Ontem, 19 de agosto de 2026, por volta das 16h30, horário de Brasília, foi lançado do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, o SEBIT, foguete suborbital multipropósito desenvolvido pela empresa aeroespacial sul-coreana INNOSPACE. O veículo utiliza um motor híbrido de classe de três toneladas de empuxo e foi projetado para transportar equipamentos e experimentos a altitudes entre 50 e 100 km.
O voo inaugural, entretanto, durou apenas cerca de 35 segundos. Segundo informações divulgadas após o lançamento, o SEBIT apresentou um desvio da trajetória planejada e, por razões de segurança, a Força Aérea Brasileira acionou o Sistema de Terminação de Voo (FTS). O veículo caiu no mar, dentro da zona de segurança previamente estabelecida. Não houve feridos nem danos materiais. Até o momento, não foi divulgada a altitude atingida pelo foguete antes da terminação do voo.
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| Imagens do voo do SEBIT a partir do Centro de Lançamento de Alcântara. Reprodução/G1, via Diário do Centro do Mundo. |
Uma boa pergunta para quem acompanha o Programa Espacial Brasileiro é: e o VSB-30?
O Brasil já dispõe de um veículo suborbital desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) com um histórico operacional bastante mais longo. O VSB-30 é um foguete de dois estágios a propelente sólido, capaz de transportar cargas úteis científicas e tecnológicas de até 400 kg e atingir cerca de 270 km de altitude. Em missões de microgravidade, pode proporcionar aproximadamente seis minutos acima de 110 km. O veículo acumula dezenas de lançamentos bem-sucedidos e já foi utilizado no Brasil, na Suécia, na Noruega e na Austrália, inclusive em programas científicos europeus.
Isso não significa que SEBIT e VSB-30 sejam veículos idênticos. O SEBIT utiliza propulsão híbrida, é monoestágio e foi concebido para missões na faixa de 50 a 100 km, enquanto o VSB-30 é um foguete de sondagem de maior desempenho. Existe, porém, uma clara sobreposição nas aplicações: experimentos científicos, testes tecnológicos e pesquisas em ambiente suborbital e de microgravidade.
A utilização comercial de Alcântara por empresas estrangeiras pode gerar receita, experiência operacional e maior atividade para o centro de lançamento. O problema estratégico é outro: por que não dedicar esforço semelhante para ampliar a utilização, modernizar e comercializar também os veículos desenvolvidos no Brasil?
Cooperação internacional é necessária e Alcântara deve receber clientes estrangeiros. Mas um centro de lançamento brasileiro não pode se transformar apenas em infraestrutura para o desenvolvimento e a consolidação comercial de lançadores de outros países. Se o objetivo é autonomia tecnológica, a experiência e os recursos obtidos com essas operações precisam caminhar junto com investimentos consistentes nos lançadores nacionais.

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