Observações no infravermelho obtidas com o Very Large Telescope (VLT) do ESO e em raios X com o telescópio espacial Chandra revelaram frequentes flares provenientes da região de Sagitário A* (Sgr A*), o buraco negro supermassivo situado no centro da Via Láctea. Sgr A* possui uma massa de aproximadamente quatro milhões de massas solares.
Na época, as observações indicavam a ocorrência de flares em raios X, com duração de algumas horas, em média aproximadamente uma vez por dia. Em 2012, um estudo propôs uma explicação bastante interessante: alguns desses eventos poderiam ser produzidos pela destruição de asteroides ou cometas que se aproximassem demasiadamente do buraco negro.
De acordo com esse modelo, asteroides com dimensões da ordem de 10 km ou maiores poderiam fornecer energia suficiente para produzir os flares observados. Esses pequenos corpos fariam originalmente parte de sistemas planetários de estrelas existentes na região central da Galáxia e poderiam ter suas órbitas perturbadas, sendo lançados em direção a Sgr A*.
Ao passarem suficientemente perto do buraco negro, seriam fragmentados pelas intensas forças de maré. Os fragmentos atravessariam então o gás extremamente quente e rarefeito existente no fluxo de acreção, sendo aquecidos e vaporizados e, potencialmente, produzindo um flare em raios X antes de seus restos serem finalmente incorporados ao material que cai em direção ao buraco negro.
A hipótese era particularmente curiosa porque sugeria a existência de uma enorme população de asteroides e cometas nas proximidades do centro galáctico. Entretanto, ela não se tornou uma explicação estabelecida para os flares de Sgr A*. Estudos posteriores passaram a investigar principalmente processos associados ao próprio plasma existente nas proximidades do buraco negro, incluindo turbulência, aceleração de partículas e reconexão magnética.
Abaixo, um vídeo produzido a partir de observações do Chandra mostrando a região de Sgr A*.
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