Em 2011, uma equipe internacional de astrônomos, envolvendo principalmente as colaborações MOA e OGLE, divulgou a detecção de dez eventos de microlente gravitacional de curta duração, compatíveis com objetos de massa aproximadamente comparável à de Júpiter e sem uma estrela hospedeira detectável nas proximidades.
As detecções foram realizadas por meio do monitoramento do brilho de cerca de 50 milhões de estrelas na direção do centro da Via Láctea. Em alguns casos, uma estrela apresentou um aumento temporário de brilho devido ao fenômeno conhecido como microlente gravitacional. Ele ocorre quando um objeto passa muito próximo da linha de visada entre a Terra e uma estrela mais distante. A gravidade do objeto em primeiro plano desvia a luz da estrela de fundo, produzindo uma amplificação temporária de seu brilho.
Os dez eventos encontrados tinham duração inferior a aproximadamente dois dias, indicando lentes de massa planetária. Como não foi detectada uma estrela hospedeira associada a esses objetos, os pesquisadores propuseram que poderiam ser planetas errantes, isto é, corpos de massa planetária não ligados gravitacionalmente a uma estrela. Entretanto, as observações não permitiam excluir completamente a possibilidade de alguns deles estarem em órbitas muito distantes de suas estrelas.
Uma possível origem para esses objetos é a ejeção de planetas durante a evolução inicial de sistemas planetários. Interações gravitacionais entre planetas, ou entre planetas e estrelas próximas, podem lançar alguns desses corpos para o espaço interestelar. Uma vez livres de sua estrela de origem, eles continuam se deslocando pela Galáxia e orbitando o centro da Via Láctea, assim como as estrelas.
O resultado de 2011 sugeria inicialmente que planetas errantes com massas próximas à de Júpiter poderiam ser extremamente numerosos, talvez até mais comuns do que as próprias estrelas. Estudos posteriores, entretanto, não confirmaram essa abundância tão elevada. Levantamentos mais extensos indicam que objetos livres de massa semelhante à de Júpiter são menos frequentes do que se estimava originalmente, enquanto planetas errantes de massas menores podem ser consideravelmente mais numerosos.
Abaixo, um vídeo produzido pela NASA na época da divulgação da descoberta:
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