domingo, 8 de janeiro de 2012

Meteoritos de Vesta

Os meteoritos HED — howarditos, eucritos e diogenitos — apresentam composição mineralógica e propriedades espectrais compatíveis com a superfície do asteroide (4) Vesta. Essa associação, proposta inicialmente a partir de observações espectroscópicas, foi posteriormente confirmada pelos dados obtidos pela sonda Dawn, que orbitou Vesta entre 2011 e 2012.

As imagens da Dawn revelaram no hemisfério sul de Vesta a enorme bacia de impacto Rheasilvia, com cerca de 500 km de diâmetro. Em seu interior encontra-se um pico central que se eleva por mais de 20 km em relação às regiões mais baixas da bacia. O impacto que formou Rheasilvia, juntamente com outros grandes impactos sofridos por Vesta, lançou grande quantidade de material ao espaço e está relacionado à formação da família de pequenos asteroides conhecida como Vestoides.

Não é possível afirmar que cada meteorito HED encontrado na Terra tenha sido ejetado diretamente de Rheasilvia. O que os dados da Dawn demonstraram é que Vesta é o corpo parental dos HEDs e que grandes impactos, especialmente no hemisfério sul, forneceram material capaz de escapar do asteroide.

Esses fragmentos também não foram lançados diretamente em trajetórias de colisão com a Terra. Após a ejeção de Vesta, sua evolução orbital pode durar milhões de anos. A combinação de efeitos térmicos, como o efeito Yarkovsky, e de ressonâncias orbitais com os planetas pode transportar pequenos fragmentos do cinturão principal para órbitas que cruzam a região dos planetas terrestres, permitindo que alguns deles acabem atingindo a Terra.

Um exemplo é o meteorito Puerto Lápice, que caiu na Espanha em 10 de maio de 2007. Ele foi classificado como um eucrito brechado e, portanto, pertence ao grupo HED associado a Vesta. Abaixo é apresentado um vídeo da Spanish Meteor Network (SPMN) sobre a queda e sua possível relação dinâmica com Vesta.

O vídeo é anterior à exploração detalhada de Vesta pela missão Dawn e utiliza uma reconstrução da superfície baseada em observações do Telescópio Espacial Hubble. Posteriormente, a Dawn permitiu mapear diretamente a topografia, a mineralogia e a composição da superfície do asteroide com resolução muito superior.



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