O Sol passou muito próximo do zênite em Salvador, Bahia, no dia 27 de outubro de 2019, durante sua passagem pelo meridiano local, por volta das 11h18 no horário local (14h18 UT). O evento ocorreu cerca de um mês após o equinócio de setembro, quando a declinação solar já assumia valores negativos, acompanhando o movimento aparente anual do Sol em direção ao sul celeste.
Salvador situa-se aproximadamente à latitude de 13° S. Naquele momento, a declinação do Sol era de cerca de −12,8°, muito próxima da latitude da cidade. Na culminação superior, a distância do Sol ao zênite é dada, aproximadamente, pela diferença entre a latitude do observador e a declinação solar. Assim, o centro do disco solar atingiu uma altura próxima de 89,8°, passando a menos de 0,2° do zênite. Objetos verticais produziram, portanto, sombras muito curtas.
Esse fenômeno é característico das regiões situadas entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio. Ao longo do ano, a declinação solar varia aproximadamente entre +23,4° e −23,4° devido à inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao plano de sua órbita. Quando a declinação solar se iguala à latitude geográfica do observador, o centro do Sol passa exatamente pelo zênite no instante de sua passagem meridiana. Em localidades como Salvador, essa condição pode ocorrer duas vezes ao ano.
O registro apresentado abaixo foi realizado pelo astrônomo amador Luiz Sampaio Athaide Junior, que utiliza a expressão “Teoria do Zênite Solar” em seus trabalhos de divulgação. Essa denominação, entretanto, não corresponde a uma teoria astronômica: o fenômeno é a conhecida passagem do Sol pelo zênite, ou sua aproximação ao zênite, determinada pela relação entre a declinação solar e a latitude geográfica do observador.
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| Sombras muito curtas às 14h23 UT, poucos minutos após a passagem meridiana do Sol. |
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| Registro obtido às 14h27 UT. |
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