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terça-feira, 23 de junho de 2026

Aglomerados globulares e galáxias vistos com o eVscope 2

Registros de objetos astronômicos de céu profundo obtidos com um telescópio eVscope 2, da Unistellar, em 21/06/2026, a partir do bairro de Santo Antônio, no Centro Histórico de Salvador.

Os nomes dos objetos e as especificações das imagens estão indicados nas próprias imagens. O tipo de objeto é informado em cada legenda.


M80 — aglomerado globular na constelação do Escorpião.
A claridade à direita da imagem foi causada por luz refletida em bandeirolas de São João.

M10 — aglomerado globular na constelação do Serpentário.

M4 — aglomerado globular na constelação do Escorpião.

NGC 5139, Ômega Centauri — aglomerado globular na constelação do Centauro.

NGC 5128, Centaurus A — galáxia e rádio-fonte na constelação do Centauro.


domingo, 8 de fevereiro de 2026

Testes com o telescópio Unistellar do Planetário da UFBA

Registro de alguns objetos astronômicos visíveis de Salvador nas noites de 06, 08 e 10/02/2026, usando um telescópio Unistellar eVscope 2. As imagens são bastante automatizadas, o que reduz um pouco o lado “mão na massa” da astronomia amadora: localizar o objeto no céu, capturar a sequência e processar os dados no computador. Para uso científico, porém, essa praticidade é justamente o que me interessa.

Os nomes dos objetos e os parâmetros técnicos de aquisição estão nas próprias imagens. O tipo de objeto (por exemplo, aglomerado aberto ou nebulosa) e os números de catálogo aparecem nas legendas. Segundo o site Astrometry, o campo de visão é de 39,7 × 39,7 minutos de arco, o que significa que a Lua inteira cabe com folga em uma única imagem obtida com esse telescópio.

Nebulosa NGC-1977 - Órion.

Nebulosa M-42 - Órion.

Aglomerado aberto M-41 - Cão Maior.

Aglomeraddo aberto M-38 - Cocheiro.

Aglomerado aberto M-37 - Cocheiro

Aglomerado aberto M-35 - Gêmeos.


Nebulosa NGC-2024 - Órion.


Galáxia NGC-5128 - Centauro.

Aglomerado Globular NGC-5139 - Centauro.

Aglomerado aberto NGC-4755 - Cruzeiro do Sul.

Lua crescente e a uma altura inferior a 20° acima
do horizonte,o que justifica o tom avermelhado da imagem.


Nebulosa NGC-3372 - Carina.


Galáxia NGC-2280 - Cão Maior.

Aglomerado aberto NGC-2516 - Carina.


Nebulosa M-1 - Touro.

Aquela velha perguntinha: o que é o universo, afinal

Foto de um globo de vidro com a representação de uma galáxia espiral, que me lembrou muito o final de Men in Black (1997). Não resisti e resolvi reproduzir.

Por mais louco que pareça, ciência não é lugar para descartar uma ideia só porque ela soa absurda. O critério não é “parece estranho”, é “dá para confrontar com o que observamos?”. E como observamos uma parte muito pequena do universo, é bem provável que nossas hipóteses também sejam pequenas e provisórias. É como uma formiga tentando entender o mundo inteiro andando no meio de um deserto.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Big Bang


Edwin Hubble e a câmera Schmidt de 48 polegadas do Observatório Palomar (EUA).

O modelo do Big Bang descreve o Universo evoluindo a partir de um estado inicial extremamente quente e denso. Não se tratou de uma explosão ocorrendo em algum ponto do espaço, mas da expansão do próprio Universo.

Nos primeiros instantes formaram-se as partículas que constituiriam a matéria. Durante os primeiros minutos ocorreu a nucleossíntese primordial, responsável principalmente pela formação de núcleos de hidrogênio e hélio, além de pequenas quantidades de outros núcleos leves, como o lítio. Com a expansão, o Universo continuou a esfriar e, centenas de milhões de anos depois, formaram-se as primeiras estrelas e galáxias.

As observações realizadas no início do século XX mostraram que, em geral, quanto mais distante uma galáxia está, maior é o deslocamento de suas linhas espectrais para o vermelho. Edwin Hubble estabeleceu observacionalmente uma relação aproximadamente linear entre a distância das galáxias e suas velocidades de recessão, utilizando também medidas espectroscópicas obtidas anteriormente por outros astrônomos. Essa relação tornou-se uma das principais evidências observacionais da expansão do Universo.

Em cosmologia, o deslocamento para o vermelho das galáxias distantes é interpretado principalmente como consequência da expansão do Universo. Para galáxias relativamente próximas, ou seja, em baixos valores de redshift, pode-se associar aproximadamente esse deslocamento a uma velocidade de recessão.

A relação local, conhecida atualmente como lei de Hubble–Lemaître, pode ser escrita como:

v = H0 · r

onde v é a velocidade de recessão, em km/s, r é a distância, em Mpc*, e H0 é a constante de Hubble. Diferentes métodos de determinação de H0 fornecem atualmente valores aproximadamente entre 67 e 74 km/s/Mpc, diferença conhecida como “tensão de Hubble”.

Para medir distâncias extragalácticas, os astrônomos utilizam uma sequência de métodos conhecida como escada de distâncias cósmicas. Entre seus principais indicadores estão as estrelas Cefeidas e as supernovas do tipo Ia, estas últimas utilizadas como fontes de luminosidade padronizável. Por definição, a magnitude absoluta de um objeto corresponde à magnitude aparente que ele teria se estivesse situado a uma distância de 10 parsecs.

As melhores estimativas cosmológicas indicam que o Universo possui cerca de 13,8 bilhões de anos.


* 1 Mpc ≈ 3,26 milhões de anos-luz.
** 10 pc ≈ 32,6 anos-luz.

terça-feira, 2 de agosto de 2022

M-51

Imagem CCD com 20 segundos de exposição da galáxia M51, obtida em 1º de abril de 2007 (hora local, UT−3 h), em Salvador. O registro foi feito com um telescópio Meade LX200 GPS de 0,3 m de abertura, acoplado a uma CCD SBIG ST-7XME Deluxe e filtro Bessel R.



segunda-feira, 23 de junho de 2014

O astrônomo leu "No Reino dos Astrônomos Cegos"

Há duas semanas, terminei de ler o livro "No Reino dos Astrônomos Cegos" de Ulisses Capozzoli (Ed. Record, 2005). Considerei um excelente livro destacando alguns aspectos que me chamaram a atenção:

i) Nos capítulos 1 a 9, o autor faz uma excelente apresentação da história da radioastronomia, abordando a correlação entre a evolução instrumental e conceitual que permitiu caracterizar as fontes detectadas no céu. Para isso, o autor associa essa evolução essencialmente às pesquisas realizadas no Reino Unido (e na Austrália) e nos EUA. Não questiono a escolha dessa linha do tempo, que é a mais fartamente documentada, e é inegável que pesquisadores desses países tiveram um papel decisivo na evolução da radioastronomia. Suas descobertas mudaram nossa visão do cosmos. Entretanto, esperava encontrar alguns trechos sobre a história da radioastronomia na URSS e no Japão. O desenvolvimento desta ciência nesses dois países é pouco conhecido até por profissionais da área. No caso da URSS, há apenas algumas passagens, como a menção a um satélite científico soviético lançado para estudar a anisotropia na radiação de fundo cósmico, alguns anos antes do COBE. A URSS não teria um programa espacial tão significativo sem uma rede de radiotelescópios para comunicação interplanetária. Esses instrumentos tinham uso dual. Em relação ao Japão, o livro menciona apenas que um survey da Via Láctea, na banda do gás monóxido de carbono, frustrou um projeto equivalente que seria realizado por pesquisadores do IAG.

ii) O autor se esforça para explicar conceitos físicos que não são triviais, como a emissão de 21 cm do hidrogênio. Não há erros, mas percebi que o autor se deteve muito, talvez de forma desnecessária, na descrição da geração dessa radiação (seis páginas usando enfoques ligeiramente diferentes).

iii) Uma brilhante descrição da evolução da radioastronomia brasileira é feita nos capítulos 10 a 16. Como bom contador de histórias, o autor descreve de maneira fluida e atraente como a radioastronomia brasileira nasceu a partir de um grupo de entusiastas no final da década de 1950, atingindo seu ápice cerca de 10 a 15 anos depois. Essa descrição é feita a partir de entrevistas com os protagonistas, o que pode representar uma visão mais fidedigna dos fatos. O livro se encerra de maneira igualmente interessante, sugerindo as origens dos altos e baixos da radioastronomia em nosso país.

Recomendo a leitura para quem deseja entender a razão pela qual é tão difícil fazer ciência de qualidade e competitiva no Brasil.

Capa do livro - Galáxia NGC-5128, uma excepcional
radiofonte do hemisfério sul celeste.


sábado, 8 de fevereiro de 2014

SN 2014G em NGC-3448

Imagem CCD LRGB da supernova do tipo II-L que surgiu na galáxia NGC 3448. O registro foi obtido através do telescópio "Dome 2" do Observatório Slooh, nas Ilhas Canárias (Espanha). A magnitude V do objeto foi de 14,60 ± 0,02 no momento do registro.


Animação mostrando a posição do objeto em NGC-3448. A primeira
imagem foi obtida no DSS1. O alinhamento das imagens foi efetuado com
o programa "IRIS".



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Supernova SN 2014J em M-82

Uma brilhante supernova tipo IA foi descoberta na galáxia M-82 em 21-01-2013 UT. Supernovas tipo IA são denominadas de "velas cósmicas" pois, se considera que todos os objetos desta classe possuem um mesmo brilho intrínseco (magnitude absoluta). Como a magnitude diminui com o inverso do quadrado da distância, a distância de SN 2014J até a Via Láctea pode ser estimada.  Entretanto, estes objetos podem não serem todos iguais. Deste modo, a hipótese de "velas cósmicas" para todas as Ia pode ser incorreta. SN 2014J mostra sinais de não ter um comportamento usual de outras supernovas Ia. O registro da supernova (seta) foi obtido através do telescópio "Dome 2" do Observatório Slooh das Ilhas Canárias. A magnitude do objeto era próxima de 11 no instante do registro.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

SN 2013HJ

Imagem CCD LRGB da supernova SN 2013HJ (seta) obtida através do telescópio "dome 2" do Observatório Slooh nas Ilhas Canárias (Espanha).  Esta supernova é do tipo II e possuia magnitude V próxima de 14,5 no instante do registro. O objeto é associado a galáxia MCG-2-24-3, que não é visível na imagem.


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Supernova em M-74

Uma supernova tipo IIP foi descoberta em 25-07-2013 UT na galáxia espiral M-74. Obtive uma imagem do objeto (seta) através do telescópio "Dome 2" do Observatório Slooh das Ilhas Canárias (Espanha). A magnitude V da supernova era próxima de 12.5 no instante do registro.



sábado, 22 de junho de 2013

NGC-5866

Imagem CCD LRGB da galáxia espiral (ou lenticular) NGC-5866. A imagem foi obtida através do telescópio "Dome 2" do Observatório Slooh das Ilhas Canárias (Espanha).



domingo, 19 de maio de 2013

PSN J13151481-1757556 = SN 2013 CS

Imagem CCD LRGB da supernova PSN J13151481-1757556 na galáxia ESO 576-017. Registro obtido através do telescópio "dome 2" do Observatório Slooh das Ilhas Canárias (Espanha).




Imagem DSS e Slooh mostrando a posição da supernova.

domingo, 12 de maio de 2013

M-63

Imagem CCD LRGB da galáxia espiral M-63. O registro foi obtido com o telescópio "dome 2" do Observatório Slooh da Ilhas Canárias (Espanha).




domingo, 14 de abril de 2013

63P/Wild 1 - Movimento próprio

Movimento próprio do cometa 63P no céu durante três horas de observação (indicado pelas setas), em 07 de abril de 2013 UT. A imagem é uma superposição de doze imagens CCD RGB, cada uma com 20 segundos de exposição. As observações foram realizadas com o telescópio "Dome 2" do Observatório Slooh, localizado nas Ilhas Canárias, na Espanha. A galáxia espiral situada no canto inferior direito da imagem é a UGC-5165. A magnitude V do cometa no momento da captura da primeira sequência RGB (seta inferior na imagem) era 14,36 ± 0,01.



sábado, 21 de abril de 2012

LBV em NGC-5775

Uma LBV foi descoberta em 27-03-2012 UT pelo CRTS. Esta estrela foi detectada na galáxia espiral NGC-5775. Obtive uma imagem CCD deste galáxia em 21-04-2012 UT no Observatório Slooh nas Ilhas Canárias (Espanha).

Imagem Original

Zoom da imagem anterior com uma seta indicativa da posição da LBV.
A magnitude da estrela é da ordem  de 18.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Supernova 2012AW

Imagem da supernova 2012AW associada a galáxia M-95. Este objeto foi descoberto em 17-03-2012 UT por três observadores europeus. Espectros obtidos indicam que se trata de uma supernova do tipo II, tendo sido descoberta alguns dias após o colapso do núcleo. A magnitude visual do objeto era ~13 no instante da obtenção desta imagem. Esta imagem foi através do telescópio "Dome 1" do Slooh nas Ilhas Canárias (Espanha).

Imagem original

Imagem antes do evento. Campo de 15`x15`. Fonte: DSS.


Imagem obtida no Slooh. O alinhamento das imagens foi obtido com o software IRIS. Note
que algumas estrelas se deslocaram entre as imagens. A razão pode ser atribuída ao movimento
próprio destes objetos no céu.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Algumas Imagens de 1995

No ano de 1995, realizei duas missões de observação no LNA. Nessas ocasiões, utilizei o telescópio Boller & Chivens de 0,6 m f/13,5, pertencente à USP. Ao final de uma das noites de observação, obtive imagens CCD com tempo de exposição de 300 segundos, utilizando um filtro quasi-Johnson-Cousins R, do aglomerado globular Palomar 15 (1) e da galáxia espiral barrada NGC 1672 (2). Na época, eu ainda não dominava o uso do SAOimage, por isso imprimi as imagens e depois as fotografei com minha câmera Zenit 12XS.

(1)

(2)

Minha Vivência com o Colonialismo Cultural na Ciência

Esta postagem tem um caráter de reflexão e de registro para futuras gerações de cientistas brasileiros. Em 15 de dezembro de 2022...