sábado, 26 de setembro de 2026

Halo solar observado em Salvador pela câmera all-sky da UFBA

Um halo solar de aproximadamente 22° de raio foi registrado pela câmera all-sky do Planetário da UFBA entre 9h43 e 11h49, no horário local, em 25 de setembro de 2026.

O fenômeno ocorre quando a luz do Sol é refratada por cristais de gelo, geralmente de geometria hexagonal, presentes em nuvens altas da troposfera, principalmente cirros e cirrostratos. O halo pode ser observado com o Sol em diferentes alturas no céu, desde que existam condições atmosféricas adequadas. No caso mais comum, a refração da luz nesses cristais produz um anel com cerca de 22° de raio ao redor do Sol.

Halo em um instante próximo à passagem meridiana do Sol.


Vídeo com o registro integral do fenômeno.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Comparação da passagem meridiana do Sol: solstício de junho e equinócio de setembro

O GIF animado abaixo mostra uma comparação entre dois registros obtidos pela câmera All-Sky do Planetário da UFBA, ambos no instante da passagem meridiana do Sol, isto é, o momento em que o Sol cruza o meridiano local e atinge sua maior altura no céu naquele dia.

As imagens foram colocadas em ordem cronológica e correspondem às seguintes datas:

  • 21/06/2026 – 11:35:58
  • 22/09/2026 – 11:26:50

A animação permite visualizar de forma bastante clara a mudança da posição aparente do Sol entre o solstício de junho e o período do equinócio de setembro. No registro de junho, o Sol aparece mais afastado do centro da imagem, indicando uma menor altura meridiana. Já no registro de setembro, o Sol surge mais próximo da região central do campo, mostrando que, nessa época, ele atinge uma altura maior ao meio-dia solar.

Esse tipo de comparação é uma maneira simples e interessante de acompanhar, na prática, o movimento aparente anual do Sol no céu. Mesmo usando apenas imagens obtidas por uma câmera de céu inteiro, é possível perceber como a altura do Sol ao meio-dia varia ao longo do ano em consequência da inclinação do eixo da Terra e do movimento de translação.



domingo, 20 de setembro de 2026

Moracy Marques Coimbra e a construção de telescópios no MAST

Aos 14 anos de idade, em 1987, frequentei o curso de construção de telescópios do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) e, sob a orientação de  Moracy Marques Coimbra, construí um telescópio newtoniano. Eu era o aluno mais novo do curso.

O MAST fica em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, relativamente longe de onde eu morava, no Horto Florestal. Pegava dois ônibus para chegar ao museu e fazia esse percurso quase todos os dias, de segunda a sábado, durante praticamente um ano inteiro. Foi minha primeira experiência andando sozinho de ônibus para um lugar tão distante de casa.

Minha mãe teve um papel muito importante nessa história, pois me deu total apoio naquela empreitada. Em uma ocasião, chegou a carregar comigo pesadas chapas de aço que seriam utilizadas na construção da montagem equatorial do telescópio. Havíamos comprado o material num sábado, na Rua Bela, em São Cristóvão, numa época em que ainda não existia ali o viaduto da Linha Vermelha. Em outro dia, fomos ao SAARA, no Centro do Rio de Janeiro, comprar os pós abrasivos de carbeto de silício, os chamados carborundos, em granulometrias que iam de 80 a 1500, utilizados no desbaste e refinamento da superfície de vidro do espelho primário.

O professor Coimbra tinha um temperamento difícil e um estilo de condução que, em alguns momentos, podia tornar a convivência complicada. Ainda assim, teve um papel importante na formação de muitos alunos e orientou com sucesso a construção de dezenas de telescópios. Hoje entendo que esse resultado se deveu tanto à sua experiência técnica quanto ao grande empenho dos participantes em concluir seus instrumentos. Também é preciso considerar o contexto dos anos 1980, quando certos comportamentos inadequados eram menos questionados socialmente, embora já fossem problemáticos mesmo naquela época.

Com muita persistência, concluí um telescópio newtoniano de 18 cm f/8. Curiosamente, usei-o muito pouco. Acabei vendendo-o e empreguei parte do dinheiro na compra de um newtoniano de 30 cm f/6, construído pelo saudoso Aguirre, de Vila Valqueire. Esse telescópio permanece comigo até hoje.

Anos mais tarde, soube que o projeto do instrumento construído no curso era inspirado nos célebres telescópios Cave Astrola e que algumas das técnicas empregadas na confecção do espelho primário não estavam entre as mais usuais na construção amadora de telescópios.

Hoje sou astrônomo profissional e professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e continuo considerando aquele curso uma excelente iniciativa do professor Ronaldo Rogério de Freitas Mourão durante sua gestão à frente do MAST.

Para mim, porém, sua importância foi muito além da construção de um telescópio. Sendo ainda tão jovem, aquele curso me colocou em contato direto com óptica, mecânica e astronomia observacional. Também me apresentou a materiais didáticos em língua inglesa, constituindo meu primeiro contato efetivo com o idioma em um contexto científico. 

Lamento que atualmente não existam mais iniciativas desse tipo com a mesma continuidade. Um curso assim pode fazer muito mais do que ensinar alguém a construir um telescópio: pode despertar vocações e estimular a formação prática de futuras gerações de cientistas, engenheiros e astrônomos amadores em nosso país.






Minha Vivência com o Colonialismo Cultural na Ciência

Esta postagem tem um caráter de reflexão e de registro para futuras gerações de cientistas brasileiros. Em 15 de dezembro de 2022...