domingo, 28 de abril de 2013

Grande Meteoro de 2012 no Brasil – Um Ano Depois: Radiante do Objeto

A radiante real estimada do “Grande Meteoro de 2012 no Brasil”, referida ao equinócio J2000, está indicada por uma cruz no diagrama. Ela se localiza na constelação de Auriga, com coordenadas aproximadas de ascensão reta 5h32min e declinação +47°.

Essa posição é muito diferente da radiante da chuva anual dos Lirídeos, situada na constelação de Lyra, aproximadamente em ascensão reta 18h e declinação +34°. Portanto, uma associação do objeto com os Lirídeos pode ser claramente descartada.

Com os dados disponíveis, também não foi identificada uma associação segura com outra chuva de meteoros conhecida. Entretanto, a trajetória e a órbita foram determinadas a partir de vídeos não calibrados, e as incertezas nas medidas angulares e, principalmente, na velocidade são significativas. Por esse motivo, o objeto deve ser classificado provisoriamente como um meteoro aparentemente esporádico, ou como um meteoro sem associação identificada com uma chuva conhecida.

Uma confirmação mais rigorosa exigiria uma solução orbital com estimativas confiáveis da velocidade geocêntrica, do nodo ascendente e do argumento do periélio, acompanhadas de suas respectivas incertezas, permitindo a comparação quantitativa com as órbitas médias das chuvas catalogadas.

Posição da radiante do "Grande Meteoro de 2012 no Brasil". Diagrama
gerado pelo atlas celeste "The Night Sky Atlas".

sábado, 27 de abril de 2013

Grande Meteoro de 2012 no Brasil – Um Ano Depois: Posições do Objeto no Céu

Diagramas gerados com o software Skymap, mostrando as trajetórias aproximadas do meteoro de 20/04/2012 (hora de Brasília) nas localidades de Belo Horizonte e Campos dos Goytacazes. As trajetórias estão indicadas por setas. Os mapas apresentam o céu em coordenadas horizontais, com as estrelas posicionadas conforme visível às 23h30, para um observador olhando em direção ao zênite em cada localidade.


Trajetória do meteoro visto de Belo Horizonte. O tempo de trânsito
foi de 2s. O objeto foi visível ao  redor da direção leste.

Trajetória do meteoro visto de Campos dos Goytacazes. O tempo de trânsito
foi de 11s. O objeto foi visível entre, aproximadamente, as direções oeste-noroeste
e norte-noroeste. 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Grande Meteoro de 2012 no Brasil – Um Ano Depois: Localização dos Observadores

A determinação da trajetória e da órbita do Grande Meteoro de 2012 no Brasil foi baseada nos vídeos obtidos em Campos dos Goytacazes e Belo Horizonte (BH). Com o auxílio das informações disponíveis na lista "Bólidos" e no Google Earth, identifiquei com razoável exatidão a posição dos observadores (Figs. 1 e 2). Utilizei elementos fixos da paisagem, como prédios, postes e outras estruturas, para estimar a altura e o azimute do meteoro nas duas localidades.

Essas coordenadas horizontais foram convertidas em ascensão reta e declinação utilizando a planilha radcoord, desenvolvida por M. Langbroek em Excel. Para os cálculos, considerei que as observações foram simultâneas e ocorreram às 23h30 de 20/04/2012 (hora de Brasília).

Encontrei ainda quatro vídeos no YouTube que registram o meteoro, oriundos de Belo Horizonte, Campos, Ipatinga e Grande Vitória. No entanto, não consegui determinar o local exato de onde foram feitas as gravações de Ipatinga e Grande Vitória, apesar de ter tentado contato com os autores. Não obtive resposta.

Para a determinação dos parâmetros orbitais do meteoro, são necessários pelo menos dois pontos de observação com coordenadas conhecidas. Com os quatro vídeos, seria possível formar até seis combinações independentes de sítios de observação, o que permitiria, em princípio, um refinamento significativo da trajetória e da órbita do objeto.


Fig.1a - Um frame do filme de Campos. O meteoro é indicado pela seta
 branca.


Fig.1b - Local estimado de observação em 
Campos dos Goytacazes. Fonte: Google Earth - Street View

Fig.2a - Um frame do filme de BH. O meteoro é indicado pela seta
 branca.


Fig.2b - Local de observação em Belo Horizonte.
Fonte: Google Earth - Street View

sábado, 20 de abril de 2013

Grande Meteoro de 2012 no Brasil – Um Ano Depois: Trajetória Atmosférica

A trajetória atmosférica do “Grande Meteoro de 2012 no Brasil”, registrado por volta das 2h30min UTC de 21 de abril de 2012, foi calculada com base em registros em vídeo obtidos em Belo Horizonte, Minas Gerais, e Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro.

A trajetória estimada apresenta boa concordância com os relatos de observadores disponíveis em vídeos publicados no YouTube e na lista “Bólidos”. Relatos visuais indicam que o objeto passou próximo ao zênite nas cidades mineiras de Caratinga e Governador Valadares. A trajetória calculada é compatível com essas descrições, e o meteoro foi registrado em Belo Horizonte quando passava aproximadamente sobre a região de Caratinga.

A solução orbital nominal apresenta excentricidade de 1,190, distância ao periélio de 1,005 unidades astronômicas e inclinação de 28,51 graus em relação ao plano da eclíptica. O periélio teria ocorrido aproximadamente às 9h46min UTC do mesmo dia, cerca de sete horas após a passagem do objeto pela Terra.

A solução nominal da trajetória indica que o meteoroide atingiu uma altitude mínima de aproximadamente 74,5 quilômetros sobre o território de Minas Gerais. Esse resultado é compatível com a possibilidade de um evento do tipo Earth-grazing, no qual o objeto atravessa a alta atmosfera terrestre e retorna ao espaço sem atingir o solo.

Entretanto, não é possível afirmar com segurança que o meteoroide tenha efetivamente retornado ao espaço. Essa interpretação depende diretamente da precisão da trajetória e da velocidade obtidas a partir dos vídeos. Como as imagens não foram registradas por câmeras científicas calibradas, pequenas imprecisões nas medidas angulares e temporais podem produzir grandes alterações na solução orbital.

Embora a excentricidade nominal indique uma órbita hiperbólica, esse valor pode estar superestimado devido às incertezas na determinação da velocidade inicial. Portanto, a solução hiperbólica não deve ser interpretada como evidência segura de uma origem interestelar.

Caso a órbita real fosse ligeiramente elíptica, mantendo um periélio próximo de 1 unidade astronômica e um semieixo maior superior a 1 unidade astronômica, o meteoroide poderia apresentar uma órbita compatível com a classe dos objetos Apollo. Essa possibilidade não pode ser descartada com os dados atualmente disponíveis.

Os resultados deste estudo foram apresentados como parte da minha tese de doutorado na Universidade Federal da Bahia.

Posições dos observadores visuais do meteoro de 21 de abril de 2012 UTC. Fonte: comentários do vídeo original de Belo Horizonte publicado no YouTube. A distância entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo é de 358,1 quilômetros.



Trajetória nominal do objeto sobre o mapa do Brasil no Google Earth. As marcas representam os locais onde foram obtidos registros em vídeo em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, assim como o início e o fim dos trechos registrados nas duas localidades. O prolongamento final da trajetória em direção à Bahia é apenas indicativo. A possibilidade de o objeto ter alcançado o território baiano foi considerada devido a um relato de observação em Feira de Santana.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Finalmente PANSTARRS!

Imagens CCD LRGB do cometa C/2011 L4 (PANSTARRS) obtidas com o telescópios "wide field" e "Dome 2" do Observatório Slooh das Ilhas Canárias (Espanha). Os registros foram feitos na madrugada de 18-04-2013 UT. A magnitude total estimada do objeto era em torno de seis (6).






domingo, 14 de abril de 2013

63P/Wild 1 - Movimento próprio

Movimento próprio do cometa 63P no céu durante três horas de observação (indicado pelas setas), em 07 de abril de 2013 UT. A imagem é uma superposição de doze imagens CCD RGB, cada uma com 20 segundos de exposição. As observações foram realizadas com o telescópio "Dome 2" do Observatório Slooh, localizado nas Ilhas Canárias, na Espanha. A galáxia espiral situada no canto inferior direito da imagem é a UGC-5165. A magnitude V do cometa no momento da captura da primeira sequência RGB (seta inferior na imagem) era 14,36 ± 0,01.



sábado, 13 de abril de 2013

Júpiter em tempo quase real

Imagens do planeta Júpiter obtidas atráves dos telescópio "dome 2" (1) e "wide field" (2) do Observatório Slooh das linhas Canárias (Espanha).

(1) A mancha negra sobre o disco de Júpiter é a
sombra do satélite Europa.
Diagrama mostrando os satélites de Júpiter visíveis nas imagens.
I=Io, G=Ganimedes, E=Europa e C=Calisto. Diagrama gerado pelo Java Script "Jupiter`s Moons"
da Revista Sky & Telescope.

(2)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

ISON - Atualização

O imagem do cometa ISON (seta) obtida em 08-04-2013 UT, no observatório estadunidense da rede "Itelescope", com o telescópio T21 + filtro Johnson V. O tempo de exposição foi de 120s. O objeto apresentava uma magnitude V=15.64±0.02 no instante do registro.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Um ET em Salvador (?!?)

Vídeo do bizarro passeio de um barata-americana sobre o domo da minha câmera de detecção de meteoros. A data do registro esta na Hora de Brasília (UT-3h).



quinta-feira, 4 de abril de 2013

ISON - Atualização

O imagem do cometa ISON (seta) obtida em 01-04-2013 UT, no observatório estadunidense da rede "Itelescope", com o telescópio T11 + filtro Johnson V. O tempo de exposição foi de 120s. O objeto apresentava uma magnitude V=16.49±0.01 no instante do registro.


Minha Vivência com o Colonialismo Cultural na Ciência

  Esta postagem tem um caráter de reflexão e registro para futuras gerações de cientistas brasileiros. Em 15 de dezembro de 2022, enviei uma...