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Blog de divulgação científica em Astronomia e ciências afins, com textos sobre observação do céu, astrofotografia, ensino de Astronomia, tecnologia e curiosidades do cotidiano.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Nova Oph 2012
domingo, 27 de maio de 2012
Lançamento do VLS
Vídeo com simulação em computação gráfica do lançamento do Veículo Lançador de Satélites (VLS) a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, Brasil. Os dois primeiros lançamentos falharam durante o voo. Um terceiro protótipo, previsto para agosto de 2003, foi destruído antes do lançamento, após a ignição prematura e um incêndio na plataforma, que matou 21 técnicos. Em 2016, o projeto VLS-1 foi encerrado, e a prioridade passou para o Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1), de menor capacidade de carga e ainda em desenvolvimento.
A chamada Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), da qual o VLS fazia parte, é frequentemente citada como exemplo do baixo grau de continuidade de políticas públicas para ciência e tecnologia no país. Além de limitações internas de gestão e financiamento, houve também influência de restrições e pressões externas sobre tecnologias sensíveis. Com investimento consistente e continuidade institucional, o Brasil poderia ter alcançado autonomia maior em lançamentos e ampliado sua capacidade de missões científicas.
sábado, 12 de maio de 2012
Órbita do Grande Meteoro do Brasil em 20/04/2012
A órbita calculada do bólido observado no sudeste do Brasil em 21 de abril de 2012 UTC foi estimada com base em vídeos obtidos em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, e Belo Horizonte, em Minas Gerais.
Ambos os vídeos aparentam ter sido registrados com câmeras de telefones celulares, o que impõe limitações importantes à precisão das medidas de posição no céu e do tempo de deslocamento do objeto.
A solução orbital nominal é hiperbólica. Se essa solução pudesse ser confirmada com precisão suficiente, ela poderia indicar um objeto não ligado gravitacionalmente ao Sol. Entretanto, neste caso, a excentricidade provavelmente está fortemente afetada pelas incertezas na determinação da velocidade.
A variação de altura e azimute registrada no vídeo de Belo Horizonte foi muito pequena e encontra-se na mesma ordem de grandeza do erro esperado para estimativas obtidas a partir de vídeos não calibrados. Assim, pequenas diferenças nas posições medidas ou na duração atribuída à passagem do meteoro podem alterar significativamente a velocidade calculada e, consequentemente, a órbita heliocêntrica resultante.
A trajetória atmosférica e os elementos orbitais foram calculados com o auxílio do programa Fireball, que utiliza posições angulares observadas a partir de diferentes localidades para reconstruir a trajetória tridimensional do meteoroide e estimar sua órbita em torno do Sol.
A solução nominal mostra que a distância do periélio era próxima da distância média entre a Terra e o Sol, aproximadamente 1 unidade astronômica, o que é consistente com a ocorrência do encontro com o planeta.
A altitude mínima estimada foi de aproximadamente 74,5 quilômetros. Esse resultado é compatível com a possibilidade de um meteoroide do tipo Earth-grazing, isto é, um objeto que atravessa a alta atmosfera terrestre e posteriormente retorna ao espaço.
Entretanto, a classificação como Earth-grazing deve ser considerada provisória. A confirmação de que o objeto retornou ao espaço exigiria uma determinação mais precisa da trajetória, da velocidade de entrada e da velocidade após a passagem atmosférica. Com os dados disponíveis, é possível afirmar que o objeto não atingiu altitudes normalmente associadas à queda de meteoritos, mas não é possível reconstruir com segurança toda a sua trajetória posterior.
Eventos desse tipo são raros, mas já foram registrados anteriormente, como o Great Daylight Fireball de 1972, que atravessou a atmosfera sobre os Estados Unidos durante o dia.
Embora os resultados sejam compatíveis com um meteoroide que atravessou a alta atmosfera sem atingir o solo, a precisão dos cálculos depende diretamente da qualidade dos dados disponíveis. Como os vídeos foram produzidos com equipamentos não científicos e em condições variáveis, os resultados devem ser interpretados com cautela.
A solução hiperbólica, em particular, não constitui evidência suficiente de uma origem interestelar. Erros relativamente pequenos na velocidade podem transformar uma órbita elíptica próxima do limite parabólico em uma solução aparentemente hiperbólica.
Mesmo com essas limitações, os registros são valiosos para o estudo do evento e para a reconstrução aproximada de sua trajetória atmosférica. Uma análise mais precisa dependeria da recuperação dos vídeos originais, da calibração astrométrica das imagens, da identificação exata dos locais de observação e da determinação mais confiável dos tempos de cada registro.
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