quarta-feira, 4 de abril de 2012

Novo planeta escoberto por um astrônomo amador

Em 2012, dois participantes britânicos do projeto Planet Hunters, Chris Holmes e Lee Threapleton, identificaram nos dados do telescópio espacial Kepler um sinal compatível com o trânsito de um planeta diante da estrela então identificada no projeto como SPH10066540, correspondente à KIC 8552719.

Na época, o objeto foi descrito como um candidato a planeta com tamanho semelhante ao de Netuno. A descoberta foi feita pela análise da curva de luz da estrela: quando um planeta passa diante do disco estelar, visto da Terra, bloqueia uma pequena fração de sua luz e produz uma diminuição temporária de brilho.

O candidato foi posteriormente validado e hoje é conhecido como Kepler-953 b. Ele possui raio de aproximadamente 4,2 vezes o da Terra e completa uma órbita em cerca de 88,4 dias. A estrela Kepler-953 possui ainda outro planeta conhecido, Kepler-953 c, consideravelmente menor e com período orbital de aproximadamente 9,1 dias.

O episódio é um bom exemplo da importância da ciência cidadã. Embora programas de computador sejam utilizados para procurar automaticamente sinais de trânsito em enormes conjuntos de dados, a inspeção humana pode identificar padrões interessantes que não foram selecionados ou priorizados pelos algoritmos. Os voluntários funcionam, portanto, como uma ferramenta complementar às técnicas automáticas de busca.

O projeto original Planet Hunters utilizava dados obtidos pelo telescópio espacial Kepler. Atualmente, a iniciativa continua como Planet Hunters TESS, no qual voluntários analisam curvas de luz produzidas pelo satélite TESS em busca de possíveis trânsitos de exoplanetas.

A interpretação básica das curvas de luz é relativamente simples, e o próprio projeto fornece orientações para iniciantes. Assim, estudantes do ensino médio também podem participar de uma atividade real de ciência cidadã e colaborar na identificação de candidatos a novos mundos. Alguém se habilita?


Exemplo de uma curva de luz apresentada pelo antigo Planet Hunters, que utilizava dados do telescópio espacial Kepler. Nesta curva não se observa de forma evidente a assinatura de um trânsito planetário.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Minha Vivência com o Colonialismo Cultural na Ciência

Esta postagem tem um caráter de reflexão e de registro para futuras gerações de cientistas brasileiros. Em 15 de dezembro de 2022...