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| Imagem original - A seta indica a posição do cometa |
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| Animação indicando a posição do objeto. O campo obtido no Slooh é colorido, enquanto a imagem de referência do DSS-ESO apresenta tons de amarelo e vermelho. O campo possui 15' × 15' de arco. |
Blog de divulgação científica em Astronomia e ciências afins, com textos sobre observação do céu, astrofotografia, ensino de Astronomia, tecnologia e curiosidades do cotidiano.
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| Imagem original - A seta indica a posição do cometa |
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| Animação indicando a posição do objeto. O campo obtido no Slooh é colorido, enquanto a imagem de referência do DSS-ESO apresenta tons de amarelo e vermelho. O campo possui 15' × 15' de arco. |
Em 2011, uma equipe internacional de astrônomos, envolvendo principalmente as colaborações MOA e OGLE, divulgou a detecção de dez eventos de microlente gravitacional de curta duração, compatíveis com objetos de massa aproximadamente comparável à de Júpiter e sem uma estrela hospedeira detectável nas proximidades.
As detecções foram realizadas por meio do monitoramento do brilho de cerca de 50 milhões de estrelas na direção do centro da Via Láctea. Em alguns casos, uma estrela apresentou um aumento temporário de brilho devido ao fenômeno conhecido como microlente gravitacional. Ele ocorre quando um objeto passa muito próximo da linha de visada entre a Terra e uma estrela mais distante. A gravidade do objeto em primeiro plano desvia a luz da estrela de fundo, produzindo uma amplificação temporária de seu brilho.
Os dez eventos encontrados tinham duração inferior a aproximadamente dois dias, indicando lentes de massa planetária. Como não foi detectada uma estrela hospedeira associada a esses objetos, os pesquisadores propuseram que poderiam ser planetas errantes, isto é, corpos de massa planetária não ligados gravitacionalmente a uma estrela. Entretanto, as observações não permitiam excluir completamente a possibilidade de alguns deles estarem em órbitas muito distantes de suas estrelas.
Uma possível origem para esses objetos é a ejeção de planetas durante a evolução inicial de sistemas planetários. Interações gravitacionais entre planetas, ou entre planetas e estrelas próximas, podem lançar alguns desses corpos para o espaço interestelar. Uma vez livres de sua estrela de origem, eles continuam se deslocando pela Galáxia e orbitando o centro da Via Láctea, assim como as estrelas.
O resultado de 2011 sugeria inicialmente que planetas errantes com massas próximas à de Júpiter poderiam ser extremamente numerosos, talvez até mais comuns do que as próprias estrelas. Estudos posteriores, entretanto, não confirmaram essa abundância tão elevada. Levantamentos mais extensos indicam que objetos livres de massa semelhante à de Júpiter são menos frequentes do que se estimava originalmente, enquanto planetas errantes de massas menores podem ser consideravelmente mais numerosos.
Abaixo, um vídeo produzido pela NASA na época da divulgação da descoberta:
O ESOcast 24, divulgado em 2010, apresentou uma descoberta que, na época, despertou grande interesse: o possível exoplaneta HIP 13044 b, com massa mínima estimada em cerca de 1,25 vezes a massa de Júpiter.
O objeto teria sido detectado pelo método das velocidades radiais orbitando a estrela HIP 13044, localizada a cerca de 2 000 anos-luz da Terra. Trata-se de uma estrela evoluída da ramificação horizontal vermelha, pertencente à chamada corrente de Helmi, um conjunto de estrelas que teria feito parte de uma antiga galáxia anã absorvida pela Via Láctea bilhões de anos atrás.
Por essa razão, os pesquisadores sugeriram que HIP 13044 b teria se formado originalmente fora da Via Láctea e posteriormente ingressado em nossa Galáxia juntamente com sua estrela. Na época, o objeto foi divulgado como o primeiro planeta conhecido de provável origem extragaláctica.
Entretanto, a história teve uma reviravolta. Em 2014, uma nova análise dos dados espectroscópicos utilizados na descoberta não encontrou evidências da variação periódica de velocidade radial atribuída ao planeta. HIP 13044 b deixou, portanto, de ser considerado um exoplaneta confirmado.
O episódio constitui um bom exemplo de como funciona o processo científico: uma descoberta inicialmente considerada muito importante pode ser revista quando os dados são reanalisados com métodos mais precisos.
Abaixo, o ESOcast 24 original. O vídeo deve ser visto hoje como um registro histórico do anúncio realizado em 2010:
Esta postagem tem um caráter de reflexão e de registro para futuras gerações de cientistas brasileiros. Em 15 de dezembro de 2022...