quarta-feira, 30 de novembro de 2011

C/2007 W1 (Boattini)

O cometa C/2007 W1 (Boattini) foi observado nos dias 20, 21 e 26 de abril e 4 e 5 de maio de 2008 (UT), em Salvador, utilizando um telescópio Meade 12" LX200 GPS acoplado a uma câmera CCD SBIG ST-7XME. As imagens foram obtidas com tempo de exposição de 30 segundos, sem o uso de filtros. O objetivo das observações foi determinar o período de rotação do núcleo cometário, com base nas variações de brilho da coma. A hipótese considerada é que o nível de atividade do núcleo está relacionado à sua rotação.

A curva de luz obtida encontra-se apresentada na Figura 1. As magnitudes instrumentais do cometa e das estrelas de campo foram determinadas por meio de uma abertura fotométrica correspondente a quatro vezes o valor mediano do seeing estelar. Embora esse critério reduza a relação sinal/ruído, ele impede a introdução de periodicidades espúrias, conforme discutido por Licandro et al. (2000).

A análise dos dados revelou uma periodicidade de 13,51 ± 0,01 horas. No entanto, essa estimativa não é confiável, pois o intervalo observacional total foi limitado a cerca de sete horas, o que sugere que o valor obtido representa, na verdade, um harmônico da duração total das observações. Ainda assim, o resultado indica que há variações de brilho na coma em escalas de tempo da ordem de horas. Como se observa na Figura 1, apesar da dispersão significativa, os dados se agrupam de forma coerente em determinadas fases, o que reforça a presença de modulação real no brilho da coma, possivelmente associada à rotação do núcleo.

O cometa Boattini apresentava uma órbita ligeiramente hiperbólica no momento das observações, sugerindo que ele não estava gravitacionalmente ligado ao Sol. Esse tipo de órbita é típico de objetos recentemente injetados na região planetária a partir da Nuvem de Oort. É provável que sua origem esteja nas regiões mais externas dessa nuvem, tendo sido desestabilizado por perturbações gravitacionais causadas por estrelas próximas. Essa hipótese é compatível com modelos dinâmicos que explicam a chegada de cometas novos ao Sistema Solar interno. Em estudo mais recente, Wiegert et al. (2011) associaram a chuva de meteoros Cratenídeos Diurnos ao cometa C/2007 W1.


Fig.1 -Curva de luz de C/2007 W1 em termos de fase rotacional.

Cometa Boattini (elípse) em 20/04/2008 UT.
 A  "rosquinha"  na parte inferior da imagem é oriundo do padrão de difração da luz espalhada por algum
 grão de poeira no CCD.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Kitt Peak pode fechar com cortes no orçamento da NSF

O observatório Kitt Peak no Arizona (EUA) podera ser fechado em função de uma redução de 10-20% no orçamento da NOAO. O objetivo da NSF  é manter programas como o observatório Gemini e o conjunto de radio-telescópios ALMA. Uma página do NOAO foi criada descrevendo o problema e sugerindo que os usuários se manifestem apoiando a manutenção do observatório. 


1999 AQ10

O asteroide próximo da Terra (NEA) 1999 AQ10 foi observado em 16 de fevereiro de 2009 (UT), com um telescópio Meade LX200 GPS de 12", equipado com uma câmera CCD SBIG ST-7XME. Foram obtidas 155 imagens sem filtro fotométrico, de modo a maximizar a relação sinal/ruído.

A análise da curva de luz resultou em um período de rotação de 2,79 ± 0,02 horas e amplitude de 0,205 ± 0,005 mag. Uma curva de luz alternativa foi obtida por S. Casulli.

Espectro de potência utilizado na determinação do período de rotação do asteroide 1999 AQ10
Espectro de potência utilizado na busca pelo período de rotação mais provável.

Curva de luz do asteroide 1999 AQ10 ajustada ao período de 2,79 horas
Curva de luz de 1999 AQ10 ajustada a um período de 2,79 ± 0,02 horas.

sábado, 26 de novembro de 2011

Canhão Atômico

O uso de canhões para lançar armas nucleares foi uma realidade durante quase 40 anos nos arsenais dos EUA e da URSS. Essas armas foram desenvolvidas para serem utilizadas contra inimigos próximos. O primeiro canhão a disparar uma bomba nuclear foi a "Atomic Annie". Esta arma era um canhão de 11 polegadas, capaz de lançar um projétil de 364 kg a uma distância de 11 km. O projétil em questão era uma bomba nuclear de urânio, cujo princípio de funcionamento era semelhante ao da bomba lançada sobre Hiroshima. A energia liberada era de 15 quilotons de TNT, equivalente à bomba de Hiroshima, porém com apenas 8% de sua massa.

No total, 20 unidades da "Atomic Annie" foram construídas e posicionadas na Coreia e na Europa. Felizmente, essas armas nunca foram utilizadas em combate. O canhão tornou-se obsoleto quando a miniaturização das armas nucleares permitiu a criação de projéteis que podiam ser disparados por canhões convencionais, como o M110. Abaixo, você encontrará o vídeo do primeiro teste da "Atomic Annie", realizado em maio de 1953:




sexta-feira, 25 de novembro de 2011

RBDM14 - Um meteoro, um avião e um inseto

O meteoro RBDM14 foi detectado às 03:49 (06:49 UT) do dia 08/07/2011. O pico de magnitude apresentado pelo objeto foi de -2,7. No campo, também foram registrados o movimento de um avião e um inseto que estava andando sobre o domo da câmera.




BFN14 (seta negra) no pico de magnitude.
O avião é indicado pela seta vermelha.

Curva de luz instrumental de BFN14. O ajuste é polinomial.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sondas Espaciais Extraterrenas

Uma possibilidade discutida no contexto da busca por inteligência extraterrestre (SETI) é que uma civilização tecnologicamente avançada utilize sondas como meio de transmitir informações ou explorar outros sistemas planetários.

A partir de 1979, Robert A. Freitas Jr. e Francisco Valdes realizaram buscas por objetos naturais ou artificiais em regiões dinamicamente interessantes próximas à Terra. A primeira campanha concentrou-se nos pontos de Lagrange L4 e L5 do sistema Terra-Lua e em órbitas associadas. Uma busca posterior, realizada entre 1981 e 1982, examinou também outras regiões do sistema Terra-Lua e o ponto L2 do sistema Sol-Terra. Nenhum objeto artificial ou natural desconhecido foi detectado.

Em 6 de novembro de 1991, o projeto Spacewatch descobriu o pequeno objeto próximo da Terra 1991 VG, com dimensões estimadas da ordem de 10 metros. Sua órbita, muito semelhante à da Terra, e as rápidas variações de brilho observadas durante sua aproximação despertaram inicialmente especulações sobre uma possível origem artificial, incluindo a hipótese de que pudesse ser um artefato extraterrestre.

Estudos posteriores mostraram que não há evidências que exijam uma origem artificial para 1991 VG. Sua dinâmica é compatível com a de um pequeno objeto natural próximo da Terra. A possibilidade de ser material ejetado da Lua por um impacto também já foi proposta, mas sua origem exata permanece incerta.

A ideia de sondas extraterrestres utilizadas para transmitir informações ou estabelecer contato também aparece com frequência na ficção científica. Dois exemplos são os episódios The Inner Light e The Nth Degree, de Star Trek: The Next Generation, nos quais sondas alienígenas desempenham papéis centrais na narrativa.

Trailer de The Inner Light.

Trailer de The Nth Degree.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

2008 BT18

O asteroide binário (450894) 2008 BT18 foi observado em Salvador entre 24 e 26 de julho de 2008 (UT), poucas semanas depois de observações de radar realizadas em Arecibo e Goldstone revelarem que o objeto era um sistema binário. O componente principal tem cerca de 600 m de diâmetro, enquanto o secundário possui mais de 200 m. No artigo que publiquei posteriormente com Alberto Brum Novaes, foram reportadas 452 imagens CCD obtidas no filtro V, cada uma com 30 s de exposição.

A análise fotométrica, realizada com séries de Fourier pelo programa MPO Canopus, forneceu um período sinódico de rotação de 2,726 ± 0,007 h e uma amplitude extremamente pequena, de apenas 0,045 ± 0,002 mag. Na mesma época, Pravec havia obtido um período de aproximadamente 2,57 h. A diferença entre as duas determinações é pequena, cerca de 9,3 minutos, mas a baixíssima amplitude da curva de luz e a natureza binária do objeto tornam a interpretação da fotometria particularmente difícil.

A pequena amplitude me levou, já naquela época, a considerar a possibilidade de estarmos observando o componente principal com seu eixo de rotação próximo à nossa linha de visada. Nesse caso, mesmo um corpo não perfeitamente esférico poderia apresentar variações muito pequenas de brilho ao girar. Anos depois, essa hipótese ganhou um elemento interessante: em 2018, Brian Warner analisou novas observações de 2008 BT18 e encontrou uma componente fotométrica de aproximadamente 2,55 h, em bom acordo com a determinação de Pravec, mas também uma modulação muito mais longa, de 44,01 h. Warner discutiu justamente a possibilidade de o componente principal estar sendo observado quase pelo polo, enquanto a variação de longo período poderia estar relacionada à rotação de um satélite alongado, possivelmente sincronizada com seu movimento orbital.

Há ainda outro capítulo interessante nessa história. A Asteroid Lightcurve Database (LCDB) passou a registrar minha determinação de 2,726 h com código de qualidade U=1. É importante esclarecer o significado dessa classificação: o código U é uma avaliação da confiabilidade da solução de período, e não simplesmente da qualidade dos dados. Pela definição atual da própria LCDB, U=1 é usado quando a solução pode estar errada e quando a variação interpretada como rotacional poderia, em princípio, resultar de ruído ou de erros de calibração. A meu ver, essa classificação é excessivamente pessimista neste caso e, principalmente, não pode ser justificada apenas pela existência da solução de 2,5702 h.

Isso ficou ainda mais evidente em 2019. Em sua dissertação de mestrado sobre modelagem tridimensional de asteroides próximos da Terra, Jonatan Michimani García aplicou técnicas de inversão de curvas de luz aos dados disponíveis para 2008 BT18. O menor valor de χ² em sua busca de período ocorreu em 2,72532 h. A diferença em relação ao valor que publicamos dez anos antes, 2,726 h, é de apenas 0,00068 h, ou cerca de 2,45 segundos, muito menor do que a incerteza de ±0,007 h da determinação original. Michimani ressaltou, contudo, que a natureza binária do sistema dificulta a inversão e que são necessárias mais curvas de luz, obtidas em diferentes geometrias e aparições, para estabelecer de maneira definitiva sua forma, orientação do eixo e períodos envolvidos.

Portanto, a história de 2008 BT18 é mais interessante do que simplesmente escolher entre 2,57 h e 2,726 h. Trata-se de um sistema binário, observado com amplitude fotométrica muito pequena, no qual diferentes conjuntos de dados revelaram componentes próximas de 2,55–2,57 h, uma solução próxima de 2,726 h e uma modulação de aproximadamente 44 h. O próprio caráter binário e uma possível geometria próxima à observação polar podem explicar parte dessa complexidade. O resultado que obtivemos em Salvador continua, assim, sendo uma peça relevante desse quebra-cabeça.

Também determinei a curva de fase do objeto utilizando nossas magnitudes e medidas publicadas pelo Minor Planet Center. Quando H e G foram ajustados simultaneamente, obtivemos H = 18,2 ± 0,2 e G = 0,2 ± 0,1. Com esses valores e o albedo adotado para um asteroide do tipo V, estimamos um diâmetro de aproximadamente 0,51 km, em bom acordo com o valor de cerca de 0,6 km obtido por radar. Esses resultados foram publicados em 2009 no Minor Planet Bulletin e podem ser consultados no NASA ADS.

Curva de luz do asteroide binário 2008 BT18
Curva de luz de 2008 BT18 em função da fase rotacional, ajustada com
um período de 2,726 ± 0,007 h. A linha contínua representa o ajuste
por uma série de Fourier de quarta ordem.

Curva de fase H-G do asteroide 2008 BT18
Curva de fase H-G de 2008 BT18. A curva preta corresponde ao melhor ajuste,
com H = 18,2 ± 0,2 e G = 0,2 ± 0,1. A curva vermelha representa a solução
obtida adotando G = 0,36, valor considerado para um asteroide do tipo V.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O astrônomo recomenda: "Deep Impact"

O filme “Deep Impact” (1998) é um dos dois filmes-catástrofe lançados após a colisão do cometa Shoemaker–Levy 9 com Júpiter. Eu gosto do filme apesar de algumas “liberdades poéticas” feitas para torná-lo mais dinâmico.

Uma cena incoerente mostra um astrônomo profissional que, ao obter uma única imagem de um novo cometa, conclui que o objeto colidiria com a Terra. Isso está errado. No caso do asteroide Apophis, foram anos de observação para determinar sua órbita com exatidão suficiente para excluir o risco de colisão. Este objeto terá uma passagem a menos de 50 000 km da Terra em 2029.

Outra liberdade foi a nave “Messiah”. O sistema de propulsão é do tipo pulso nuclear: uma série de bombas é detonada atrás da nave e a pressão de radiação, agindo em uma placa, impulsiona o veículo para frente. O responsável pelo sistema no filme é russo, mas quem concebeu e testou protótipos foram pesquisadores dos EUA; não houve desenvolvimento equivalente na URSS/Rússia. A placa também parece pequena, e nas duas ocasiões em que o motor é acionado apenas uma bomba é mostrada.

Outros deslizes são discutidos no Bad Astronomy. De qualquer forma, recomendo o filme. Boa diversão para um sábado chuvoso em casa.

Um dos trailers do filme


domingo, 20 de novembro de 2011

Um meteoro com uma bela curva de luz

Este meteoro foi detectado em 11/07/2011 às 04:28 (07:28 UT). Este objeto apresentou uma curva de luz tipo "hat" (chapéu). Pela sua pequena velocidade angular e posição no céu, foi possível registrar todas as fases de evolução do brilho do meteoro.




 Instante do pico de brilho do meteoro




sábado, 19 de novembro de 2011

2005 YU55

Duas animações de 2005 YU55. Estas animações são baseadas em reconstruções de sinais radar refletidos pela superfície deste NEA. O período de rotação de 2005 YU55 é de 16,5h  e não ~18h como mencionado no começo do segundo vídeo.



sexta-feira, 18 de novembro de 2011

2007 XH16

Curva de luz do asteroide próximo da Terra 2007 XH16. O objeto foi observado em Salvador nos dias 21 e 22 de dezembro de 2007 (UT), durante aproximadamente 5 horas no total. As observações foram realizadas com um telescópio Meade LX200 GPS de 12", equipado com uma câmera CCD SBIG ST-7XME e filtro Bessell R.

O período de rotação determinado foi de 3,75 ± 0,02 horas. A curva apresenta dispersão considerável em algumas faixas da fase rotacional, provavelmente associada às condições atmosféricas e à calibração relativa entre as diferentes sessões de observação. Apesar disso, a modulação global é bem definida e compatível com a rotação de um asteroide de forma alongada.

Uma curva de luz alternativa foi obtida por S. Casulli e A. Vagnozzi.

Curva de luz do asteroide 2007 XH16 ajustada ao período de 3,75 horas
Curva de luz de 2007 XH16 ajustada a um período de 3,75 ± 0,02 horas.
O eixo horizontal representa a fase rotacional.

Curva de luz do asteroide 2007 XH16 obtida em 22 de dezembro de 2007 UT
Curva de luz de 2007 XH16 em 22/12/2007 (UT).
O eixo horizontal representa a fração do dia.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Evidências de água líquida em Europa (satélite de Júpiter)

Uma análise de dados obtidos pela sonda Galileu sugere que estruturas conhecidas como "chaos" são associadas a bolsões de água líquida na crosta de gelo de Europa. Estes reservatórios tem uma quantidade de água semelhante a dos Grandes Lagos na fronteira dos EUA e Canada. O "press release" da NASA TV sobre esta descoberta segue abaixo:




quarta-feira, 16 de novembro de 2011

RBDM35 - O meteoro mais brilhante detectado até o momento

O meteoro mais brilhante detectado até esta postagem foi o RBDM35. Este meteoro foi detectado em 02:38 (05:38 UT) de 19/08/2011. O pico de brilho deste objeto foi -4,4. A Lua (-10,99) e Júpiter (-2,56) são visíveis na direita da imagem.





terça-feira, 15 de novembro de 2011

(1044) Teutonia

Minha primeira curva de luz obtida em Salvador

Este programa observacional tem como objetivo determinar períodos de rotação de asteroides e cometas. O primeiro alvo observado foi o asteroide do cinturão principal (1044) Teutonia. As observações foram realizadas em 8 e 9 de junho de 2007 (UT), totalizando aproximadamente 4 horas, com um telescópio Meade LX200 GPS de 12", equipado com uma câmera CCD SBIG ST-7XME e filtro Bessell R. O tempo de exposição foi de 20 segundos por imagem.

A curva de luz apresentada abaixo foi gerada com o programa MPO Canopus e corresponde a uma revisão da curva originalmente publicada no Minor Planet Bulletin (MPBu). Uma curva de luz independente, obtida anteriormente por R. Roy, encontra-se disponível nos arquivos do CdR & CdL.


Curva de luz de (1044) Teutonia obtida a partir das observações de 8 e 9 de junho de 2007 (UT).

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Possível Meteoro Oriônida - 21/10/2011 (UT)

Um possível meteoro da chuva das Oriônidas foi registrado pela câmera all-sky do Observatório do Pico dos Dias, em Brazópolis (MG), na madrugada de 21 de outubro de 2011. A câmera operava durante a noite, obtendo imagens com exposições de 60 segundos.

O meteoro aparece no quadro registrado às 02:43. A direção aparente de sua trajetória é compatível com o radiante das Oriônidas, chuva de meteoros ativa nesse período. Como o registro foi obtido por uma única câmera e não dispõe de uma determinação independente da trajetória e da velocidade do meteoro, a associação com as Oriônidas deve ser considerada provável, mas não conclusiva.

Pela comparação de seu brilho com as estrelas do Cinturão de Órion, a magnitude aparente máxima foi estimada em aproximadamente 2. O evento foi identificado por meio da inspeção visual de algumas dezenas de imagens do banco de dados da câmera.

A grande mancha luminosa visível nas imagens é causada pela presença da Lua no campo da câmera.

Imagem all-sky obtida antes do registro do meteoro em 21 de outubro de 2011
02:42 — imagem obtida imediatamente antes do registro do meteoro.

Possível meteoro Oriônida registrado pela câmera all-sky do Observatório do Pico dos Dias
02:43 — possível meteoro Oriônida indicado pela seta.

Imagem all-sky obtida após o registro do meteoro em 21 de outubro de 2011
02:44 — imagem obtida imediatamente após o registro do meteoro.

domingo, 13 de novembro de 2011

Cosmos: A Personal Voyage

Vi a série Cosmos, de Carl Sagan, em diversas reprises exibidas pela Rede Globo ao longo dos anos 1980. A forma como apresentava a Astronomia mudou minha trajetória: tornei-me bacharel em Astronomia pela conexão com o universo que essa série despertou em mim.

Hoje, porém, revejo Cosmos com certa reserva quanto ao tom político e à narrativa, por vezes ufanista. Incomoda a exaltação de colonizadores europeus como heróis iluministas, sem o devido contexto de dominação e violência. Não atribuo má-fé a Sagan; entendo isso como reflexo da cultura científica do século XX. Por coincidência, acabei seguindo para as ciências planetárias, área em que Sagan também atuou.

Card de abertura de Cosmos
Card de abertura. Fonte: Wikipedia.

sábado, 12 de novembro de 2011

Objetos de Céu Profundo (Deep Sky) - 10/02/2008

Astrofotografias obtidas em Salvador (Bahia) em 10/02/2008 UT, utilizando um filtro Bessell V ou R, uma câmera CCD SBIG ST-7XME e um telescópio Meade 12" LX200. As imagens resultam da soma de 10 exposições de 15 segundos cada, alinhadas e combinadas com o uso do software IRIS.

Nesta mesma sessão observacional, foram obtidos dados que foram utilizados em um artigo sobre o asteroide trinário 2001 SN263.


M-64

M-88

M-100

M-104 - As estrelas estão alongadas em função de vibrações
 induzidas pelo vento no telescópio.

NGC-3372 (Nebulosa de Eta Carine)

NGC-5053

NGC-5128 (Centauro A)

NGC-5139 (Ômega Centauro)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Satélites SWIFT, SL-6B e NOSS 3-4 (A&C) - 26/05/2011

SJ-6B -(órbita quasi-polar - seta vermelha); SWIFT (órbita quasi-equatorial - seta verde) e NOSS 3-4 (A &  C) (órbita quasi-polar - setas negra e branca). Fotos obtidas com uma câmera Nikon D80 e 15s de exposição. As constelações do Escorpião e Sagitário são visíveis próximas aos centros das imagens.

04:29 (07:29 UT)

04:30 (07:30 UT) - Satélite desconhecido na parte
 inferior da imagem (seta negra). Na parte superior, temos o SJ-6B e
 os NOSS 3-4 (A&C)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

17P/Holmes - 27/10/2007 UT

Imagem CCD com 10 segundos de exposição, registrando uma fase do outburst do cometa 17P/Holmes. A imagem foi obtida com filtro Bessell V, utilizando uma câmera CCD SBIG ST-7XME acoplada a um telescópio Meade 12" LX200 GPS. As observações foram realizadas no bairro do Barbalho, em Salvador.

Imagem CCD do cometa Holmes
Imagem original
A imagem anterior foi processada com o filtro Larson–Sekanina, no programa IRIS. Uma estrutura em forma de leque (fan) emerge do ponto de maior brilho da coma. Compare esta imagem com a Figura 4c (segunda linha) de Li et al. (2009), obtida cerca de seis horas antes.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

HST - 02/04/2011

Passagem do Hubble Space Telescope (HST) registrada em 02/04/2011 às 19:43 (22:43 UT).

Pôr-do-Sol do dia da observação

Trajetória do HST entre as constelações da Lebre e Órion

Imagem anterior corrigida do gradiente do céu

Órbita do HST. Visão em um plano paralelo à órbita. Fonte: Heavens Above

Órbita do HST. Visão sobre o satélite.

Planisfério celeste com a trajetória do HST.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Um meteoro com curva de luz extraordinária

31º meteoro registrado pela câmera grande angular instalada em meu antigo apartamento, no Barbalho, em 22/07/2011, às 03:39 (06:39 UT).

A curva de luz apresenta um comportamento incomum. Após uma rápida diminuição do brilho nos primeiros 0,2 s, causada pela passagem do meteoro atrás de nuvens baixas, observa-se uma recuperação abrupta, seguida por uma intensidade aproximadamente estável até o final da detecção. As setas indicam a correspondência entre momentos específicos da curva de luz e a posição do meteoro no quadro.

A última imagem mostra a sobreposição da curva de luz com um dos quadros da gravação. O meteoro atravessou todo o campo da câmera no sentido sul–norte, seguindo uma trajetória quase paralela ao horizonte.

Esse comportamento fotométrico, associado à duração relativamente longa do evento, de aproximadamente 0,9 s, e à ausência de fragmentação visível, é compatível com a hipótese de um meteoro rasante terrestre. Nesse tipo de evento, o meteoroide penetra na atmosfera em um ângulo muito raso, permanecendo por mais tempo nas camadas superiores antes de desaparecer do campo de visão.

A hipótese de reentrada de lixo espacial parece menos provável, principalmente pela curta duração do fenômeno e pela ausência de fragmentação múltipla característica de muitas reentradas.




    Soma de cinco frames de 0,033s.


Curva de luz instrumental

Correlação entre o movimento do meteoro e a magnitude na curva de luz.
Entre os instantes 0,1 e 0,2s, o meteoro estava atrás de nuvens.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Cosmos 773 (Rocket) - 26/04/2011

Astrofotografia de um dos estágios do foguete Kosmos-3M (11K65M), que lançou o satélite Cosmos 773 (Strella 2M), obtida em 26/04/2011 às 05:04 (08:04 UT). Minha Nikon D80 foi ajustada em objetiva de 35 mm f/5.6 e 20 s de exposição.


Imagem original - A trajetória do satélite é indicada por uma seta vermelha.
 A constelação do Escorpião ocupa  praticamente todo o campo. 

Mesma imagem com correção de gradiente do fundo de céu.
Este tratamento foi feito com o software IRIS.

Foguete Kosmos 11K65M.  Provavelmente, o estágio fotografado deve ser  a parte
do foguete mais próxima ao cone aerodinâmico.

Ground Pass do Cosmos 773 (Rocket) sobre o NE do Brasil

RBDM27 - A Flickering Meteor

O meteoro RBDM27 foi registrado em 15/07/2011 às 20:41 (23:41 UT). Este meteoro apresentou variações quase periódicas de brilho que podem ser causadas pela fragmentação ou pela rotação do meteoróide. O pico de magnitude V foi -0,7.


Curva de Luz Instrumental de BFN27

Curva de Luz calibrada no filtro Johnson-Cousins V

domingo, 6 de novembro de 2011

Gorch-Fock - 06/11/2010

Em 06/11/2010, visitei o navio-escola alemão Gorch Fock durante uma parada em Salvador para troca de parte da tripulação e reabastecimento. No dia seguinte, infelizmente, uma aspirante a oficial caiu de um mastro do navio e faleceu no antigo Hospital Espanhol.

Uma das fotos que estou compartilhando pode ter registrado os últimos momentos da aspirante. Deixo aqui minhas condolências à família e aos amigos da jovem.







































Há um IL-76 (cargueiro soviético/russo) nesta foto

Nesta também





















Minha Vivência com o Colonialismo Cultural na Ciência

  Esta postagem tem um caráter de reflexão e registro para futuras gerações de cientistas brasileiros. Em 15 de dezembro de 2022, enviei uma...