A nota abaixo foi publicada no jornal A Notícia, de Salvador (BA), em 15 de maio de 1915:
Provavelmente, muitos dos habitantes de Monte Alto que observaram aquele objeto nunca chegaram a saber qual cometa estavam vendo. Com as informações astronômicas hoje disponíveis, entretanto, é possível identificar como candidato mais provável o C/1915 C1 (Mellish), descoberto em 10 de fevereiro de 1915 pelo astrônomo amador e construtor de telescópios estadunidense John E. Mellish.
Naquele mês de maio, o cometa estava aumentando rapidamente de brilho. Observações da época mostram que ele já era visível a olho nu e alcançou aproximadamente magnitude 3,5 por volta de 21 de maio.
É interessante notar a comparação com o 1P/Halley feita pelos observadores. A espetacular aparição do Halley em 1910 havia ocorrido apenas cinco anos antes e certamente ainda estava presente na memória popular.
A referência ao 3D/Biela feita pelo autor da nota também é compreensível. O Biela havia se tornado um dos cometas mais célebres do século XIX após sua fragmentação em dois componentes, observados separadamente em 1846 e novamente em 1852. O episódio teve ampla repercussão na astronomia da época e permaneceu presente durante décadas em obras de divulgação e astronomia popular.
Há ainda uma coincidência particularmente interessante. Hoje sabemos que o próprio cometa Mellish também estava passando por um processo de fragmentação justamente naquele período. Em 12 de maio de 1915, o astrônomo Edward Emerson Barnard observou dois pequenos companheiros junto ao núcleo principal; poucos dias depois, outros observadores registraram novos fragmentos. Assim, enquanto o jornal baiano perguntava se o objeto visto em Monte Alto seria “Biela ou Halley”, o provável cometa observado apresentava, de fato, um comportamento semelhante ao que tornara Biela famoso no século XIX.
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