sábado, 14 de abril de 2012

C/2011 L4 (PANSTARRS) - A promessa de 2013

O cometa C/2011 L4 (PANSTARRS) tornou-se visível a olho nu em março de 2013, quando atingiu magnitude visual próxima de +1. Obtive uma imagem do cometa em 14-04-2012 UT no Observatório Slooh, nas Ilhas Canárias (Espanha), quando sua magnitude era em torno de 14. Uma tênue cauda pode ser vista emergindo da coma aproximadamente esférica do objeto. Na época, pretendia acompanhar sua evolução fotométrica visando a um futuro artigo de pesquisa. Uma imagem mais recente, obtida em 2012, pode ser encontrada aqui.

Cometa C/2011 L4 (PANSTARRS) em 14 de abril de 2012
Imagem original - A seta indica a posição do cometa

Animação mostrando o movimento do cometa C/2011 L4 (PANSTARRS)
Animação indicando a posição do objeto. O campo obtido no Slooh é colorido, enquanto a imagem de referência do DSS-ESO apresenta tons de amarelo e vermelho. O campo possui 15' × 15' de arco.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Exoplanetas Solitários

Em 2011, uma equipe internacional de astrônomos, envolvendo principalmente as colaborações MOA e OGLE, divulgou a detecção de dez eventos de microlente gravitacional de curta duração, compatíveis com objetos de massa aproximadamente comparável à de Júpiter e sem uma estrela hospedeira detectável nas proximidades.

As detecções foram realizadas por meio do monitoramento do brilho de cerca de 50 milhões de estrelas na direção do centro da Via Láctea. Em alguns casos, uma estrela apresentou um aumento temporário de brilho devido ao fenômeno conhecido como microlente gravitacional. Ele ocorre quando um objeto passa muito próximo da linha de visada entre a Terra e uma estrela mais distante. A gravidade do objeto em primeiro plano desvia a luz da estrela de fundo, produzindo uma amplificação temporária de seu brilho.

Os dez eventos encontrados tinham duração inferior a aproximadamente dois dias, indicando lentes de massa planetária. Como não foi detectada uma estrela hospedeira associada a esses objetos, os pesquisadores propuseram que poderiam ser planetas errantes, isto é, corpos de massa planetária não ligados gravitacionalmente a uma estrela. Entretanto, as observações não permitiam excluir completamente a possibilidade de alguns deles estarem em órbitas muito distantes de suas estrelas.

Uma possível origem para esses objetos é a ejeção de planetas durante a evolução inicial de sistemas planetários. Interações gravitacionais entre planetas, ou entre planetas e estrelas próximas, podem lançar alguns desses corpos para o espaço interestelar. Uma vez livres de sua estrela de origem, eles continuam se deslocando pela Galáxia e orbitando o centro da Via Láctea, assim como as estrelas.

O resultado de 2011 sugeria inicialmente que planetas errantes com massas próximas à de Júpiter poderiam ser extremamente numerosos, talvez até mais comuns do que as próprias estrelas. Estudos posteriores, entretanto, não confirmaram essa abundância tão elevada. Levantamentos mais extensos indicam que objetos livres de massa semelhante à de Júpiter são menos frequentes do que se estimava originalmente, enquanto planetas errantes de massas menores podem ser consideravelmente mais numerosos.

Abaixo, um vídeo produzido pela NASA na época da divulgação da descoberta:


domingo, 8 de abril de 2012

Minha primeira vez na astrofotografia de grande campo

Minhas primeiras astrofotografias de grande campo mostram a região das constelações do Cruzeiro do Sul e Carina. As duas fotos foram obtidas no primeiro semestre de 1994, no Horto Florestal, Rio de Janeiro. Para estas imagens, utilizei uma câmera Zenit 12 XS, com 15 minutos de exposição e filme de 100 ASA. Na imagem (2), há uma sequência de pontos em linha reta à direita, entre a árvore e a nuvem. Acredito que possa ter sido um satélite em rotação ou luzes de navegação de algum avião.

(1)

(2)

sábado, 7 de abril de 2012

Artigos que eu gostaria de ter escrito

Um dos artigos mais interessantes que já li foi o de Zaitsev (2008), publicado no Journal of Radio Electronics. Segundo os cálculos apresentados pelo autor, a probabilidade de detecção das mensagens de rádio deliberadamente enviadas ao espaço no âmbito do METI seria cerca de um milhão de vezes menor do que a dos sinais transmitidos em observações de radar de planetas e asteroides do Sistema Solar. Com base nisso, Zaitsev contesta a proposta de proibir o METI, argumentando que as transmissões de radar planetário já constituiriam uma fonte muito mais detectável de sinais artificiais provenientes da Terra. O debate está relacionado, entre outras questões, ao receio de que transmissões deliberadas possam revelar nossa presença a uma civilização extraterrestre tecnologicamente muito avançada, cenário frequentemente explorado pela ficção científica. Abaixo, o trailer do filme-catástrofe Independence Day (1996):


``` [1]: https://arxiv.org/abs/0804.2754?utm_source=chatgpt.com "Detection Probability of Terrestrial Radio Signals by a Hostile Super-civilization"

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Primeiro planeta de origem extragaláctica

O ESOcast 24, divulgado em 2010, apresentou uma descoberta que, na época, despertou grande interesse: o possível exoplaneta HIP 13044 b, com massa mínima estimada em cerca de 1,25 vezes a massa de Júpiter.

O objeto teria sido detectado pelo método das velocidades radiais orbitando a estrela HIP 13044, localizada a cerca de 2 000 anos-luz da Terra. Trata-se de uma estrela evoluída da ramificação horizontal vermelha, pertencente à chamada corrente de Helmi, um conjunto de estrelas que teria feito parte de uma antiga galáxia anã absorvida pela Via Láctea bilhões de anos atrás.

Por essa razão, os pesquisadores sugeriram que HIP 13044 b teria se formado originalmente fora da Via Láctea e posteriormente ingressado em nossa Galáxia juntamente com sua estrela. Na época, o objeto foi divulgado como o primeiro planeta conhecido de provável origem extragaláctica.

Entretanto, a história teve uma reviravolta. Em 2014, uma nova análise dos dados espectroscópicos utilizados na descoberta não encontrou evidências da variação periódica de velocidade radial atribuída ao planeta. HIP 13044 b deixou, portanto, de ser considerado um exoplaneta confirmado.

O episódio constitui um bom exemplo de como funciona o processo científico: uma descoberta inicialmente considerada muito importante pode ser revista quando os dados são reanalisados com métodos mais precisos.

Abaixo, o ESOcast 24 original. O vídeo deve ser visto hoje como um registro histórico do anúncio realizado em 2010:



Minha Vivência com o Colonialismo Cultural na Ciência

Esta postagem tem um caráter de reflexão e de registro para futuras gerações de cientistas brasileiros. Em 15 de dezembro de 2022...