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| Imagem que mostra um momento do seminário da professora Rosaly. |
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| Imagem que mostra um momento do seminário da professora Rosaly. |
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| Quadro de esquete do programa Hermes & Renato retratando o personagem “Charlinho”. |
O ponto estrutural do ensino universitário público é este: no Brasil, o acesso às universidades públicas é, em regra, condicionado a processos seletivos (vestibulares e/ou ENEM/SISU), o que cria um funil de entrada. Em contraste, na Argentina, muitas universidades públicas adotam modelos de ingresso mais amplo, frequentemente com ciclos iniciais e filtros ao longo do percurso acadêmico (por exemplo, o CBC), em um arranjo historicamente associado às reformas universitárias iniciadas em 1918.
No ensaio, usei tempo de exposição de 200 ms (0,2 s) e ganho de 30 dB, conforme recomendado pelo fabricante. A estrela-alvo é listada com magnitude 11,51, e a queda prevista durante a ocultação é de 6,09 magnitudes.
O que significa “30 dB” aqui? É o ganho eletrônico (amplificação) aplicado ao sinal do sensor. Em termos de amplitude, 30 dB ≈ 31,6× (1030/20) de amplificação. Isso aumenta o sinal, mas também amplifica o ruído e pode facilitar saturação em pixels brilhantes. Não é “contraste” e não é, por si só, uma medida direta de relação sinal-ruído.
O telescópio apontou corretamente para a estrela, com desvio inferior a uma dezena de segundos de arco em relação à posição catalogada em ascensão reta e declinação, e ela ficou facilmente visível a partir do centro de Salvador com tempo de exposição de 0,2 s (Figura 2).
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Figura 2 – Primeira imagem da sequência obtida com tempo de exposição de 0,2 s. A estrela a ser ocultada está no meio da imagem, cuja orientação vertical é a inversa da Figura 1. |
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| Figura 3 |
O que é “1σ”? “1σ” significa um desvio-padrão da incerteza: é uma faixa que representa a dispersão esperada da posição prevista da sombra no solo. Em geral, essa incerteza é dominada pela incerteza da efeméride (órbita) do asteroide e, em menor grau, pela posição catalogada da estrela. O diâmetro do asteroide afeta principalmente a largura da sombra e as cordas possíveis, mas não é o principal responsável pelo deslocamento do caminho central previsto.
Não registrei o evento em campo por razões logísticas: a faixa prevista tocaria a Terra a algumas dezenas de quilômetros do centro de Salvador, numa região do município de Simões Filho, sem um local seguro para parada e operação. Além disso, por volta de 18:45 de 11/02/2026 (hora de Brasília), o céu ainda estava claro, o que dificultaria a aquisição.
Ainda assim, o ensaio mostra que é muito viável registrar ocultações estelares por asteroides (e, em princípio, por cometas) com este instrumento, mesmo em áreas urbanas com forte poluição luminosa, como no meu sítio observacional, onde o céu deve corresponder à classe 8 na escala de Bortle.
Registro de alguns objetos astronômicos visíveis de Salvador nas noites de 06, 08 e 10/02/2026, usando um telescópio Unistellar eVscope 2. As imagens são bastante automatizadas, o que reduz um pouco o lado “mão na massa” da astronomia amadora: localizar o objeto no céu, capturar a sequência e processar os dados no computador. Para uso científico, porém, essa praticidade é justamente o que me interessa.
Os nomes dos objetos e os parâmetros técnicos de aquisição estão nas próprias imagens. O tipo de objeto (por exemplo, aglomerado aberto ou nebulosa) e os números de catálogo aparecem nas legendas. Segundo o site Astrometry, o campo de visão é de 39,7 × 39,7 minutos de arco, o que significa que a Lua inteira cabe com folga em uma única imagem obtida com esse telescópio.
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| Nebulosa NGC-1977 - Órion. |
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| Nebulosa M-42 - Órion. |
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| Aglomerado aberto M-41 - Cão Maior. |
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| Aglomeraddo aberto M-38 - Cocheiro. |
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| Aglomerado aberto M-37 - Cocheiro |
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| Aglomerado aberto M-35 - Gêmeos. |
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| Nebulosa NGC-2024 - Órion. |
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| Galáxia NGC-5128 - Centauro. |
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| Aglomerado Globular NGC-5139 - Centauro. |
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| Aglomerado aberto NGC-4755 - Cruzeiro do Sul. |
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| Lua crescente e a uma altura inferior a 20° acima do horizonte,o que justifica o tom avermelhado da imagem. |
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| Nebulosa NGC-3372 - Carina. |
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| Galáxia NGC-2280 - Cão Maior. |
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| Aglomerado aberto NGC-2516 - Carina. |
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| Nebulosa M-1 - Touro. |
Foto de um globo de vidro com a representação de uma galáxia espiral, que me lembrou muito o final de Men in Black (1997). Não resisti e resolvi reproduzir.
Por mais louco que pareça, ciência não é lugar para descartar uma ideia só porque ela soa absurda. O critério não é “parece estranho”, é “dá para confrontar com o que observamos?”. E como observamos uma parte muito pequena do universo, é bem provável que nossas hipóteses também sejam pequenas e provisórias. É como uma formiga tentando entender o mundo inteiro andando no meio de um deserto.
Exoplanetas são planetas que orbitam estrelas (ou remanescentes estelares) fora do Sistema Solar. Em 20/04/2001, data em que uma primeira versão deste texto foi publicada, a Extrasolar Planets Encyclopaedia listava cerca de 60 estrelas com indícios de companheiros planetários. Hoje, os catálogos modernos reúnem milhares de detecções confirmadas: o NASA Exoplanet Archive indicava 6.065 planetas confirmados em 18/12/2025, enquanto o Exoplanet.eu listava 7.915 objetos em seu catálogo (o total varia conforme os critérios e categorias adotados). Esse crescimento evidencia a evolução do campo de pesquisa em planetas extrasolares.
Planetas, superplanetas e anãs marrons. Em termos práticos, frequentemente aparece o valor de ~13 massas de Júpiter como uma “fronteira” associada à queima (parcial) de deutério. Porém, isso é uma regra de bolso: a fração de deutério queimado e o limite efetivo dependem das condições e da composição do objeto, e não representam uma divisão física rígida.
A astrometria mede o “balanço” (wobble) da estrela no céu devido à presença de companheiros. Historicamente, missões como o Hipparcos alcançaram precisão típica na faixa de milissegundos de arco (mas), e a missão Gaia elevou essa capacidade para a escala de microsegundos de arco (µas) em estrelas brilhantes, tornando a técnica muito mais potente para detectar companheiros por movimento próprio e paralaxe com alta precisão.
Mede a variação periódica na velocidade da estrela ao longo da linha de visada (efeito Doppler) causada pela interação gravitacional com o(s) planeta(s). O método fornece, em geral, uma estimativa do tipo M sin i (massa mínima), pois depende da inclinação orbital.
Detecta a queda de brilho quando o planeta passa em frente ao disco da estrela. O trânsito fornece o raio (via profundidade do evento), e, quando combinado com velocidade radial, permite estimar densidade e composição média. Um caso clássico é HD 209458 b, e missões como Kepler/TESS popularizaram esse tipo de detecção em larga escala.
Usa o efeito de lente gravitacional quando uma estrela (com possível planeta) passa diante de outra mais distante. É útil para detectar planetas em distâncias maiores da estrela hospedeira e até em regiões mais externas da Galáxia.
Registra diretamente a luz do planeta, geralmente no infravermelho, com óptica adaptativa/coronógrafos. É mais eficiente para planetas jovens, quentes e afastados da estrela.
Em pulsares, pequenas variações nos tempos de chegada dos pulsos podem revelar a presença de companheiros. Foi assim que surgiram alguns dos primeiros indícios de planetas fora do Sistema Solar.
Um exemplo emblemático é PSR B1620-26 b (também citado como “Methuselah” em materiais de divulgação), um gigante gasoso em órbita circumbinária ao redor de um pulsar e de uma anã branca. No catálogo da NASA, ele aparece com massa da ordem de ~2,5 MJ, semi-eixo maior ~23 UA e período orbital ~95 anos, com anúncio de descoberta em 2003.
Não temos evidência de vida em exoplanetas. Quando se discute a possibilidade de vida, trata-se de hipóteses dependentes de fatores como: tipo de estrela, radiação incidente, presença/estabilidade de atmosfera, água líquida e proteção contra partículas energéticas. Em planetas gasosos, por exemplo, uma ideia especulativa é a existência de vida em camadas atmosféricas com temperatura e pressão adequadas; já em sistemas de pulsares, a radiação e o ambiente extremo tornam os cenários ainda mais desafiadores.
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| Gostaria de compartilhar do otimismo da NASA neste momento. |
A frase “No bucks, no Buck Rogers!” surgiu entre astronautas do programa Mercury, nos anos 1960, para enfatizar que sem financiamento não haveria voos espaciais nem heróis como o personagem de ficção científica Buck Rogers. Tom Wolfe registrou a expressão em The Right Stuff (1979), e o filme homônimo de 1983 a popularizou como crítica bem-humorada à dependência da exploração espacial de verbas públicas. O shutdown de 1º de outubro de 2025 pode paralisar o plano da NASA de enviar astronautas em uma missão de circunavegação lunar em 2026.
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| Edwin Hubble e a Câmera Schmidt do Observatório Palomar (EUA). |
O modelo do big bang descreve o universo emergindo de um estado inicial muito denso e quente e entrando em rápida expansão. Não foi uma “explosão no espaço”, e sim a própria expansão do espaço.
Os primeiros segundos produziram partículas elementares e os núcleos mais leves (H, He e um pouco de Li). Com a expansão e o resfriamento, o gás formou as primeiras estrelas e galáxias.
Observacionalmente, Edwin Hubble mostrou que galáxias distantes têm sua luz deslocada para o vermelho. Esse deslocamento é, em cosmologia, majoritariamente cosmológico (expansão do espaço). Para distâncias pequenas r, pode ser aproximado por efeito Doppler.
A relação empírica local é a lei de Hubble:
V = H0 · r
com V em km/s, r em Mpc* e H0 na faixa ≈ 67–74 km/s/Mpc (há uma “tensão” entre métodos de medida). A escada de distâncias usa Cefeidas e supernovas Ia (padronizáveis) como marcos de distância. Magnitude absoluta é definida a 10 pc**.
A idade do universo, combinando radiação cósmica de fundo e dinâmica de expansão, é ≈ 13,8 ± 0,02 bilhões de anos.
Astrofotografias feitas com um iPhone X em 8 de agosto de 2025, no campus da UFBA (Salvador), na área do Planetário. Os horários (UT) constam nas legendas. Sírius pode ser usado como referência para estimar a ordem de brilho aparente da ISS, de Vênus e de Júpiter.

Um buraco negro é um objeto astronômico extremamente denso, cuja composição e estrutura ainda não são completamente compreendidas. AA dimensão característica de um buraco negro é dada pelo raio de Schwarzschild**: \( R = \frac{2GM}{c^2} \). Essa fronteira é chamada de horizonte de eventos, onde a luz não consegue mais escapar da gravidade do objeto. Buracos negros podem se formar a partir do colapso de estrelas com mais de 20 massas solares. Por não emitirem radiação, sua observação direta é impossível, sendo identificados pelos efeitos gravitacionais sobre objetos vizinhos.
Em sistemas binários, a transferência de massa da estrela companheira pode formar um disco de acreção ao redor do buraco negro. A matéria, ao se mover pelo disco, aquece e emite radiação em uma ampla faixa do espectro eletromagnético, de raios gama a ondas de rádio. A emissão visível costuma ser fraca, tornando a observação por telescópios amadores impraticável.
As observações de candidatos a buracos negros são realizadas por telescópios espaciais como IRAS, OAO**, Hubble, Compton, Ariel, Chandra e Granat. Esses instrumentos operam nas faixas do infravermelho, ultravioleta, raios X e raios gama. Observações terrestres ocorrem principalmente na faixa de rádio, em instalações como Arecibo e o VLA (Very Large Array), famoso pelo filme Contato.
Para diferenciar buracos negros de anãs brancas ou estrelas de nêutrons em sistemas binários, estima-se a massa do objeto invisível usando espectroscopia e o período orbital. Se essa massa excede os limites conhecidos para anãs brancas ou estrelas de nêutrons, considera-se a presença de um buraco negro.
*OAO (Orbital Astronomical Observatory) foi uma série de satélites com telescópios UV totalmente orientáveis, lançados a partir de 1966. O OAO-II detectou uma supernova em 1972 e emissão ultravioleta proveniente da galáxia de Andrômeda (M31). O último da série, Copernicus, utilizou um telescópio de 80 cm.
**Equação de Schwarzschild:
\( R = \frac{2GM}{c^2} \)
Onde:
\( R \) = Horizonte de eventos do buraco negro (Raio de Schawarzschild)
\( c \) = velocidade da luz \( (3 \times 10^8 \, \text{m/s}) \)
\( G \) = constante gravitacional \( (6{,}67 \times 10^{-11} \, \text{N·m}^2/\text{kg}^2) \)
\( M \) = massa do buraco negro
Um buraco negro com 1 massa solar tem \( R \approx 3 \, \text{km} \).
Obs.: 1 eV (elétron-volt) = \( 1{,}60 \times 10^{-19} \, \text{J} \). Para converter energia em frequência, usa-se a relação de Planck: \( E = h\nu \), com \( h = 6{,}63 \times 10^{-34} \, \text{J·s} \).
Algumas estrelas apresentam um aumento abrupto de luminosidade devido ao início de reações termonucleares descontroladas: são as novas e as supernovas. Há registros históricos de supernovas desde aproximadamente 1300 a.C., mas as mais conhecidas são a associada à Nebulosa do Caranguejo (SN 1054), a SN 1572, a SN 1604 e a SN 1987A.
A SN 1054 foi registrada por astrônomos chineses e por povos nativos da América do Norte. A SN 1572, observada por Tycho Brahe, atingiu magnitude aparente –4. Já a SN 1604, acompanhada por Johannes Kepler, chegou a –3. A SN 1987A, detectada na Grande Nuvem de Magalhães, foi a primeira supernova visível a olho nu desde 1604 e também a primeira cuja emissão de neutrinos foi detectada na Terra, confirmando modelos teóricos de colapso estelar.
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| Nova Velorum 1999 (seta). Magnitude ~3 em 29/05/1999. Foto: Alberto Betzler, Zenit 12XS, filme ASA 100, exposição de 15 s. |
As novas ocorrem em anãs brancas que fazem parte de sistemas binários com transferência de massa. A matéria retirada da estrela companheira forma um disco de acreção devido à conservação do momento angular. O atrito no disco faz com que parte do material caia sobre a anã branca. Quando a massa acumulada atinge temperaturas e pressões suficientes, o hidrogênio se funde numa camada superficial por meio do ciclo CNO, que é proporcional a T20 — muito mais eficiente que o ciclo pp (T4).
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| Sistema binário com transferência de massa. O disco de acreção surge pela conservação do momento angular. |
As supernovas são eventos muito mais energéticos. Emitem até 1051 erg no total (1 foe). A SN1987A teve luminosidade de pico de aproximadamente 1038 erg/s. São classificadas como Tipo I (sem hidrogênio no espectro) e Tipo II (com hidrogênio). As SN Ia ocorrem em anãs brancas com massa próxima ao limite de Chandrasekhar (~1,4 M☉), enquanto as SN II ocorrem por colapso de núcleo em estrelas massivas.
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| Comparação entre curvas de luz de supernovas do Tipo I (verde) e Tipo II (azul). As Tipo I atingem maior pico de brilho. |
A curva de luz das SN Ia segue um padrão observacional conhecido como relação de Phillips, que permite utilizá-las como velas padrão para estimar distâncias cósmicas. Já as SN Ib e Ic, descobertas posteriormente, ocorrem em estrelas Wolf–Rayet com pouco ou nenhum hidrogênio, também por colapso de núcleo.
A mídia comercial de diversos países noticiou com entusiasmo a suposta detecção das linhas espectrais das moléculas metano (CH₄) e dióxido de carbono (CO₂), além de uma possível assinatura de dimetilsulfeto (DMS), na atmosfera do exoplaneta K2-18b. A análise baseou-se em dados espectrográficos no infravermelho obtidos pelo Telescópio Espacial James Webb. Segundo os autores do estudo, essas moléculas poderiam estar associadas à atividade biológica, como o metabolismo de fitoplâncton terrestre. O planeta, classificado como um sub-Netuno (Figura 1), apresenta indícios de água líquida sob uma atmosfera rica em hidrogênio e orbita uma estrela anã vermelha. A hipótese de habitabilidade é levantada pelo fato de K2-18b situar-se próximo ao limite interno da zona habitável de sua estrela, onde a água, teoricamente, poderia permanecer em estado líquido (Figura 2).
Ainda assim, é necessário manter cautela diante de anúncios com implicações extraordinárias, especialmente quando amplificados pela imprensa generalista. Moléculas como as mencionadas podem ter origens abióticas plausíveis. Além disso, há a questão da robustez estatística da detecção, frequentemente negligenciada nessas discussões. Convém lembrar que jornalistas não têm a obrigação de dominar os fundamentos da inferência estatística. No entanto, chama atenção a recorrente veiculação de frases como “há 99,7% de confiança na detecção”, implicando que resta apenas 0,3% de chance de erro.
Essa interpretação é conceitualmente equivocada. Em termos estatísticos, o que se tem nesse tipo de análise é, geralmente, uma medida de razão sinal/ruído (S/N), que, quando igual a 3, é informalmente descrita como uma detecção “a três sigmas”. Isso significa apenas que a amplitude do sinal supera três vezes a estimativa local do desvio padrão do ruído — um critério operacional, mas não necessariamente um teste estatístico clássico com hipótese nula formal, correções para comparações múltiplas ou consideração de incertezas sistemáticas.
Basear a inferência unicamente nesse procedimento compromete a confiabilidade da conclusão. Considero a alegada “detecção” estatisticamente controversa por duas razões principais. Primeiro, nota-se, em muitos trabalhos recentes, uma fragilidade conceitual na aplicação rigorosa dos métodos probabilísticos. Segundo, há uma pressão estrutural crescente no meio acadêmico que favorece a divulgação apressada de resultados ainda incertos, seja por motivações institucionais, busca de financiamento ou necessidade de manter produtividade científica. Isso se agrava em sistemas como o norte-americano, onde a permanência de pesquisadores em universidades está frequentemente vinculada a métricas de impacto e publicação.
Registro de algumas regiões do céu feitas a partir da Ponta de Humaitá, em Salvador, no dia 20 de janeiro de 2025. As imagens foram obtidas entre 22h12 e 22h16 UT com uma câmera Canon Rebel T100. As imagens 1 e 2, apresentadas a seguir, resultam do alinhamento e da soma de cinco sequências, processadas com correção de poluição luminosa no software Sequator. As especificações técnicas da primeira imagem de cada sequência estão detalhadas nas respectivas legendas. O campo visual das imagens é de 45,7 × 30,5 graus, com escala de placa de 63,4 segundos de arco por pixel.
Na imagem registrada às 22h12 UT, é possível identificar uma trilha tênue e descontínua associada a fragmentos do estágio superior de um foguete Ariane I, lançado em 22 de fevereiro de 1986. Esse veículo colocou em órbita os satélites SPOT-1 (França) e Viking (Suécia). Cerca de nove meses após o lançamento, o estágio explodiu em órbita devido à pressurização residual de propelentes, gerando centenas de fragmentos que ainda circulam a Terra em órbita baixa polar e podem ser registrados em exposições fotográficas de longa duração.
Esta postagem tem um caráter de reflexão e registro para futuras gerações de cientistas brasileiros. Em 15 de dezembro de 2022, enviei uma...