Em 2012, dois participantes britânicos do projeto Planet Hunters, Chris Holmes e Lee Threapleton, identificaram nos dados do telescópio espacial Kepler um sinal compatível com o trânsito de um planeta diante da estrela então identificada no projeto como SPH10066540, correspondente à KIC 8552719.
Na época, o objeto foi descrito como um candidato a planeta com tamanho semelhante ao de Netuno. A descoberta foi feita pela análise da curva de luz da estrela: quando um planeta passa diante do disco estelar, visto da Terra, bloqueia uma pequena fração de sua luz e produz uma diminuição temporária de brilho.
O candidato foi posteriormente validado e hoje é conhecido como Kepler-953 b. Ele possui raio de aproximadamente 4,2 vezes o da Terra e completa uma órbita em cerca de 88,4 dias. A estrela Kepler-953 possui ainda outro planeta conhecido, Kepler-953 c, consideravelmente menor e com período orbital de aproximadamente 9,1 dias.
O episódio é um bom exemplo da importância da ciência cidadã. Embora programas de computador sejam utilizados para procurar automaticamente sinais de trânsito em enormes conjuntos de dados, a inspeção humana pode identificar padrões interessantes que não foram selecionados ou priorizados pelos algoritmos. Os voluntários funcionam, portanto, como uma ferramenta complementar às técnicas automáticas de busca.
O projeto original Planet Hunters utilizava dados obtidos pelo telescópio espacial Kepler. Atualmente, a iniciativa continua como Planet Hunters TESS, no qual voluntários analisam curvas de luz produzidas pelo satélite TESS em busca de possíveis trânsitos de exoplanetas.
A interpretação básica das curvas de luz é relativamente simples, e o próprio projeto fornece orientações para iniciantes. Assim, estudantes do ensino médio também podem participar de uma atividade real de ciência cidadã e colaborar na identificação de candidatos a novos mundos. Alguém se habilita?
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