Interessante episódio da série britânica Big, Bigger, Biggest, exibida pelo National Geographic Channel, dedicado aos telescópios. O programa apresenta seis avanços tecnológicos que contribuíram para a construção de grandes instrumentos modernos, culminando no Large Binocular Telescope (LBT).
Considero o episódio bastante didático, especialmente por mostrar, por meio de experimentos simples, alguns princípios envolvidos na interação da luz com as superfícies ópticas e os efeitos do ambiente sobre o desempenho dos telescópios.
Outro ponto interessante são as curiosidades históricas relacionadas à construção de alguns desses instrumentos. Entre elas está o transporte ferroviário do gigantesco espelho de 200 polegadas do telescópio Hale, fabricado pela Corning Glass Works, no estado de Nova York, e levado de trem até Pasadena, na Califórnia, em 1936. O espelho viajou em um vagão especialmente preparado e protegido, inclusive com vidro à prova de balas, devido ao receio de vandalismo durante a longa viagem através dos Estados Unidos.
Só não concordei inteiramente com a forma como o programa apresentou a contribuição do telescópio soviético BTA-6. No episódio, sua importância aparece associada principalmente ao controle térmico da cúpula. Entretanto, uma contribuição tecnológica ainda mais importante foi o emprego de uma montagem altazimutal com rastreamento controlado por computador.
Quando entrou em operação, em 1975, o BTA-6, com seu espelho de 6 metros, era o maior telescópio óptico do mundo. Mais importante do ponto de vista da engenharia, foi o primeiro grande telescópio construído com esse tipo de montagem computadorizada. A solução permitia estruturas mecanicamente mais simples do que as enormes montagens equatoriais utilizadas anteriormente, embora exigisse controle computadorizado contínuo e compensação da rotação do campo.
Essa arquitetura tornou-se posteriormente padrão nos grandes telescópios modernos. O próprio LBT utiliza uma montagem altitude-azimute comum aos seus dois espelhos de 8,4 metros. Nesse sentido, a contribuição tecnológica representada pelo BTA-6 merece destaque maior do que o apresentado no programa.
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