quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Telescópio Zeiss do OPD

Algumas imagens do telescópio Zeiss Jena de 0,6 metro, instalado no Observatório do Pico dos Dias (OPD). Esse instrumento é idêntico ao chamado "telescópio principal" do Observatório Astronômico da Serra da Piedade. Utilizei o Zeiss em apenas uma missão observacional, com cerca de duas semanas de duração, em janeiro de 1999. O apontamento do telescópio era totalmente manual.

Devido às péssimas condições climáticas durante aquele período, consegui obter apenas um número limitado de imagens de meus dois alvos: o asteroide (140) Siwa, então considerado alvo potencial da missão Rosetta da ESA, e o cometa C/1997 BA6 (Spacewatch), que cogitei estudar em meu projeto de mestrado em astronomia, iniciado no Observatório Nacional, mas infelizmente não concluído. O objetivo das observações era determinar os períodos de rotação dos objetos.

Considero o Zeiss um excelente instrumento. Na segunda metade da década de 1990, os telescópios de 1,6 metro Perkin-Elmer e de 0,6 metro Boller & Chivens tiveram seus sistemas de apontamento automatizados. No entanto, o mesmo não ocorreu com o Zeiss. Recordo-me de ter questionado por que esse telescópio não foi incluído no programa de modernização. A justificativa apresentada relacionava-se ao fato de sua montagem ser do tipo equatorial germânica, enquanto os outros dois telescópios utilizavam montagens do tipo garfo. Essa explicação me pareceu insatisfatória, uma vez que já existiam, à época, telescópios amadores com montagens germânicas totalmente automatizadas.

É possível que a decisão tenha sido motivada por questões de custo e pela necessidade de adaptar o software de controle para esse tipo de montagem. Ainda assim, acredito que a automatização do apontamento beneficiaria significativamente esse instrumento. Um telescópio dessa classe possui grande potencial para o desenvolvimento de pesquisas em astrofísica estelar e no estudo de objetos do Sistema Solar.





Você pode encontrar imagens de outros telescopios do OPD nos seguines links: 123

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Por que o Brasil ainda não leva a ciência a sério?

O incêndio que atingiu a Estação Antártica Comandante Ferraz, em 25 de fevereiro de 2012, motivou originalmente a escrita deste post. O episódio destruiu grande parte das instalações brasileiras na Antártica e provocou a morte de dois militares. A pergunta que guiava o texto continua pertinente: que importância damos, como sociedade, à ciência e à educação científica? Deixo claro, desde o início, que não tenho formação aprofundada em filosofia ou história da ciência. O que apresento aqui é uma reflexão pessoal.

O ponto central é simples: a ciência nem sempre recebe, no Brasil, a prioridade e a continuidade que sua importância exige. Ciência básica, em particular, pode ser facilmente tratada como algo secundário quando não apresenta uma aplicação prática imediata. O problema é que seus resultados costumam surgir em escalas de tempo muito maiores do que as de governos, mandatos ou ciclos eleitorais.

A ideia de que a pesquisa básica é inútil porque não produz aplicações imediatas está profundamente equivocada. Grande parte do mundo moderno depende de descobertas que, quando realizadas, não tinham utilidade prática evidente. Vacinas, medicamentos, telecomunicações, eletrônica, computação, novos materiais, técnicas de diagnóstico e inúmeras outras tecnologias resultaram de longos processos de investigação científica, muitas vezes iniciados simplesmente pela tentativa de compreender como a natureza funciona.

O problema passa também pela educação. Uma formação científica adequada não deveria ensinar apenas fórmulas, nomes e definições para serem reproduzidos em provas. Deveria estimular observação, experimentação, formulação de hipóteses, avaliação de evidências, dúvida e pensamento crítico. No entanto, muitos estudantes atravessam boa parte da educação básica com pouco contato com atividades experimentais de física, química ou biologia.

Sem compreender minimamente como o conhecimento científico é construído, torna-se mais difícil avaliar sua importância e distinguir evidências de opiniões ou afirmações sem fundamento. Também é fácil esquecer o quanto a vida cotidiana mudou em pouco mais de um século. No início do século XX, a expectativa de vida era muito menor, diversas doenças hoje preveníveis ou tratáveis frequentemente levavam à morte, as telecomunicações eram extremamente limitadas e inúmeras tecnologias atualmente banais sequer existiam.

Isso não significa que todo avanço social possa ser atribuído apenas à ciência. Desenvolvimento econômico, saneamento, políticas públicas, instituições, distribuição de renda e educação também têm papéis fundamentais. Mas muitos desses avanços seriam simplesmente impossíveis sem conhecimento científico e tecnológico acumulado.

Por isso, tratar ciência básica, educação científica e desenvolvimento tecnológico como gastos supérfluos significa comprometer a capacidade futura do país. Investir nessas áreas não é luxo: é parte essencial da construção de desenvolvimento, autonomia tecnológica e melhoria da qualidade de vida.

Os vídeos abaixo ajudam a pensar sobre essa relação entre ciência, informação, instituições públicas e sociedade. Os episódios apresentados são bastante diferentes entre si e não podem ser reduzidos simplesmente à falta de conhecimento científico da população, mas mostram como comunicação, educação, confiança nas instituições e segurança técnica podem ter consequências muito concretas.


(1) Vídeo da Fiocruz sobre a Revolta da Vacina. Em 1904, o Rio de Janeiro viveu uma violenta revolta em meio à implantação da vacinação obrigatória contra a varíola, às reformas urbanas e a um ambiente de forte tensão política e social. O episódio é mais complexo do que uma simples rejeição à ciência e mostra também a importância da comunicação, da confiança pública e da forma como medidas sanitárias são implementadas.


(2) Parte 1 do programa Linha Direta sobre o acidente radiológico de Goiânia, ocorrido em 1987. O acidente começou quando uma fonte de césio-137 de um equipamento de radioterapia abandonado foi retirada de sua blindagem. O episódio mostra as consequências que podem resultar da combinação entre falhas de segurança e fiscalização, desconhecimento dos riscos e contato da população com materiais perigosos.



Parte (2)

Parte (3)

Parte (4)


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

ESO - Longa exposição do céu austral

Estrelas circumpolares austrais registradas em uma exposição de aproximadamente duas horas. A imagem foi obtida em dezembro de 1997, a partir do teto da cúpula do telescópio ESO de 1,52 m, no Observatório de La Silla, Chile, utilizando uma câmera Zenit 12XS e filme de 100 ASA.

Os arcos luminosos produzidos pelas estrelas resultam da rotação aparente do céu em torno do polo sul celeste durante a longa exposição. As linhas sinuosas e brilhantes próximas ao horizonte foram causadas pelos faróis de veículos em movimento nas dependências do observatório.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Indo para o ESO - (2)

Ao chegar a La Serena, fui levado até o escritório do ESO. Lá descobri que o ônibus que transporta os funcionários para o observatório já havia partido. Um funcionário do ESO, que se comunicou comigo em inglês o tempo todo — e que, confesso, compreendi com dificuldade — me levou até a rodoviária e me colocou em um ônibus comum.

Na época, eu só falava português e um inglês bastante limitado, daquele tipo "Me Tarzan, You Jane". No ônibus, estavam comigo um rapaz, uma senhora e seu filho. Pelo que me lembro, o rapaz havia acabado de ser contratado para trabalhar em La Silla. A senhora e a criança eram parentes de um funcionário do observatório.

Quase não conversei com a senhora, mas falei com o rapaz que estudava em uma universidade pública e que não pagava nada por isso. Ele ficou surpreso, já que no Chile o ensino superior é pago. Eu também me surpreendi ao ver, em La Serena, uma senhora regando um jardim público com água que vinha da própria casa.

Após cerca de duas horas de viagem, o ônibus parou no meio do deserto. Ficamos os quatro à beira da estrada, que era bem conservada, por cerca de quinze minutos. Então, surgiu uma van branca do ESO — com um ar-condicionado simplesmente maravilhoso. A van nos levou até o observatório.

Acho que nunca senti uma emoção maior do que ao ver, pela primeira vez, a montanha de La Silla. Abaixo, uma foto que tirei durante essa curta, mas inesquecível, viagem:

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O fim do mundo em 2012 - (2)

O Globo Repórter sobre o “fim do mundo”, exibido em 10 de fevereiro de 2012, me fez lembrar uma característica antiga do programa: a tendência, em algumas edições, de apresentar fenômenos naturais e temas científicos ao lado de interpretações místicas ou esotéricas. Algo semelhante já podia ser observado na edição dedicada ao cometa Halley, em 1985.

Nesta edição, grande parte do programa foi dedicada a astrólogos, adeptos de interpretações esotéricas e pessoas que se preparavam para supostas catástrofes associadas ao ano de 2012. Entre os entrevistados estava um morador de Alto Paraíso de Goiás (GO), apresentado como engenheiro eletrônico, que atribuiu a atividades solares a possibilidade de ocorrência de terremotos, furacões e tsunamis.

A relação entre atividade solar e terremotos já foi objeto de alguns estudos científicos, mas permanece controversa e não existe um mecanismo causal estabelecido que permita atribuir terremotos à atividade solar. No caso dos furacões, sua formação e intensificação estão relacionadas principalmente às condições atmosféricas e oceânicas. Tsunamis, por sua vez, são produzidos predominantemente por grandes deslocamentos de água causados por terremotos submarinos e, com menor frequência, por deslizamentos, erupções vulcânicas e impactos.

Se uma relação física robusta entre atividade solar e esses fenômenos fosse demonstrada, naturalmente seria um resultado científico de grande relevância e precisaria ser apresentado com dados, análise estatística e publicação submetida à avaliação da comunidade científica.

O problema, portanto, não é apresentar crenças ou interpretações alternativas em uma reportagem. O problema surge quando afirmações extraordinárias são colocadas ao lado de explicações científicas sem que fique suficientemente clara a diferença entre uma hipótese testada cientificamente, uma especulação e uma crença.

Abaixo, segue o episódio do Globo Repórter em questão. Jornalistas não precisam ser cientistas, mas programas dedicados a temas dessa natureza se beneficiariam muito da participação regular de consultores científicos capazes de avaliar afirmações técnicas e colocá-las no devido contexto.

Aviso: As opiniões expressas neste blog são de responsabilidade exclusiva do autor. As críticas apresentadas referem-se a ideias, afirmações e conteúdos divulgados publicamente e têm caráter opinativo e de divulgação científica.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

2008 EV5

O asteroide próximo da Terra 2008 EV5 foi intensamente observado durante sua aproximação à Terra em dezembro de 2008. Imagens de radar de alta resolução foram obtidas pelo Observatório de Arecibo entre 23 e 27 de dezembro, enquanto o radar de Goldstone realizou observações entre 16 e 23 de dezembro.

Eu observei o asteroide em Salvador nos dias 1º e 2 de janeiro de 2009 (UT). Combinando meus dados com observações realizadas na Europa e na China, obtive uma solução de período de 10,200 ± 0,002 h, com amplitude de aproximadamente 0,10 mag(2).

Essa solução mostrou-se posteriormente incorreta, provavelmente em consequência da amostragem temporal e da combinação de conjuntos fotométricos obtidos em diferentes localidades. Galád et al. (2009) determinaram um período de rotação de 3,725 ± 0,001 h, com amplitude de aproximadamente 0,06 mag. Essa solução mostrou-se consistente com as observações de radar e foi adotada nos estudos posteriores do estado de rotação e da forma do asteroide. O período de 10,200 h obtido em nossa análise corresponde, portanto, a uma solução espúria do periodograma, provavelmente associada a aliasing observacional, e não a um harmônico inteiro simples do período de 3,725 h.

A experiência com 2008 EV5 levou-me a adotar critérios mais rigorosos em observações fotométricas posteriores:

1) Buscar uma razão sinal-ruído de pelo menos 50 para o asteroide e para as estrelas de comparação, correspondendo a uma incerteza fotométrica da ordem de 0,02 mag por medida, e utilizar valores maiores sempre que a amplitude esperada for muito pequena.

2) Sempre que possível, obter sequências observacionais com duração total de pelo menos 8 horas. Esse valor foi adotado como referência prática a partir da distribuição dos períodos de rotação disponível na compilação de 2011, permitindo cobrir uma fração significativa — e, em muitos casos, um ciclo completo — da rotação do asteroide. Observações em mais de uma noite são desejáveis para reduzir ambiguidades e soluções espúrias causadas pela amostragem temporal.

O período de 3,725 ± 0,001 h foi publicado por Galád et al. (2009). A análise detalhada das observações de radar e da forma de 2008 EV5 foi posteriormente publicada por Busch et al. (2011).

Vídeo relacionado ao asteroide 2008 EV5.

Espectro de períodos obtido para o asteroide 2008 EV5
(1) Espectro de períodos da análise fotométrica que levou à solução de 10,200 h, posteriormente considerada espúria.
Curva de luz composta do asteroide 2008 EV5
(2) Curva de luz composta de 2008 EV5, combinando observações realizadas em diferentes localidades. O ajuste de 10,200 h não corresponde ao período de rotação atualmente aceito.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Astrofotografias com meu newtoniano - (2)

Eclipse lunar total de 27-09-1996 UT registrado no Rio de Janeiro. Fotografia de projeção usando uma ocular de 30mm (60x), filme ASA 100, 1/250s de exposição e câmera Zenit 12XS. O foco foi feito afastando e aproximando o corpo da câmera da ocular. Não foi utilizado um adaptador.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Indo para o ESO - (1)

Viagem de Santiago de Chile para La Serena em dezembro de 1997. 


Bandeira chilena vista sobre um dos prédios do aeroporto de Santiago

Cordilheiras vistas através da janela do avião da LADECO com o qual voei para La Serena.

Šteins e Rosetta

Encontro da sonda Rosetta com o asteróide Šteins em 05-09-2008 UT.





domingo, 19 de fevereiro de 2012

Marte no Aeroclube Plaza Show

Registro de uma observação pública de Marte que conduzi no Aeroclube Plaza Show, em Salvador, Bahia, em 28 de agosto de 2003. Naquele dia, Marte estava em oposição e havia atingido, no dia anterior, sua maior aproximação da Terra em quase 60 mil anos, ficando a cerca de 55,8 milhões de quilômetros do nosso planeta.

Utilizando meu telescópio newtoniano de 0,3 m f/6, foi possível observar claramente a calota polar sul e, possivelmente, o Monte Olimpo. Na ocasião, também concedi uma entrevista à TV Bahia sobre o fenômeno.

O evento foi organizado pela Associação de Astrônomos Amadores da Bahia (AAAB) e contou com grande participação do público. A fotografia abaixo foi obtida por Amilton André. Curiosamente, esse telescópio foi transportado do campus de Ondina da UFBA, onde estava guardado, até a Boca do Rio, dentro de um VW Pointer pertencente ao saudoso membro da AAAB Dawison Ferreira Santos.

Anos depois, ao mencionar o sucesso dessa atividade durante uma reunião da FAPESB, ouvi de um pesquisador a crítica de que realizar uma ação de divulgação científica em um shopping center seria uma iniciativa “elitista”. Discordo dessa avaliação. Espaços de grande circulação podem ser particularmente úteis para a divulgação científica justamente porque permitem levar a astronomia a pessoas que provavelmente não procurariam espontaneamente um observatório ou uma instituição científica.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Câmera Cometária do OPD

Imagens da chamada “câmera cometária” do Observatório do Pico dos Dias (OPD), registradas em meados da segunda metade da década de 1990, mostram um instrumento desenvolvido para a obtenção de imagens de cometas, com destaque para o cometa 1P/Halley. As imagens geradas por esse instrumento foram utilizadas para análises morfológicas da coma e da cauda cometária, e os resultados obtidos foram publicados em revistas especializadas e apresentados em congressos científicos.

O instrumento consistia em um astrógrafo equipado com um espelho de 0,3 metro de abertura e razão focal f/4. A aberração esférica do espelho primário era corrigida por meio de uma lente Ross. Inicialmente, a câmera foi montada em configuração “piggyback” sobre o telescópio Zeiss Jena de 0,6 metro. As imagens atualmente disponíveis mostram a configuração final do sistema, já independente, com montagem equatorial alemã, telescópio guia e cúpula própria.

No momento em que essas fotografias foram tiradas, a câmera cometária já se encontrava desativada. Ela foi substituída por um telescópio Meade de 16 polegadas, operado remotamente por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).






Cúpulas da câmera cometária e do telescópio de 1,6 m.


Cúpula da câmera cometária vista da passarela do telescópio de 1,6 m.



Cúpula do telescópio Zeiss, à esquerda, e a da câmera cometária.
Você pode encontrar imagens de outros telescópios do OPD nos seguintes links: 1, 2, 3.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Meteorito Varre-Sai

Vídeo mostrando o bólido associado à queda do meteorito Varre-Sai, observada em 19/06/2010, por volta das 21h UT.

Varre-Sai é um condrito ordinário do tipo L5. Cinco fragmentos, com massa total de aproximadamente 2,5 kg, foram recuperados na região da divisa entre os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

O evento marcou a primeira queda de meteorito registrada no Brasil em 19 anos. A anterior havia sido a do meteorito Campos Sales, no Ceará, em 1991.



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A evolução dos controladores de telescópios

A evolução da microeletrônica nas últimas quatro décadas é impressionante. Abaixo, apresento um exemplo claro dessa tendência aplicada à Astronomia. As fotos (1) e (2) mostram os antigos consoles de apontamento dos telescópios Boller & Chivens de 0,6 m e Perkin-Elmer de 1,6 m do Observatório do Pico dos Dias (OPD). Essas imagens foram registradas por mim na segunda metade da década de 1990. Na época, ambos os consoles já estavam fora de uso, substituídos por sistemas automatizados de apontamento.

A imagem (3), datada de 18 de novembro de 2006, mostra o controlador Autostar II de um telescópio Meade LX200 de 12 polegadas. Enquanto os consoles (1) e (2) forneciam apenas coordenadas básicas como ascensão reta, declinação e ângulo horário, o dispositivo da imagem (3) oferece essas mesmas informações acrescentando catálogos com milhares de objetos astronômicos e diversas funções de controle que otimizam o acompanhamento e a exatidão do apontamento. E tudo isso literalmente na palma da mão.


(1)

(2)

(3)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Bólido registrado por uma câmera em um carro de polícia

Aqui havia duas correções importantes. Para o bólido do Texas de 1º de fevereiro de 2012, encontrei confirmação do registro pela câmera da viatura de Little River-Academy, mas não evidência segura de que sua órbita heliocêntrica tenha sido posteriormente determinada; por isso, retirei essa afirmação. ([Space][1]) Já **Peekskill** e **Park Forest** tiveram trajetórias e órbitas efetivamente determinadas a partir de registros instrumentais. ([Nature][2]) Também corrigi Berduc: a queda ocorreu em **7 de abril de 2008, às 01h02m28s UTC**, e a reconstrução produziu uma família de soluções orbitais, não uma órbita única extremamente precisa. ([ResearchGate][3]) Mantive o tom pessoal do Blogger e modernizei o vídeo. ```html

Um bólido muito brilhante cruzou o céu do Texas, nos Estados Unidos, na noite de 01/02/2012 e foi registrado pela câmera instalada em uma viatura da polícia de Little River-Academy. O evento foi observado em uma extensa região, com relatos vindos de diferentes pontos do Texas e até de áreas vizinhas.

Registros desse tipo são cientificamente valiosos. Quando um mesmo bólido é observado de diferentes locais, com informações precisas sobre posição, horário e direção, é possível reconstruir sua trajetória atmosférica e, em condições favoráveis, determinar a órbita heliocêntrica do meteoroide antes de sua entrada na atmosfera. Foi o que ocorreu, por exemplo, com os bólidos que deram origem aos meteoritos Peekskill, em 1992, e Park Forest, em 2003.

Na América Latina, um caso interessante foi o meteorito Berduc, cuja queda ocorreu na Argentina em 07/04/2008, às 01h02m28s UT. O bólido, extremamente brilhante, foi observado por centenas de pessoas na Argentina e no Uruguai e também registrado por sensores de satélite e por infrassom. A partir desses dados, pesquisadores reconstruíram sua trajetória e obtiveram possíveis soluções para a órbita do meteoroide, indicando uma origem provável no cinturão principal de asteroides.

E no Brasil? Evidentemente, eventos semelhantes também ocorrem por aqui. No final de 2009, tive notícia de um grande bólido observado em Salvador e em diversas cidades da Bahia. Segundo os relatos que recebi na época, o objeto percorreu o céu aproximadamente na direção sudeste-noroeste e foi avistado ao longo de uma região muito extensa. W. Carvalho se interessou pela possibilidade de procurar eventuais meteoritos, enquanto eu pretendia reconstruir a trajetória e, se os dados permitissem, estimar a órbita do meteoroide.

O problema é que informações fundamentais, como o azimute e a altura do bólido vistos de diferentes localidades, além do instante preciso de cada observação, não foram coletadas de forma sistemática. Sem esses dados, a reconstrução tornou-se inviável. A ideia acabou se volatilizando, assim como o meteoroide baiano.



``` Acho que o final **“A ideia acabou se volatilizando, assim como o meteoroide baiano”** merece ser mantido: tem bastante cara de postagem pessoal de blog e fecha o texto com humor sem sacrificar a precisão científica. [1]: https://www.space.com/14502-texas-fireball-meteor-police-video.html?utm_source=chatgpt.com "Fireball Over Texas Caught by Police Car Video Camera | Space" [2]: https://www.nature.com/articles/367624a0?utm_source=chatgpt.com "The orbit and atmospheric trajectory of the Peekskill meteorite from video records | Nature" [3]: https://www.researchgate.net/publication/227726167_The_Berduc_L6_chondrite_fall_Meteorite_characterization_trajectory_and_orbital_elements?utm_source=chatgpt.com "The Berduc L6 chondrite fall: Meteorite characterization, trajectory, and orbital elements | Request PDF"

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Primeira Edição do Curso "Astrofísica Observacional"

Imagens do provável primeiro curso de astrofísica observacional realizado no estado da Bahia. O curso ocorreu entre a última semana de janeiro e a primeira semana de fevereiro de 2007 no IF-UFBA. Os alunos eram da própria UFBA. Em sua maioria, eram estudantes dos cursos de graduação em Física e Geofísica.

Na primeira semana, ministrei seminários sobre temas variados, como fotometria, redução de imagens CCD, teoria dos erros e tópicos introdutórios sobre astrofísica estelar, galáctica e do Sistema Solar. Na semana seguinte, realizamos três sessões de observação usando um telescópio Meade 12" LX200 com CCD SBIG ST-7XME e filtros Bessell UBVRI.

Nessas observações, obtivemos imagens BVR da recém-descoberta Nova Centauri 2007 e do aglomerado aberto M-41. O objetivo dessas observações era realizar um monitoramento fotométrico da nova e obter o diagrama HR do aglomerado. Ambas as tarefas foram realizadas razoavelmente bem pelos alunos.

Como proposta inicial, considerei publicar nossos resultados sobre a nova na revista da AAVSO. No entanto, a quantidade de dados coletados era muito pequena e decidi desistir dessa ideia.


Primeira sessão de observação

Participantes do curso. Eu estou a direita de camisa verde e barba.

As observações aconteceram no estacionamento do atual restaurante universitário do campus de Ondina. Naquela época, o prédio já estava concluído, mas ainda não havia sido inaugurado.

Nova Centauri 2007. Soma de nove imagens com 10 segundos de exposição cada. A imagem foi obtida em 31/03/2007 às 23h20 UT, utilizando um filtro Bessell B. As estrelas apresentam coma devido a um desalinhamento na parte óptica do telescópio. Essas observações tiveram como objetivo complementar os dados obtidos durante o curso.


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Abundância química do Sistema Solar é diferente da equivalente no meio ambiente galáctico local

Dados levantados pelo satélite IBEX revelam que a razão oxigênio/neônio é maior no Sistema Solar que no meio interestelar. O satélite esta fazendo um survey da helioesfera. A helioesfera é uma região distante cerca de 100 UA do Sol. Nela, o vento solar e o interestelar colidem. Junto com o vento solar e interestelar são transportados átomos e íons. Estes constituintes da matéria interagem em um processo que gera átomos neutros energéticos que podem ser contados.  Abaixo o vídeo da NASA sobre esta descoberta:

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Curso "Uma Visão Atual da Astronomia" - Décima Edição - (2)

Imagens do último dia do curso "Uma Visão Atual da Astronomia". Em 20-01-2011, foi apresentado o seminário do M.Sc. Wilton Carvalho, o único especialista em meteoritos do Estado da Bahia. Após o seminário, houve o sorteio de pequenos fragmentos de meteoritos e livros de divulgação de Astronomia. No encerramento do curso, ocorreu uma mesa redonda informal. Nesta mesa, discorri sobre a realidade da profissão de astrônomo no Brasil, destacando a questão da entrada do Brasil no ESO.

Distribuição de brindes



Alunos manipulando meteoritos



Wilton Carvalho e uma aluna do curso

Alguns participantes da mesa redonda


Alunos assistindo a mesa redonda



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Flashes no buraco negro Sgr A* podem ser alimentados por colisões com asteróides e cometas

Observações no infravermelho obtidas com o Very Large Telescope (VLT) do ESO e em raios X com o telescópio espacial Chandra revelaram frequentes flares provenientes da região de Sagitário A* (Sgr A*), o buraco negro supermassivo situado no centro da Via Láctea. Sgr A* possui uma massa de aproximadamente quatro milhões de massas solares.

Na época, as observações indicavam a ocorrência de flares em raios X, com duração de algumas horas, em média aproximadamente uma vez por dia. Em 2012, um estudo propôs uma explicação bastante interessante: alguns desses eventos poderiam ser produzidos pela destruição de asteroides ou cometas que se aproximassem demasiadamente do buraco negro.

De acordo com esse modelo, asteroides com dimensões da ordem de 10 km ou maiores poderiam fornecer energia suficiente para produzir os flares observados. Esses pequenos corpos fariam originalmente parte de sistemas planetários de estrelas existentes na região central da Galáxia e poderiam ter suas órbitas perturbadas, sendo lançados em direção a Sgr A*.

Ao passarem suficientemente perto do buraco negro, seriam fragmentados pelas intensas forças de maré. Os fragmentos atravessariam então o gás extremamente quente e rarefeito existente no fluxo de acreção, sendo aquecidos e vaporizados e, potencialmente, produzindo um flare em raios X antes de seus restos serem finalmente incorporados ao material que cai em direção ao buraco negro.

A hipótese era particularmente curiosa porque sugeria a existência de uma enorme população de asteroides e cometas nas proximidades do centro galáctico. Entretanto, ela não se tornou uma explicação estabelecida para os flares de Sgr A*. Estudos posteriores passaram a investigar principalmente processos associados ao próprio plasma existente nas proximidades do buraco negro, incluindo turbulência, aceleração de partículas e reconexão magnética.

Abaixo, um vídeo produzido a partir de observações do Chandra mostrando a região de Sgr A*.



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Curso "Uma Visão Atual da Astronomia" - Décima Edição - (1)

Algumas fotos da sessão de observação do curso de extensão "Uma Visão Atual da Astronomia", do Instituto de Física da UFBA. Este curso está em sua décima edição e foi concebido por mim, juntamente com os professores Brum e Santos, em 2002. Desde então, participei de todas as edições, ministrando seminários sobre temas diversos, como Astrofísica de Pequenos Corpos do Sistema Solar, Evolução Estelar, Astrofísica Galáctica, Extragaláctica e Cosmologia.

Nesta sessão, realizada em 13 de janeiro de 2012, utilizamos um telescópio Schmidt-Cassegrain Meade de 10 polegadas, recém-adquirido pelo professor Arno.



Telescópio apontado para uma antena de TV a fim de
alinhar a parte óptica e o buscador.











Eu apontando o telescópio manualmente
para Júpiter





Eu e o professor Arno abrindo a caixa do motor de altura do telescópio Meade.
Este telescópio apresentava um problema comum: o empenamento do parafuso de altura.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

SN 1987A

A SN 1987A foi descoberta na Grande Nuvem de Magalhães, em 24 de fevereiro de 1987. Oscar Duhalde a identificou visualmente no Observatório Las Campanas, no Chile, enquanto Ian Shelton registrou o objeto em uma placa fotográfica. Foi a supernova mais próxima observada desde a Supernova de Kepler, em 1604.

Recordo-me do anúncio da descoberta no Jornal Nacional. Corri para fora de casa na tentativa de observá-la, mas, naquela época, ainda não possuía experiência suficiente em reconhecimento do céu para localizá-la. A lembrança material que conservo desse raro evento é um exemplar da revista Time de 23 de março de 1987, cuja capa coloquei em um quadro (1) que atualmente adorna minha sala.

Na ocasião, um astrônomo amador do Rio de Janeiro também obteve uma fotografia de longa exposição da supernova. Ele participava do clube de astrofotografia do Planetário do Rio de Janeiro, e sua imagem foi posteriormente publicada em página inteira na revista Sky & Telescope.


Vídeo sobre a SN 1987A. Particularmente interessante é a comparação entre a escala de tempo da evolução humana e os estágios finais, cada vez mais rápidos, da evolução da estrela. Nesses estágios, sucessivas fases de fusão nuclear produziram elementos cada vez mais pesados, até a formação de um núcleo rico em ferro e o posterior colapso estelar.

(1) Capa da revista Time de 23/03/1987
© Time Magazine

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

153P/Ikeya–Zhang

O cometa C/2002 C1 (Ikeya-Zhang) foi fotografado por Amilton André Gomes e por mim em 04-05-2002, por volta das 3h UT. O cometa, indicado pela seta, encontrava-se muito próximo angularmente de uma estrela da constelação do Dragão. A imagem, com 15 segundos de exposição, foi obtida durante a I Jornada Regional de Astronomia, promovida pela Associação de Astrônomos Amadores da Bahia (AAAB), em Itanagra (BA). Foi utilizada uma câmera Canon AE-1 com filme Kodak Pro Image ASA 100.

Segundo as efemérides, o cometa apresentava magnitude próxima de 5,6 no momento da observação e era perfeitamente visível a olho nu. Em condições favoráveis, o limite de visibilidade a olho nu pode alcançar aproximadamente a magnitude 6 ou um pouco além. A observação do cometa nessas condições indicava, portanto, a boa qualidade do céu de Itanagra naquela ocasião, com baixa poluição luminosa e boa transparência atmosférica.

Meu primeiro artigo sobre Astronomia escrito na Bahia foi publicado no informativo da AAAB. Nele, analisei a qualidade do céu durante a observação em que esta fotografia foi obtida.


Cometa C/2002 C1 (Ikeya-Zhang), indicado pela seta.

Orientação do campo fornecida pelo serviço online Astrometry.net. O cometa encontrava-se na constelação do Dragão.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Pôr do Sol no ESO (La Silla)

Pôr do Sol fotografado em dezembro de 1997, no ESO de La Silla (Chile).

(1) Cúpula do telescópio de 1,5m. Fiz as fotografias do
 alto deste prédio

(2) O telescópio hoje esta desativado.

(3) Oeste de La Silla

Minha Vivência com o Colonialismo Cultural na Ciência

Esta postagem tem um caráter de reflexão e de registro para futuras gerações de cientistas brasileiros. Em 15 de dezembro de 2022...