.org/abs/0804.2754?utm_source=chatgpt.com "Detection Probability of Terrestrial Radio Signals by a Hostile Super-civilization"

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Primeiro planeta de origem extragaláctica

O ESOcast 24, divulgado em 2010, apresentou uma descoberta que, na época, despertou grande interesse: o possível exoplaneta HIP 13044 b, com massa mínima estimada em cerca de 1,25 vezes a massa de Júpiter.

O objeto teria sido detectado pelo método das velocidades radiais orbitando a estrela HIP 13044, localizada a cerca de 2 000 anos-luz da Terra. Trata-se de uma estrela evoluída da ramificação horizontal vermelha, pertencente à chamada corrente de Helmi, um conjunto de estrelas que teria feito parte de uma antiga galáxia anã absorvida pela Via Láctea bilhões de anos atrás.

Por essa razão, os pesquisadores sugeriram que HIP 13044 b teria se formado originalmente fora da Via Láctea e posteriormente ingressado em nossa Galáxia juntamente com sua estrela. Na época, o objeto foi divulgado como o primeiro planeta conhecido de provável origem extragaláctica.

Entretanto, a história teve uma reviravolta. Em 2014, uma nova análise dos dados espectroscópicos utilizados na descoberta não encontrou evidências da variação periódica de velocidade radial atribuída ao planeta. HIP 13044 b deixou, portanto, de ser considerado um exoplaneta confirmado.

O episódio constitui um bom exemplo de como funciona o processo científico: uma descoberta inicialmente considerada muito importante pode ser revista quando os dados são reanalisados com métodos mais precisos.

Abaixo, o ESOcast 24 original. O vídeo deve ser visto hoje como um registro histórico do anúncio realizado em 2010:



quarta-feira, 4 de abril de 2012

Novo planeta escoberto por um astrônomo amador

Em 2012, dois participantes britânicos do projeto Planet Hunters, Chris Holmes e Lee Threapleton, identificaram nos dados do telescópio espacial Kepler um sinal compatível com o trânsito de um planeta diante da estrela então identificada no projeto como SPH10066540, correspondente à KIC 8552719.

Na época, o objeto foi descrito como um candidato a planeta com tamanho semelhante ao de Netuno. A descoberta foi feita pela análise da curva de luz da estrela: quando um planeta passa diante do disco estelar, visto da Terra, bloqueia uma pequena fração de sua luz e produz uma diminuição temporária de brilho.

O candidato foi posteriormente validado e hoje é conhecido como Kepler-953 b. Ele possui raio de aproximadamente 4,2 vezes o da Terra e completa uma órbita em cerca de 88,4 dias. A estrela Kepler-953 possui ainda outro planeta conhecido, Kepler-953 c, consideravelmente menor e com período orbital de aproximadamente 9,1 dias.

O episódio é um bom exemplo da importância da ciência cidadã. Embora programas de computador sejam utilizados para procurar automaticamente sinais de trânsito em enormes conjuntos de dados, a inspeção humana pode identificar padrões interessantes que não foram selecionados ou priorizados pelos algoritmos. Os voluntários funcionam, portanto, como uma ferramenta complementar às técnicas automáticas de busca.

O projeto original Planet Hunters utilizava dados obtidos pelo telescópio espacial Kepler. Atualmente, a iniciativa continua como Planet Hunters TESS, no qual voluntários analisam curvas de luz produzidas pelo satélite TESS em busca de possíveis trânsitos de exoplanetas.

A interpretação básica das curvas de luz é relativamente simples, e o próprio projeto fornece orientações para iniciantes. Assim, estudantes do ensino médio também podem participar de uma atividade real de ciência cidadã e colaborar na identificação de candidatos a novos mundos. Alguém se habilita?


Exemplo de uma curva de luz apresentada pelo antigo Planet Hunters, que utilizava dados do telescópio espacial Kepler. Nesta curva não se observa de forma evidente a assinatura de um trânsito planetário.

Cometa 17P/Holmes durante o megaoutburst de 2007

Expansão do coma do cometa 17P/Holmes (indicado pela seta). Imagens obtidas com uma câmera Zenit 12 XS, filme ASA 100 e exposições de 15 segundos, entre 27 de outubro e 16 de novembro de 2007 (UT), em Salvador.




terça-feira, 3 de abril de 2012

Os primeiros cinco mundos de Kepler

Vídeo comemorativo da descoberta dos cinco primeiros exoplanetas pelo telescópio espacial Kepler.

Os planetas, anunciados em janeiro de 2010, receberam os nomes Kepler-4b, Kepler-5b, Kepler-6b, Kepler-7b e Kepler-8b. Todos foram descobertos pelo método dos trânsitos, a partir das pequenas diminuições de brilho produzidas quando os planetas passavam diante de suas estrelas.

Esses primeiros resultados demonstraram que o fotômetro do Kepler estava funcionando como previsto. Os cinco planetas eram mundos grandes e muito quentes, com tamanhos variando aproximadamente entre o de Netuno e valores superiores ao de Júpiter, e períodos orbitais entre 3,3 e 4,9 dias.

A missão Kepler acabaria transformando profundamente o estudo dos sistemas planetários, revelando milhares de candidatos e planetas confirmados e demonstrando que planetas são extremamente comuns na Via Láctea.



segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dois NEAs Interessantes

Imagens CCD dos NEAs (2212) Hephaistos e (19764) 2000 NF5. Ambos apresentam órbitas interessantes. O 2000 NF5 é um asteroide próximo da Terra da classe Amor, com uma órbita que também se estende pela região orbital de Marte. Já Hephaistos possui características orbitais que levaram alguns estudos a relacioná-lo ao complexo dos Taurídeos.

Uma das hipóteses propostas para a origem desse complexo envolve a fragmentação de um grande núcleo cometário. Esse processo poderia ter produzido o cometa 2P/Encke, diversos asteroides próximos da Terra e os meteoroides responsáveis pelas chuvas associadas aos Taurídeos. A existência e a história desse corpo progenitor, entretanto, ainda são objeto de investigação.

Observei os dois objetos em 4 de outubro de 2010 (TU), utilizando um telescópio robótico de 0,43 m localizado em Nerpio, Espanha. O objetivo das observações foi determinar seus índices de cor BVRI e, a partir deles, propor uma classificação taxonômica. Esses dados permanecem inéditos.

Nas animações, os asteroides podem ser identificados por seu movimento em relação ao fundo estelar.


(19764) 2000 NF5

(2212) Hephaistos e um possível fragmento de lixo espacial.

Minha Vivência com o Colonialismo Cultural na Ciência

Esta postagem tem um caráter de reflexão e de registro para futuras gerações de cientistas brasileiros. Em 15 de dezembro de 2022...