No ensaio, usei tempo de exposição de 200 ms (0,2 s) e ganho de 30 dB, conforme recomendado pelo fabricante. A estrela-alvo é listada com magnitude 11,51, e a queda prevista durante a ocultação é de 6,09 magnitudes.
O que significa “30 dB” aqui? É o ganho eletrônico (amplificação) aplicado ao sinal do sensor. Em termos de amplitude, 30 dB ≈ 31,6× (1030/20) de amplificação. Isso aumenta o sinal, mas também amplifica o ruído e pode facilitar saturação em pixels brilhantes. Não é “contraste” e não é, por si só, uma medida direta de relação sinal-ruído.
O telescópio apontou corretamente para a estrela, com desvio inferior a uma dezena de segundos de arco em relação à posição catalogada em ascensão reta e declinação, e ela ficou facilmente visível a partir do centro de Salvador com tempo de exposição de 0,2 s (Figura 2).
|
|
Figura 2 – Primeira imagem da sequência obtida com tempo de exposição de 0,2 s. A estrela a ser ocultada está no meio da imagem, cuja orientação vertical é a inversa da Figura 1. |
- A linha vermelha marca a linha central (centralidade) da faixa prevista da sombra.
- As linhas azuis indicam o caminho previsto e a escala associada ao tamanho estimado do asteroide.
- As linhas laranjas delimitam a incerteza de 1σ na predição da faixa.
|
| Figura 3 |
O que é “1σ”? “1σ” significa um desvio-padrão da incerteza: é uma faixa que representa a dispersão esperada da posição prevista da sombra no solo. Em geral, essa incerteza é dominada pela incerteza da efeméride (órbita) do asteroide e, em menor grau, pela posição catalogada da estrela. O diâmetro do asteroide afeta principalmente a largura da sombra e as cordas possíveis, mas não é o principal responsável pelo deslocamento do caminho central previsto.
Não registrei o evento em campo por razões logísticas: a faixa prevista tocaria a Terra a algumas dezenas de quilômetros do centro de Salvador, numa região do município de Simões Filho, sem um local seguro para parada e operação. Além disso, por volta de 18:45 de 11/02/2026 (hora de Brasília), o céu ainda estava claro, o que dificultaria a aquisição.
Ainda assim, o ensaio mostra que registrar ocultações estelares por asteroides (e, em princípio, por cometas) com este instrumento é muito viável, mesmo em áreas urbanas com forte poluição luminosa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário