Um bólido muito brilhante cruzou o céu do Texas, nos Estados Unidos, na noite de 01/02/2012 e foi registrado pela câmera instalada em uma viatura da polícia de Little River-Academy. O evento foi observado em uma extensa região, com relatos vindos de diferentes pontos do Texas e até de áreas vizinhas.
Registros desse tipo são cientificamente valiosos. Quando um mesmo bólido é observado de diferentes locais, com informações precisas sobre posição, horário e direção, é possível reconstruir sua trajetória atmosférica e, em condições favoráveis, determinar a órbita heliocêntrica do meteoroide antes de sua entrada na atmosfera. Foi o que ocorreu, por exemplo, com os bólidos que deram origem aos meteoritos Peekskill, em 1992, e Park Forest, em 2003.
Na América Latina, um caso interessante foi o meteorito Berduc, cuja queda ocorreu na Argentina em 07/04/2008, às 01h02m28s UT. O bólido, extremamente brilhante, foi observado por centenas de pessoas na Argentina e no Uruguai e também registrado por sensores de satélite e por infrassom. A partir desses dados, pesquisadores reconstruíram sua trajetória e obtiveram possíveis soluções para a órbita do meteoroide, indicando uma origem provável no cinturão principal de asteroides.
E no Brasil? Evidentemente, eventos semelhantes também ocorrem por aqui. No final de 2009, tive notícia de um grande bólido observado em Salvador e em diversas cidades da Bahia. Segundo os relatos que recebi na época, o objeto percorreu o céu aproximadamente na direção sudeste-noroeste e foi avistado ao longo de uma região muito extensa. W. Carvalho se interessou pela possibilidade de procurar eventuais meteoritos, enquanto eu pretendia reconstruir a trajetória e, se os dados permitissem, estimar a órbita do meteoroide.
O problema é que informações fundamentais, como o azimute e a altura do bólido vistos de diferentes localidades, além do instante preciso de cada observação, não foram coletadas de forma sistemática. Sem esses dados, a reconstrução tornou-se inviável. A ideia acabou se volatilizando, assim como o meteoroide baiano.
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