Blog de divulgação científica em Astronomia e ciências afins, com textos sobre observação do céu, astrofotografia, ensino de Astronomia, tecnologia e curiosidades do cotidiano.
domingo, 13 de janeiro de 2013
Astronomia em Aparecida do Norte (SP)
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
262P/2012 K2 (McNaught-Russell)
Corveta "Cabloco" navegando na Baia de Todos os Santos
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Porque o mundo não vai acabar - comentário de uma especialista em calendário Maia
Hoje, no telejornal regional Bahia Meio Dia, uma especialista em calendário maia apresentou uma explicação sobre por que o mundo não teria acabado em 21 de dezembro de 2012. Segundo ela, em vez do fim do mundo, teria ocorrido uma “sincronização galáctica”, envolvendo um suposto alinhamento da Terra com as Plêiades e com Alcione, uma das estrelas desse aglomerado. Esse fenômeno estaria relacionado a ejeções de massa coronal pelo Sol e à produção de ondas eletromagnéticas, entre outros efeitos.
Como astrônomo, considero preocupante que afirmações desse tipo sejam apresentadas em uma reportagem sem a necessária contextualização científica. Em vez de esclarecer o público sobre o que de fato ocorre no Sistema Solar, a matéria acabou reforçando interpretações místicas de fenômenos astronômicos.
As Plêiades são um aglomerado estelar situado a aproximadamente 450 anos-luz da Terra. Não existe mecanismo físico conhecido pelo qual um alinhamento aparente entre a Terra, o Sol e esse aglomerado possa desencadear ejeções de massa coronal. Esses eventos são produzidos pela dinâmica do plasma e dos campos magnéticos do próprio Sol.
Mesmo a influência gravitacional das Plêiades sobre o Sistema Solar é extremamente pequena devido à enorme distância que nos separa do aglomerado. Um alinhamento observado no céu é essencialmente uma configuração geométrica de nossa linha de visada e não implica qualquer interação física especial entre os corpos envolvidos.
O problema não está em entrevistar pessoas que defendam interpretações místicas ou esotéricas. O problema surge quando essas afirmações são apresentadas sem que o público seja informado de que não possuem sustentação na astronomia ou na física conhecidas.
Esse tipo de reportagem chama a atenção para a importância da alfabetização científica e do pensamento crítico. Distinguir uma explicação científica, que pode ser confrontada com observações e experimentos, de uma afirmação sem evidências é fundamental não apenas para compreender a astronomia, mas para avaliar informações de maneira crítica em geral.
Minha Vivência com o Colonialismo Cultural na Ciência
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