quinta-feira, 1 de maio de 2014

A Importância da Astrometria

A astrometria é a área da astronomia dedicada à determinação precisa das posições e dos movimentos dos astros no céu. Desde a Antiguidade, observações sistemáticas das posições do Sol, da Lua, dos planetas e das estrelas permitiram desenvolver calendários, prever fenômenos celestes e estabelecer as bases da astronomia de posição.

No início do século XVII, Johannes Kepler utilizou as precisas observações planetárias realizadas por Tycho Brahe, especialmente as de Marte, para formular suas leis do movimento planetário. Posteriormente, em 1687, Isaac Newton mostrou que essas leis podiam ser compreendidas como consequências de suas leis do movimento e da gravitação universal. Assim, medições precisas das posições dos astros tiveram papel fundamental no desenvolvimento da mecânica celeste.

Atualmente, levantamentos astronômicos descobrem grande número de asteroides e cometas todos os anos. Observações astrométricas de seguimento são essenciais, especialmente para objetos recém-descobertos ou com arcos observacionais curtos, pois permitem melhorar a determinação de suas órbitas e reduzir o risco de que sejam posteriormente perdidos.

Um exemplo histórico é o cometa 289P/Blanpain, observado em 1819 e posteriormente considerado perdido. Em 2003 foi descoberto o objeto 2003 WY25, cuja órbita mostrou-se compatível com a do antigo cometa. Uma nova atividade cometária foi observada em 2013, consolidando sua identificação como o cometa periódico 289P/Blanpain.

A astrometria de pequenos corpos pode ser realizada com recursos relativamente modestos. Um telescópio com algumas dezenas de centímetros de abertura, equipado com uma câmera CCD ou CMOS e um computador, pode produzir medidas úteis das posições de asteroides e cometas. Para objetos com órbitas ainda pouco determinadas, essas posições podem ser encaminhadas ao Minor Planet Center (MPC) e contribuir para o refinamento orbital. O programa Astrometrica, desenvolvido por Herbert Raab, facilita consideravelmente a redução astrométrica das imagens.

Abaixo apresento alguns objetos medidos por mim e por meus alunos da disciplina de Astrofísica Observacional da UFRB, turma 2013.2. As imagens foram obtidas com o telescópio Dome 2 do Observatório Slooh, nas Ilhas Canárias, Espanha.


NEO 1998 QE2 (círculo roxo). Imagem no filtro R obtida em 29/05/2013 (UT).
Os círculos verdes indicam estrelas do catálogo astrométrico USNO-B1.0
utilizadas na redução; os círculos amarelos indicam estrelas rejeitadas
no processamento. Imagem analisada com o programa Astrometrica.
Astrometria incluída na MPEC 2014-J02.


NEO 2003 GS. Imagem no filtro R obtida em 25/04/2014 (UT).
Astrometria incluída na MPEC 2014-H46.

NEO 2014 HV2. Soma de imagens obtidas nos filtros R, G e B em 28/04/2014 (UT).
As imagens foram alinhadas aproximadamente sobre o asteroide em movimento;
por isso, as estrelas aparecem repetidas ao longo de uma linha.
Astrometria incluída na MPEC 2014-H71.


Cometa C/2012 K1 (PANSTARRS). Imagem no filtro B obtida em 01/05/2014 (UT).

NEO 2014 GY48. Imagem no filtro R obtida em 01/05/2014 (UT).
Astrometria incluída na MPEC 2014-J07.

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