quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Meu primeiro telescópio

Meu primeiro telescópio foi um refletor newtoniano de 0,3 m f/6, adquirido em 1987 do construtor Aguirre, quando eu tinha 14 anos. Parte do valor foi obtida com a venda de um telescópio newtoniano de 0,18 m f/8, que eu havia montado durante o curso de construção de telescópios do Museu de Astronomia do Rio de Janeiro.

Na configuração original, o telescópio de 0,3 m possuía uma rígida montagem equatorial germânica e pesava mais de 100 kg. Em 1995, ele foi reconstruído pelo construtor Leonel Vianello, de Araraquara (SP). Apenas o espelho primário foi reaproveitado. Apesar de ter apenas uma polegada de espessura, a parábola manteve sua forma mesmo com variações na posição do tubo, o que surpreendeu o Sr. Leonel. Na nova configuração, o telescópio passou a contar com uma montagem altazimutal dobsoniana.

Utilizei esse telescópio para observar, no Rio de Janeiro, os cometas Hale-Bopp e Hyakutake, entre outubro de 1995 e março de 1996.

Já em Salvador, ele foi empregado em diversas sessões de observação pública. A mais marcante ocorreu em agosto de 2003, durante a excepcional aproximação de Marte à Terra. Na ocasião, mais de mil pessoas observaram o planeta por meio desse telescópio, no antigo Shopping Aeroclube.

Atualmente, o telescópio está desmontado e armazenado na casa de minha sogra. Abaixo, apresento algumas imagens da segunda metade da década de 1990 e registros recentes do estado atual do instrumento.

Registros da segunda metade da década de 1990

Telescópio newtoniano de 0,3 m na segunda metade da década de 1990
Telescópio newtoniano de 0,3 m na segunda metade da década de 1990.
Telescópio newtoniano de 0,3 m na segunda metade da década de 1990
Telescópio newtoniano de 0,3 m na segunda metade da década de 1990.
Escalas graduadas do telescópio
O telescópio possuía escalas graduadas em azimute e altura para apontamento. Cogitei fazer a conversão entre o sistema equatorial horário e o sistema azimutal para apontá-lo por coordenadas. No entanto, nunca usei esse procedimento na prática, preferindo fazer o apontamento com o buscador.
Imagem terrestre de árvores no Morro do Sumaré obtida com o telescópio
Imagem terrestre de árvores no Morro do Sumaré obtida com este telescópio. Fotografia por projeção usando uma ocular de 5 mm, aumento de 360× e câmera Zenit 12XS.

Registros atuais do instrumento

Estado atual do telescópio no armazenamento
Estado do telescópio no armazenamento, em 24/06/2026.
Disco de azimute do telescópio
Disco de azimute em 24/06/2026, com desgaste evidente. Vou mandar restaurá-lo em breve.

Como homenagem à memória de Leonel Vianello, reproduzo abaixo o trecho do Boletim Supernovas que registrou a passagem desse excepcional construtor de telescópios:

SUPERNOVAS — BOLETIM BRASILEIRO DE ASTRONOMIA

26 de setembro de 2002 — Edição nº 170

ATRAVÉS DA OCULAR

Morre um dos mais conhecidos construtores de telescópios no Brasil

Faleceu na sexta-feira, 20 de setembro, aos 74 anos de idade, Leonel Vianello (1927–2002), de morte natural. Nascido no dia 10 de outubro de 1927, Vianello era construtor de telescópios astronômicos, fotógrafo profissional e morava no interior de São Paulo, em Araraquara (SP).

Leonel dedicou boa parte de sua vida a essa rara arte de construir artesanalmente instrumentos ópticos de grande precisão, como também montagens, oculares, aranhas, focalizadores e pequenas lunetas. Além de um grande construtor, Leonel era “de um comportamento exemplar e correto sobre as coisas e preocupado com a qualidade de seus produtos”, afirmou Weber Amadeus, amigo, aprendiz e também construtor de telescópios na cidade de Araraquara (SP).

Leonel fabricou mais de 500 telescópios de tamanhos variados, que hoje estão espalhados por praticamente todo o território nacional. “O Leonel deixou a marca dele no Brasil”, afirmou Roberto Silvestre, que possui um observatório em sua própria casa, na cidade de Uberlândia (MG), onde está instalado um telescópio newtoniano construído por Vianello. “Foi uma grande perda”, concluiu o amigo.

O Boletim Supernovas prestou sua homenagem a esse grande construtor brasileiro, cujos telescópios abriram e ainda abrem as janelas do Universo para incontáveis observadores.

Agradecimentos especiais à família e aos amigos.

Carlos Eduardo — Editor do Boletim Supernovas

Uma grande perda

“O Brasil perde um dos maiores colaboradores da Astronomia amadora do país.”

Weber Amadeus, construtor de telescópios e grande amigo de Leonel Vianello, Araraquara (SP).

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